
A imagem de Portugal no estrangeiro é a de um país para investir e não apenas o “país do Ronaldo”, segundo um dos emigrantes portugueses que hoje partilharam o seu sucesso durante o primeiro Fórum Portugal Nação Global.
Para Jorge Viegas, presidente da Federação Internacional de Motociclismo e a residir há oito anos na Suíça, a perceção de Portugal no estrangeiro é hoje “totalmente diferente” da do passado, sendo visto como um país seguro, com apetência para o negócio.
“Já não é o país do Ronaldo – antes era o país do Figo – e do futebol”, disse o primeiro português à frente de uma federação internacional de desporto.
A propósito do cargo que ocupa, lembrou que, apesar de Portugal ser “um oásis”, as coisas nem sempre foram fáceis para os portugueses e que ser português foi, num passado não muito longínquo, uma desvantagem em relação a outros países, como a França ou a Inglaterra.
Devido às funções atuais, Jorge Viegas viaja com frequência por vários países e neles encontra sempre uma grande ligação dos portugueses a viver fora de Portugal e dos lusodescendentes ao país de origem.
E ele próprio comunga destes sentimentos: “Falamos mal de Portugal quando lá estamos e depois, lá fora, só falamos bem de Portugal ».
António Pargana, um português que há décadas vive no Brasil, onde fundou uma fundação para desenvolver laços entre os filhos, netos e bisnetos da diáspora e Portugal, considera-se um português que será sempre português.
Mas foi com “a camisola verde e amarela” que, durante anos, vendeu produtos brasileiros em África, não se poupando em elogios ao país que o acolheu, conforme contou hoje no primeiro fórum do Portugal Nação Global, que decorre até quinta-feira, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.
“O Brasil permite que desenvolvamos os nossos sonhos”, referiu, contando que nesse país investiu nas energias renováveis, com sucesso.
Em outubro de 2023, constituiu a Fundação António Pargana, através da qual pretende contribuir para o fortalecimento dos laços entre Portugal e a Diáspora, em particular com o universo estudantil com ligação hereditária ou afetiva ao país.
E já está a começar com os lusodescendentes que vivem em Portugal, conforme partilhou com os participantes neste fórum, que reúne mais de 600 pessoas oriundas de 43 países, dos cinco continentes.
Luísa Buinhas é cofundadora e diretora de programas da Vyoma GmbH, uma startup fundada em 2020 e que lança telescópios baseados em satélites para a órbita terrestre, com o objetivo de permitir a monitorização de objetos no espaço próximo da Terra.
Engenheira aeroespacial, sublinhou hoje, no fórum Portugal Nação Global, a importância que a tecnologia espacial tem na segurança e na soberania.
Esta portuguesa a viver na Alemanha mostrou-se entusiasmada com a possibilidade de a empresa que cofundou aprofundar os contactos com empresas portuguesas, sobretudo porque Portugal começou a desenvolver a indústria aeroespacial, tendo participado recentemente no lançamento de seis satélites.
Luísa Bolinhas licenciou-se no Instituto Superior Técnico (IST), em Portugal, tendo depois realizado um doutoramento no estrangeiro.
Em Munique, onde vive, não convive com muitos conterrâneos, mas tem pelo menos um a trabalhar na sua empresa.
Acredita que o espaço é uma boa área de negócio e que pode, inclusive, ser motivo do investimento que este fórum Portugal Nação Global está a promover.
“Há toda uma economia à volta do espaço. Se o espaço desaparecesse, haveria uma calamidade económica”, afirmou.
Portugal Nação Global é um encontro anual orientado para a ação que conecta territórios portugueses a empresários da diáspora e Pequenas e Médias Empresas (PME) nacionais, que visa criar oportunidades concretas de negócio.
Nesta plataforma, cada território em Portugal apresenta os seus ativos mais competitivos, cada empresário da diáspora expõe as suas capacidades de investimento e cada PME nacional identifica parceiros para expansão internacional.
Com Agência Lusa.