
O 43º Congresso Nacional do PSD terminou hoje em Anadia com a aprovação unânime da estratégia de Luís Montenegro, que mantém a porta aberta a negociações com o Chega e o PS, apesar de os rotularem como imobilistas.
O chumbo da proposta do Governo de revisão do Código Laboral, na sexta-feira, através de uma conjugação de votos do Chega com a esquerda parlamentar, nada mudou na estratégia que Luís Montenegro tinha traçada na sua moção e que acabou aprovada por unanimidade no sábado, mas teve impacto no tom da reunião magna.
Num congresso que teve de inédito a « prestação de contas » de 14 dos 16 ministros do Governo de Montenegro, a tónica dominante das intervenções foi de crítica às posturas do PS e do Chega no plano político, mas sem defesa de ruturas.
Uma única voz destoou, a do recém-eleito líder da distrital de Braga, Carlos Eduardo Reis, para quem o Chega « é inconfiável ».
« Não posso acompanhar a ideia de que negociar com o PS é igual a negociar com o Chega », disse o líder do PSD/Braga, argumentando que é preciso dialogar com os socialistas, também para os responsabilizar e comprometer.
Se dúvidas houvesse quanto ao caminho a seguir face ao partido de André Ventura, após o chumbo da legislação laboral, o secretário-geral desfê-las logo no início da reunião magna. Hugo Soares admitiu que sexta-feira “foi um dia mau para o país”, mas que “não vai mudar nada” nem alterar o rumo do Governo, que “tem uma estratégia”.
“Eu quero dizer ao congresso e ao país: se o Chega e o PS desistiram do país, nós não vamos desistir de os chamar à razão, nós temos de governar e continuar com o dialogo na Assembleia da República”, acentuou o número dois do PSD, que acumula as funções de secretário-geral e presidente do grupo parlamentar.
Também o presidente do PSD, logo na abertura dos trabalhos, defendeu a estratégia de ausência de parceiros preferenciais, mantendo a linha de equidistância política entre Chega e PS, apesar de acusar os dois partidos de preferirem a politiquice à mudança.
“Eu estou tudo menos preocupado com o meu futuro político, sabem que eu sou de assumir o risco, de ousar, de sonhar, não sou de me intimidar”, disse.
A resposta mais direta relativamente ao partido de André Ventura, que colocou a baixa da idade da reforma como « questão central » para viabilizar a aprovação das leis do trabalho, aconteceu no discurso de encerramento, quando Montenegro pediu aos portugueses para que “não se deixem enganar” pelo Chega, sem referir o nome do partido, avisando que “baixar a idade das reformas hoje significa cortar pensões amanhã ».
O primeiro-ministro terminou a reunião a anunciar oito medidas, como a criação de um fundo soberano de Portugal para o Estado poder intervir “em setores estratégicos” e uma reforma da justiça administrativa e fiscal, classificando-as como « decisões e novas transformações estratégicas e estruturantes para o futuro » que serão desenvolvidas a breve prazo.
Na tarde do primeiro dos dois dias de trabalhos falaram vários ministros, com destaque para as titulares das pastas do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, e da Saúde, Ana Paula Martins, ambas aplaudidas de pé pelos delegados.
Palma Ramalho manifestou-se confiante de que o primeiro-ministro vai insistir na reforma laboral, enquanto Ana Paula Martins assumiu ser impopular, de acordo com os critérios da comunicação social, mas defendeu que a característica essencial é a responsabilidade no cumprimento do programa do Governo.
O presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, também subiu à tribuna dos oradores para apontar como objetivo eleitoral uma vitória do PSD na autarquia da capital, em 2029, com maioria absoluta.
Carlos Moedas, juntamente com o eurodeputado Sebastião Bugalho e o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, foram as novidades anunciadas por Luís Montenegro como novos vice-presidentes do PSD. Hugo Soares continuará como secretário-geral do PSD e Sebastião Bugalho será também porta-voz do partido.
O primeiro dia do congresso ficou também marcado por uma homenagem a Francisco Pinto Balsemão, fundador do partido e antigo primeiro-ministro, que morreu no ano passado, aos 88 anos, e pelo regresso de Pedro Santana Lopes à condição de militantes do PSD.
Pedro Santana Lopes entrou no congresso poucos minutos antes da meia-noite, com pouco delegados na sala. Falou, depois, para explicar a sua saída do partido em 2018 com discordâncias de fundo face à liderança de Rui Rio e para elogiar o atual líder, Luís Montenegro.
Com Agência Lusa.