
Os ministros dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, França e Polónia, membros do Triângulo de Weimar, advertiram hoje de que vão responder ao aumento pela das agressões à Europa, no contexto de uma intensificação da guerra na Ucrânia.
“Haverá consequências” para incidentes como o ataque frustrado com drones explosivos no aeroporto da cidade alemã de Leipzig, que Berlim imputou a Moscovo, declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) alemão, Johann Wadephul, no final de uma reunião com os homólogos francês e polaco em Weimar.
Wadephul agradeceu as manifestações de apoio à Alemanha após a denúncia de que a Rússia estava por detrás da tentativa de atentado em Leipzig, sublinhando que “a Europa se mantém unida quando a Rússia tenta destabilizar a segurança e as sociedades” do continente.
“Prosseguimos com o nosso apoio [à Ucrânia] e aumentamos a pressão sobre Moscovo para que embarque em negociações sérias. Os ataques e as ameaças da Rússia são dirigidos a todos nós. Juntos fortalecemos a nossa resistência”, afirmou o MNE alemão, apelando para uma Europa “capaz de agir e forte”.
O chefe da diplomacia francesa, Jean-Noel Barrot, alertou a Rússia de que “a Europa responderá a atos de gravidade” como o ocorrido no aeroporto de Leipzig, no leste da Alemanha.
“É evidente que, quando a integridade territorial da União Europeia, do território da NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte, bloco de defesa ocidental) ou dos nossos processos eleitorais é ameaçada — em suma, sempre que o coração dos nossos Estados e das nossas democracias for atacado, mesmo que esses ataques sejam híbridos —, nós responderemos”, sublinhou.
“Que imagem projetaríamos se fôssemos incapazes de responder quando é atacado o mais essencial, em relação ao que nunca se pode transigir?”, questionou o MNE francês, repetindo que sempre que tais incidentes ocorram, “haverá consequências”.
Barrot atribuiu também uma renovada intensidade à ofensiva do Kremlin no conflito na Ucrânia, afirmando: “A Ucrânia é que está a sofrer a agressão, mas a Europa está a ser vítima de uma agressividade redobrada por parte da Rússia desde 24 de fevereiro de 2022”.
Ao passo que, por seu lado, a Europa, assegurou, não demonstrou “agressividade” contra a Rússia ou o seu Presidente, Vladimir Putin, que, na sua opinião, “está a aumentar a tensão e a ir cada vez mais longe” no conflito. Em todo o caso, instou a que se separe o Kremlin do povo russo, depois de vincar que este “está a sofrer com as decisões imperialistas e coloniais de Putin”, “com racionamento de energia, vendo 35 mil soldados morrerem nas linhas da frente todos os meses e assistindo ao colapso da economia”.
O MNE polaco, Radoslaw Sikorski, por sua vez, expressou o apoio do seu país à Alemanha, na reação perante o atentado fracassado. “Não queremos que as nossas fronteiras sejam violadas sem que haja consequências. Não aceitamos ataques às nossas infraestruturas ferroviárias, não aceitamos assassínios, nem outras ações desse tipo”, insistiu.
Sikorsky salientou que “este tipo de terrorismo” por parte da Rússia é um problema “para toda a Aliança”, referindo-se à NATO. “A Rússia de Putin é uma das ameaças mais significativas à paz na Europa. Esta Rússia ameaça destruir a arquitetura de segurança europeia e pretende impor o domínio nas relações internacionais ao invés de as basear na cooperação, e devemos confrontar estas ambições”, argumentou.
Por isso, defendeu que, perante a escalada do conflito no Médio Oriente, mas também na Europa, o caminho para a resolução dos conflitos deve ser “a cooperação e o apaziguamento”. “É isso que pretendemos e, neste contexto, a cooperação entre a Europa e os Estados Unidos é fundamental”, acrescentou.
Na terça-feira, a Alemanha anunciou medidas de retaliação contra a Rússia, depois de a ter acusado de enviar no início de agosto um drone carregado com explosivos para o aeroporto de Leipzig, um centro militar fundamental para o Exército alemão e para a NATO.
O drone foi descoberto na área com segurança das operações de carga, perto de vários aviões de carga ucranianos, e um segundo drone atingiu um avião de carga da empresa de distribuição DHL minutos depois.
Segundo a imprensa alemã, um terceiro drone foi posteriormente encontrado no aeroporto, igualmente com vestígios de substâncias explosivas.
Desde o início da guerra na Ucrânia, a Alemanha e vários outros Estados europeus têm regularmente imputado ao Kremlin operações de destabilização, espionagem e sabotagem nos seus territórios.
Com Agência Lusa.