
O candidato Flávio Bolsonaro e o atual chefe de Estado brasileiro, , vão disputar a segunda volta das eleições presidenciais do Brasil, que decorre no dia 25 de outubro.
Segundo os dados oficiais, Flávio Bolsonaro registou 47,14% dos votos válidos na primeira volta, enquanto Lula da Silva obteve 45,03%, quando estão contabilizadas 99,45% das secções eleitorais.
O Tribunal Superior Eleitoral do Brasil publicou no seu site que a “eleição [está] matematicamente definida (Segundo turno)”.
O filho mais velho de Jair Bolsonaro somou este domingo mais de 55,5 milhões de votos, cerca de três milhões acima de Lula e aproximadamente dois milhões acima do resultado do pai na primeira volta de 2022.
Chegou a ficar perto da vitória na primeira volta, mas perdeu força à medida que foram contabilizados os votos da região Nordeste do país, bastião político da esquerda brasileira.
Antes de serem conhecidos os resultados, fontes da campanha de Lula da Silva tinham avançado que o atual Presidente precisava de pelo menos quatro pontos de vantagem para avançar com alguma tranquilidade para a segunda volta, o que não aconteceu.
Atrás ficaram o psiquiatra e escritor Augusto Cury (2,90%), do Avante, o agitador de extrema-direita Renan Santos (2,26%), do Missão, o antigo governador conservador de Goiás Ronaldo Caiado (2,20%), do Partido Social Democrático (PSD), e o antigo governador liberal de Minas Gerais Romeu Zema (0,28%).
As sondagens já tinham mostrado, nas últimas semanas, uma tendência de subida de Flávio, candidato do Partido Liberal (PL) por indicação do pai, que se encontra em prisão domiciliária após ter sido condenado por tentativa de golpe de Estado.
No entanto, nem a Quaest nem a Datafolha, as duas empresas de sondagens mais relevantes do país, previram uma vitória clara do senador.
Para a segunda volta, as sondagens publicadas antes deste domingo apontavam para uma disputa muito renhida, com Lula e Flávio em empate técnico.
Lula procura, aos 80 anos, um quarto mandato não consecutivo.
A campanha tem sido marcada pela alta polarização dos dois blocos, por ataques pessoais e acusações recíprocas, com o caso de corrupção do Banco Master a atingir Flávio Bolsonaro e vários juízes do Supremo Tribunal Federal no centro da polémica, enquanto Lula da Silva enfrenta o desgaste das suspeitas de corrupção envolvendo o filho, conhecido como Lulinha.
Enquanto Lula da Silva centra o discurso na defesa da soberania nacional e da independência face aos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro lança críticas à segurança pública e ao Supremo Tribunal Federal, que acusa de favorecer o atual Presidente.
Também tem sido marcada pela disputa do voto religioso e feminino, pela circulação de desinformação e por decisões de juízes das mais altas instâncias.
O histórico dirigente do Partido dos Trabalhadores (PT) centrou a campanha no legado do seu atual mandato, com um crescimento económico superior a 2%, o desemprego em mínimos e um aumento significativo da massa salarial.
Nos últimos dias de campanha, anunciou medidas de grande alcance, como um aumento de 15% do valor do principal programa de apoio social do Governo e a proibição das apostas desportivas e dos casinos em linha.
No entanto, persiste a perceção de que o custo de vida continua elevado, num contexto de níveis recorde de endividamento das famílias.
Flávio foi escolhido a dedo como candidato pelo pai, que se encontra em prisão domiciliária após ter sido condenado a 27 anos de prisão por liderar uma conspiração golpista depois de perder as eleições de 2022 contra Lula, segundo a decisão do Supremo Tribunal Federal.
O candidato do PL prometeu mão dura contra o crime organizado e um corte acentuado na despesa pública e nos impostos.
OS dois principais candidatos não participaram em qualquer debate nestas eleições, com o último previsto para quinta-feira na TV Globo, que foi cancelado à última hora, após decisões judiciais alterarem as regras e Flávio Bolsonaro desistir de participar, alegando censura do Tribunal Superior Eleitoral, num debate no qual Lula da Silva já havia anunciado que não compareceria.
Com Agência Lusa.