Inovação. Uma máscara portuguesa que neutraliza o vírus da Covid-19

Publié le 28 juillet 2020

Esta máscara é portuguesa e inativa o SARS-CoV-2 – Expresso

O virologista Pedro Simas, entre Susana Serrano e Francisco Pimentel <span class="creditofoto">FOTO TIAGO MIRANDA</span>

O virologista Pedro Simas, entre Susana Serrano e Francisco Pimentel – FOTO TIAGO MIRANDA

Testes do Instituto de Medicina Molecular confirmam capacidade de neutralização do vírus da covid-19

Um trabalho de MARGARIDA CARDOSO publicado no jornal Expresso

Nasceu no coração do Vale do Ave e apresenta-se como uma máscara inovadora, criada para inativar o SARS-CoV-2. Qual o segredo para destruir o vírus da covid-19 e anular a sua capacidade de infeção? “É um banho de impregnação no acabamento da malha”, explica Susana Serrano, presidente executiva da Têxtil Adalberto, onde tudo começou.

Na verdade, a MOxAd-Tech já está no mercado desde abril, mas este superpoder para anular a capacidade de infeção do novo coronavírus só agora foi confirmado pelo Instituto de Medicina Molecular (iMM) da Universidade de Lisboa, depois de uma bateria de testes intensivos coordenados pelo virologista Pedro Simas nos últimos dois meses.

O projeto tem uma patente em fase de registo, mas foi aberto à comunidade, e a máscara pode ser distribuída por outras insígnias e retalhistas

“Conseguimos isolar o vírus no nosso laboratório, e isso permite-nos prestar serviços como este à sociedade”, afirma o investigador, animado com os resultados deste projeto que juntou a comunidade empresarial, científica e académica para oferecer ao mundo uma inovação made in Portugal que traz a garantia de inativação viral na ordem dos 99% ao fim de uma hora de contacto com o vírus e após 50 lavagens, de acordo com os parâmetros de testes indicados na norma internacional ISO18184:2019.

“Em qualquer superfície, o SARS-CoV-2 vai perdendo via­bilidade ao longo do tempo. Sabemos que as máscaras são essenciais, sabemos que este vírus infeta as pessoas principalmente por meio de gotículas, e agora temos uma solução que inativa o vírus num curto espaço de tempo. Como virologista, isto dá-me obviamente confiança”, acrescenta, antes de avançar alguns pormenores sobre o trabalho de laboratório, como o facto de testar a capacidade da máscara para inativar o vírus implicar a utilização de 200 mil doses infecciosas para cada teste realizado.

A produção da nova máscara, no mercado desde abril, permitiu tirar 500 pessoas do lay-off no Vale do Ave

Quando chegou ao mercado, em abril, como máscara social de nível 2 profissional para os dias de pandemia, com capacidade de retenção de partículas de 95% certificada pelo CITEVE — Tecnologia Têxtil para 10 lavagens, a MOxAd-Tech já apresentava “características antimicrobianas, com eficácia comprovada contra vírus e bactérias” como o H1N1, o Corona-Type ou o rotavírus, através de um princípio ativo testado em França pelo Instituto Pasteur, de Lille. Ao mesmo tempo, avançava para os testes específicos para a covid-19 no iMM, que, apesar de não ser uma entidade certificadora, atesta a capacidade de esta solução neutralizar o SARS-CoV-2. E, entre estes dois momentos, também garantiu em França, na Direction Générale des Entreprises, a certificação oficial para a capacidade de retenção de partículas após 50 lavagens.

“O TRIUNFO DOS TÊXTEIS”

Agora, o próximo passo poderá ser a aplicação da mesma “receita poderosa” noutras áreas de negócio, dos têxteis-lar ao vestuário, como sublinha Susana Serrano, animada pelo potencial desta parceria, que juntou a Têxtil Adalberto, a retalhista de moda MO, do grupo Sonae, o centro tecnológico CITEVE, o iMM da Universidade de Lisboa e a Universidade do Minho e que promete “muito mais do que uma máscara”.

“Quando este processo começou, queríamos inovação, diferenciação. Ter menos do que isso era pouco e colocava-nos apenas como mais uma empresa com máscaras no mercado. Cumprimos este objetivo com os nossos parceiros, tirámos 500 pessoas do lay-off em várias fábricas no período de confinamento e abrimos novas portas aos têxteis portugueses, que, assim, voltam a afirmar as suas competências à escala global”, sublinha a gestora.

A MOxAd-Tech nasceu numa parceria entre a Têxtil Adalberto, Sonae, CITEVE, Universidade do Minho e Instituto de Medicina Molecular

O investimento realizado no desenvolvimento, “num curto período de tempo”, deste produto reutilizável não foi divulgado. As estimativas de vendas para o futuro também não. “Desde abril, foram comercializadas um milhão de máscaras”, adianta apenas Francisco Pimentel, administrador da MO, referindo que, apesar de o projeto ter uma patente em fase de registo, foi aberto à comunidade e está disponível para outras insígnias e retalhistas, no país e no estrangeiro. Na frente exportadora, já abriu portas no Reino Unido, França, Dubai e Malásia.

Com várias camadas de proteção, gestores de odor e de humidade, a que junta um tratamento de impermeabilidade para neutralizar bactérias e vírus quando entram em contacto com a sua malha, a MOxAd-Tech funciona como um escudo defensivo dos dois lados.


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