França e Europa devem defender valores “mesmo que seja necessário derramar sangue” – Macron

França e Europa devem defender valores “mesmo que seja necessário derramar sangue”.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, assegurou hoje que a França e os europeus estão preparados para defender “a liberdade e o Estado de Direito”, e que o vão fazer “mesmo que seja necessário derramar sangue”.

No seu tradicional discurso às Forças Armadas, na véspera do Dia Nacional de França ou também conhecido como o Dia da Bastilha – o último que fará já que está na reta final do seu segundo e último mandato presidencial -, Macron sublinhou que a Europa está a tornar-se uma potência e que tem de defender os seus valores.

« Sim, a paz é o nosso objetivo. Sim, valorizamos a liberdade e o Estado de Direito. E sim, estamos preparados para lutar para os defender sempre, mesmo que seja necessário derramar sangue », declarou.

Num contexto de « despertar estratégico » dos europeus para « assumir a responsabilidade pela autodefesa e pela ação », o presidente francês enfatizou os esforços de rearmamento empreendidos pela França desde que chegou ao poder, mesmo antes « de toda a turbulência » que se vive hoje.

« Mesmo antes de o Sahel mergulhar no caos, antes de o Médio Oriente entrar em chamas, antes de a guerra chegar a solo europeu, já tínhamos iniciado o nosso rearmamento, até antes do início desta guerra insensata que a Rússia trava contra a nação e a terra da Ucrânia », referiu.

Sublinhando considerar a guerra na Ucrânia como um exemplo para os conflitos atuais, Macron defendeu que aquele país está a dar à Europa uma « lição espetacular ».

Além disso, considerou que para a França e a Europa cumprirem os seus compromissos, devem estar preparados militarmente.

« São as guerras de hoje que devemos vencer », afirmou.

Em 2017, « anunciei-vos que o orçamento da Defesa seria aumentado, que os compromissos seriam honrados e que a França e as suas forças armadas cumpririam os seus deveres e responsabilidades. O compromisso foi cumprido, os factos comprovam-no e a História julgará », argumentou Macron.

O orçamento da Defesa francês duplicou durante os dois mandatos presidenciais de Emmanuel Macron e uma atualização da lei de despesas militares, aprovada pelo parlamento, aumentou em 36 mil milhões de euros o orçamento inicial de 400 mil milhões de euros previsto para o período de 2024-2030.

« Como europeus, devemos manter as nossas características específicas, os nossos processos de decisão, as nossas forças de intervenção e a nossa credibilidade », concluiu.

O presidente francês vai acolher hoje à tarde em Paris uma reunião da chamada Coligação da boa vontade sobre a Ucrânia. Esta coligação, lançada em 2025 por Paris em coordenação com o Reino Unido e que Portugal integra, reúne cerca de 30 países dispostos a fornecer garantias de segurança à Ucrânia para impedir uma nova agressão russa após o fim do atual conflito.

A reunião acontece na véspera do tradicional desfile militar do 14 de julho nos Campos Elísios, na capital francesa, que este ano contará com a participação de cerca de 500 soldados de países desta coligação.

Um total de 25 militares ucranianos também irão desfilar no cortejo militar.

 

Com Agência lusa.

 

 

Article précédentIncêndio de grandes dimensões na floresta de Fontainebleau