Chega e PCP deixam críticas ao discurso de Marcelo em Estrasburgo

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa (E), durante um encontro com a Provedora de Justiça da UE, Teresa Anjinho (D), à margem da sessão plenária do Parlamento Europeu (PE), em Estrasburgo, França, 21 de janeiro de 2026. O PE celebra os 40 anos de adesão de Portugal e Espanha à então Comunidade Económica Europeia. ESTELA SILVA/LUSA

PS, PSD e CDS saudaram hoje o discurso de Marcelo Rebelo de Sousa no Parlamento Europeu, enquanto o Chega criticou-o por não falar dos “problemas de hoje” e o PCP discordou da avaliação feita quanto aos benefícios da adesão.

Em declarações aos jornalistas no Parlamento Europeu, a eurodeputada do PS Marta Temido disse que, do discurso de Marcelo Rebelo de Sousa na sessão comemorativa dos 40 anos da adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia (CEE), reteve a ideia de que os portugueses têm origens de “vários sítios”.

“É muito interessante a referência que faz, e muito importante neste momento em que nos encontramos da nossa vida política nacional, quando diz que não há portugueses puros”, disse, elogiando ainda as ideias transmitidas pelo Presidente e pelo Rei de Espanha de que a UE, no atual “mundo de caos, incerteza e a instabilidade”, é um “exemplo e mostruário de valor, princípios e comércio baseado em relações justas e equitativas”.

O eurodeputado do PSD Sebastião Bugalho optou por destacar do discurso de Marcelo Rebelo de Sousa a ideia de que é necessária “uma reaproximação do Reino Unido à Europa”, considerando que Portugal pode ser um “ponto especial” nessa reaproximação por ser um aliado histórico e de longa data de Londres.

“Parece-me que Marcelo Rebelo de Sousa está a apontar uma oportunidade com muita pertinência, que acho que nós, eurodeputados portugueses, não podemos ignorar e que eu espero que o Conselho e a Comissão também não ignorem”, pediu, saudando ainda o facto de Marcelo ter observado que há “um sinal de intermitência” na relação com os Estados Unidos.

O eurodeputado do Chega Tiago Moreira de Sá considerou que Marcelo fez um “bom discurso”, mas lamentou que o Presidente da República não tenha falado sobre os “principais problemas dos dias de hoje”, referindo-se à “imigração maciça e descontrolada, os problemas de segurança, a estagnação económica das classes médias ou a crise demográfica”.

Sobre a ideia de que “não há portugueses puros, mas diversos”, o eurodeputado do Chega considerou que “isso é uma evidência” e, questionado se não viu nessa mensagem uma crítica indireta a André Ventura, respondeu que, se houve essa crítica, é errada porque o Presidente não deve “tomar partido na luta eleitoral”.

A eurodeputada da IL Ana Vasconcelos considerou que o dia de hoje “é muito importante para Portugal e Espanha”, afirmando ser um orgulho pertencer à UE, enquanto a deputada do CDS Ana Miguel Pedro disse que Marcelo fez um “bom discurso, convictamente europeísta” e de apelo à união, o que disse ser importante “num contexto internacional marcado por grande instabilidade”.

Em sentido contrário, o eurodeputado do PCP João Oliveira disse não acompanhar o Presidente da República quanto aos benefícios que associou à adesão à UE, frisando que, nos últimos 40 anos, Portugal “se atrasou comparativamente aos outros países, particularmente com economias mais desenvolvidas”.

“É um país que é hoje mais dependente na produção alimentar, industrial, num conjunto de aspetos absolutamente decisivos em que os nossos setores produtivos foram duramente penalizados pelas políticas da UE, um país que vê sacrificada a sua soberania”, disse, reiterando que o discurso de Marcelo Rebelo de Sousa “não coincide com a avaliação” que o PCP faz da adesão à UE.

Rádio Alfa com LUSA

Article précédentPresidenciais: Costa sugere que vai votar em Seguro tal como na primeira volta
Article suivantGronelândia: Trump exclui em Davos recorrer à força para assumir controlo do território