
Várias centenas de supermercados em França foram alvo, na noite passada, de um ciberataque, que visou sobretudo as instalações frigoríficas, destruindo produtos frescos e congelados, indicaram dois distribuidores à AFP.
Segundo a agência noticiosa France-Presse (AFP), entre 150 e 200 lojas Intermarché e cerca de uma centena de pontos de venda das Coopératives U foram afetados.
Segundo a estação de televisão BFMTV, também foram afetados estabelecimentos Leclerc, o que o grupo, contactado pela AFP, ainda não confirmou.
Os piratas informáticos terão, segundo o canal de informação, « conseguido ativar remotamente o degelo forçado » das instalações frigoríficas de numerosas lojas.
Estas serão obrigadas a « deitar fora a totalidade dos produtos » frescos e congelados afetados, precisou a cadeia Intermarché à AFP.
Segundo o Ministério Público de Paris, também houve « inícios de incêndio ».
Na rede social X, o presidente executivo da Coopérative U, Dominique Schelcher, confirmou que um « ciberataque » estava a afetar « desde a noite de domingo as instalações de produção de frio de várias lojas » da sua rede, considerando-o « inaceitável ».
« Atacar equipamentos essenciais à conservação dos produtos frescos e ao abastecimento alimentar dos franceses é extremamente grave e inédito », lamentou.
« As nossas equipas estão totalmente mobilizadas, em articulação com os técnicos de refrigeração, para restabelecer a situação o mais rapidamente possível », enquanto « uma investigação deverá permitir esclarecer cabalmente » esta situação, acrescentou.
Contactado pela AFP, o Ministério Público de Paris anunciou a abertura, por iniciativa própria, de uma investigação sobre « o ciberataque em larga escala que afeta os frigoríficos ligados à internet de várias grandes superfícies de distribuição alimentar em todo o território francês ».
A investigação deverá permitir identificar os locais afetados e estabelecer a ligação com os danos comunicados, em termos de perdas de géneros alimentares e de inícios de incêndio.
Segundo o portal especializado Je Bosse En Grande Distribution, também foram afetadas lojas da Carrefour Market e Monoprix, o que estas cadeias ainda não confirmaram à AFP.
Por seu lado, o Ministério do Comércio francês indicou estar « em contacto com os distribuidores », sem dispor, nesta fase, de « informações adicionais ».
A Intermarché lamenta o « desperdício alimentar » e as perdas financeiras provocadas por este ataque, sem avançar números. « Um dos principais problemas » estará relacionado com os seguros, que não « cobrem este tipo » de incidente em loja, precisou a cadeia à AFP.
Segundo a BFMTV, o ciberataque visou sobretudo « os sistemas de regulação frigorífica do fabricante dinamarquês Danfoss », que « equipam um grande número de lojas francesas ».
As temperaturas terão assim sido « alteradas remotamente, provocando a destruição de `stocks` de produtos frescos e congelados ».
Com Agência Lusa.