
Um adolescente de 15 anos ficou gravemente ferido esta segunda-feira durante confrontos entre estudantes do ensino secundário e a polícia, na cidade de Lens, no norte de França. O jovem perdeu uma mão e parte do antebraço na sequência da explosão de uma granada de atordoamento.
De acordo com o jornal regional La Voix du Nord, o adolescente terá apanhado o dispositivo policial antes de este explodir. As autoridades locais confirmaram o incidente, mas não foram divulgados, até ao momento, todos os detalhes sobre as circunstâncias em que ocorreu.
O prefeito de Pas-de-Calais, François-Xavier Lauch, disse que entre 200 e 250 manifestantes estavam envolvidos nos confrontos e terão lançado objetos contra os agentes da polícia. O responsável não quis, contudo, pronunciar-se sobre a forma como o adolescente ficou ferido.
O incidente acontece numa altura de forte tensão entre estudantes e autoridades francesas. Os protestos, que começaram em meados de setembro na região de Paris, têm-se intensificado e chegaram entretanto a várias zonas do país.
Os estudantes contestam, entre outras questões, o financiamento do ensino, a sobrelotação das escolas e o estado degradado de algumas instalações. Para esta terça-feira está prevista uma manifestação de âmbito nacional convocada por um sindicato de alunos.
Polícia sob investigação
A atuação das forças de segurança está também a ser alvo de críticas por parte de organizações de defesa dos Direitos Humanos, que acusam a polícia de recorrer a meios considerados excessivos durante os protestos.
Entre os casos investigados está o de outro adolescente, de 16 anos, que sofreu uma lesão num olho. As autoridades estão a apurar a alegação de que terá sido atingido por uma bala de borracha disparada pela polícia contra uma concentração de manifestantes.
Os protestos já provocaram também o encerramento total ou parcial de cerca de 400 a 500 escolas secundárias em França.
Segundo o ministro da Educação, Édouard Geffray, 24 estabelecimentos de ensino foram incendiados ou saqueados e 78 membros do corpo docente ficaram feridos de forma intencional durante as manifestações.
« A nossa prioridade é restabelecer a ordem », afirmou a porta-voz do Governo, Maud Brégeon, à CNews.
O Executivo pretende ainda acelerar, a 27 de outubro, a tramitação de um projeto de lei que prevê responsabilizar financeiramente os jovens que provoquem danos materiais, ou os respetivos pais.
Milhares de detenções
Desde a última segunda-feira, cerca de 5.000 pessoas foram detidas no âmbito dos protestos. Cerca de 85% dos detidos são adolescentes.
Dezenas de pessoas ficaram feridas, entre professores e cidadãos, e os prejuízos materiais provocados durante os protestos estão estimados em vários milhões de euros.
A situação surge cerca de seis meses antes das eleições destinadas a escolher o sucessor de Emmanuel Macron na Presidência francesa.
O Governo e o Rassemblement National, partido de extrema-direita liderado por Marine Le Pen, acusam deputados e autarcas da França Insubmissa (LFI), partido de esquerda radical liderado por Jean-Luc Mélenchon, de contribuírem para o agravamento dos protestos.
A LFI rejeita essas acusações. O partido afirma que não incentivou a violência e acusa o Governo de utilizar politicamente a situação e de não responder aos problemas enfrentados pelos estudantes.
Com Agências e RTP.