Atum rabilho bate recorde e é vendido em Tóquio por 2,7 milhões de euros

Publié le 6 janvier 2019

A licitação no leilão de Ano Novo do mercado de peixe da capital japonesa foi feita pelo presidente da cadeia de restaurantes de sushi Sushizanmai, Kiyoshi Kimura, o “Rei do Atum”.

O mais apreciado predador dos mares, o atum rabilho, bateu todos os recordes e um exemplar gigante com 278 quilos de peso foi vendido em Tóquio por 2,7 milhões de euros. Aconteceu no tradicional leilão de Ano Novo no mercado de peixe de Tóquio, tratou-se da primeira venda de 2019 e a licitação foi feita por Kiyoshi Kimura, presidente da cadeia japonesa de restaurantes de sushi Sushizanmai, que se auto-intitula o “Rei do Atum”.

Kimura disse à Agência Reuters que acabou por gastar cinco vezes mais do que estava à espera. Se tivesse sido num dia normal do mercado de peixe de Tóquio, teria gasto provavelmente 53 mil euros. Mas a verdade é que o império do sushi do empresário japonês ganhou publicidade de graça em todo o mundo com esta venda recorde.

Aliás, em sete dos últimos oito anos, Kimura fez sempre a maior licitação neste leilão de Ano Novo. O seu anterior recorde era de 2013, quando pagou 1,2 milhões de euros por um atum rabilho. O “Rei do Atum” confessou que se excedeu na sua última oferta, o que está certamente relacionado com a crescente escassez do grande atum rabilho do oceano Pacífico no mercado, devido à sobrepesca. Com efeito, segundo a BBC, “as capturas caíram bastante em 2018 e desde o verão os preços em Tóquio aumentaram mais de 40%”.

ESPÉCIE EM RISCO DE EXTINÇÃO

A espécie está em risco de extinção e figura nas listas vermelhas da organização ambientalista WWF (World Wildlife Fund) e da União Internacional para a Conservação da Natureza. Se a sua captura continuar ao atual ritmo poderá mesmo desaparecer, porque os stocks diminuíram mais de 85% desde 1973 e a moda do sushi e do sashimi espalhou-se rapidamente por todo o mundo como uma epidemia.

Tiago Pitta e Cunha, presidente executivo da Fundação Oceano Azul, que gere o Oceanário de Lisboa, alertou há poucos meses numa conferência de imprensa para um pradoxo: estamos a comer os predadores dos oceanos como o atum ou o espadarte, que ocupam o topo da cadeia alimentar marinha, coisa que não fazemos em terra porque não comemos lobos, raposas, águias, leões, tigres ou leopardos.

O mercado de peixe da capital japonesa é o maior do mundo e uma grande atração turística, tendo sido transferido recentemente do centro da cidade (a maior do mundo, com 38 milhões de habitantes), para uma ilha artificial na Baía de Tóquio, devido à necessidade de mais espaço comercial.

Jornal Expresso.

 


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