“Acreditamos nessa Europa de Lisboa a Vladivostok”. Macron/Putin

Publié le 20 août 2019

Macron diz a Putin que “a Rússia tem o seu lugar na Europa dos valores”. “A Rússia é europeia, muito profundamente e acreditamos nessa Europa de Lisboa a Vladivostok”, disse o Presidente Emmanuel Macron à frente do seu homólogo Vladimir Putin, no Forte de Brégançon, em França.

Foto: MIKHAIL METZEL/TASS/GETTY IMAGES

Num encontro destinado a compensar a ausência de Moscovo na cimeira do G7 do próximo fim de semana, o Presidente francês apelou ao respeito pela liberdade de expressão e escolha nas eleições municipais russas de 8 de setembro. O seu homólogo russo respondeu que deseja evitar “uma situação como a dos coletes amarelos” em França

Alfa/com Expresso e outras fontes

O Presidente francês, Emmanuel Macron, recebeu esta segunda-feira o seu homólogo russo, Vladimir Putin, no Forte de Brégançon. Antes de uma reunião à porta fechada, os dois líderes abordaram perante a imprensa vários assuntos como a guerra na Síria e a liberdade da oposição na Rússia.

Na residência presidencial de verão, Macron apelou ao respeito pela liberdade de expressão e escolha nas eleições municipais russas de 8 de setembro. A comissão eleitoral rejeitou os nomes de 57 candidatos, o que tem gerado protestos em massa nas últimas semanas. “A Rússia tem o seu lugar na Europa dos valores”, declarou o Presidente francês. Putin respondeu que as autoridades russas tudo farão para que as manifestações dos opositores permaneçam dentro do “quadro da lei” e que deseja evitar “uma situação como a dos coletes amarelos” em França.

Macron sugeriu ainda a realização de uma cimeira a quatro, envolvendo Rússia, Ucrânia, França e Alemanha, “nas próximas semanas”, destacando uma “verdadeira mudança” nas relações entre Moscovo e Kiev. No entanto, Putin falou de um “otimismo prudente” na questão das regiões separatistas pró-russas do leste da Ucrânia após os seus contactos com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que tomou posse em maio.

OS “EQUÍVOCOS DAS ÚLTIMAS DÉCADAS”

Quanto à Síria, o anfitrião francês alertou que “é imperioso que o cessar-fogo seja respeitado em Idlib”. Por seu lado, Putin assegurou que a Rússia “apoia os esforços do Exército sírio para eliminar as ameaças terroristas” naquela região.

Em tom conciliatório, Macron afirmou que, apesar dos “equívocos das últimas décadas” e “dos debates sobre as relações com o Ocidente”, a Rússia “é europeia” e é preciso “reinventar uma arquitetura de segurança e confiança entre a União Europeia (UE) e a Rússia”.

Por fim, o Presidente francês anunciou que marcará presença em Moscovo em maio do próximo ano para assistir às celebrações do 75º aniversário da vitória sobre a Alemanha nazi. Putin mostrou-se “grato” por Macron ter aceitado o convite para as comemorações que têm sido evitadas pelos líderes ocidentais desde a anexação da Crimeia pela Rússia em 2014.

Os chefes de Estado francês e russo já se tinham encontrado anteriormente: em Versalhes em 2017, em São Petersburgo no ano seguinte e nas cimeiras do G20, a última das quais em Osaca em junho deste ano. O encontro desta segunda-feira serviu para compensar a ausência de Moscovo na cimeira do G7 no próximo fim de semana, assinalou a imprensa francesa.

A Rússia está suspensa do G8, que teve de ser transformado em G7 (Alemanha, Canadá, EUA, França, Itália, Japão e Reino Unido), desde a anexação da Crimeia. França é a anfitriã deste ano numa cimeira em que a UE também está representada.

 


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