Benfica hexa: Benfica chega ao sexto título feminino em época tumultuosa

Jogadoras do Benfica festejam a vitória frente ao SC Braga, no jogo da Liga feminina realizado no Estádio Amélia Morais, em Braga, 25 de abril de 2026. HUGO DELGADO/LUSA

O Benfica garantiu sábado o ‘hexa’ na Liga feminina de futebol, mantendo o pleno de seis títulos em seis presenças, com um percurso para já invicto e que sobreviveu a época tumultuosa, com mais baixos do que altos.

Na estreia do treinador Ivan Baptista, depois de quase cinco anos de Filipa Patão, o grande objetivo da época foi conseguido, mas para trás ficou uma ‘Champions’ sem brilho e dois troféus dolorosamente perdidos para o Torreense.

Estes desaires acabaram por influir negativamente nas prestações no campeonato, prova em que o Benfica, apesar de entrar com o ‘pé esquerdo’, comandou quase sempre, impondo uma regularidade que mais ninguém acompanhou.

Numa prova reduzida a 10 equipas e 18 jornadas, as ‘encarnadas’ dispensaram as duas últimas rondas, ao somarem 13 vitórias em 16 jogos, mais três empates, isto apresentando o melhor ataque (54 golos marcados) e a defesa menos batida (10 sofridos).

Dos 13 triunfos, sete foram por três ou mais golos de diferença, cinco por dois e apenas um pela diferença mínima, mas Benfica não primou por encantar e no dérbi, em Alvalade, foi autoritário, mas não foi capaz de ganhar, ficando-se por um empate a um golo.

Ainda assim, o título é incontestável, pois, globalmente, o Benfica foi muito melhor do que a concorrência, como mostram os oito pontos de avanço face ao segundo classificado de ‘sempre’, o Sporting, em apenas 16 rondas.

O técnico ‘encarnado’, e apesar de ter claramente o melhor elenco nacional, uma equipa habituada a ganhar tudo, pode, no entanto, queixar-se de alguma falta de sorte, nomeadamente das lesões, que impediram Andreia Norton e Ana Borges, um reforço de peso, de jogar toda a temporada – ainda não são campeãs.

A Liga 2025/26 não podia, no entanto, ter começado pior, com o Benfica, demasiado ‘desligado’, a não ser capaz de bater em casa o Racing Power, atual sétimo colocado, numa exibição difícil de desconectar do desaire, uma semana antes, na Supertaça, perante o Torreense (1-2), num jogo que começou praticamente a ganhar.

Os primeiros triunfos na prova foram muito fáceis, em Guimarães (5-1, após 0-1) e na receção a um Damaiense cedo reduzido a 10 (8-0), a anteceder uma estreia a perder na ‘Champions’, com a Juventus (1-2), em Turim, culpa de um golo aos 86 minutos.

Com a ajuda de três penáltis, o Benfica venceu depois o Valadares (4-1), em Gaia, no único jogo em outubro, para, no início de novembro, golear em casa o Marítimo (5-0) e bater fora o Torreense (2-0), com dificuldade, para ‘vingar a Supertaça.

Pelo meio, nova derrota na ‘Champions’ (0-2 com o Arsenal) e um 5-1 no Funchal a abrir a Taça da Liga, e, depois, mais duas deceções europeias (1-1 com o Twente e 0-2 na visita ao Paris FC) e um tranquilo 4-0 ao Albergaria a abrir a Taça de Portugal.

No regresso à Liga, quase um mês depois, as ‘encarnadas’ receberam o Sporting de Braga e tiveram enormes dificuldades em selar o sexto triunfo em sete jogos, valendo um golo da norueguesa Engesvik, que entrou aos 90+1 minutos e marcou o 3-2 aos 90+2.

Seguiu-se o fecho da ‘Champions’, sem glória (1-3 em Barcelona e 1-1 com o Paris SG), e um 2-0 na casa do Damaiense para a Taça de Portugal, antes da deslocação a Alvalade, onde, contrariando muitos dos jogos anteriores, o Benfica foi afirmativo.

A formação de Ivan Baptista, com a jovem Thaís Lima na baliza, por indisponibilidade de Lena Pauels, adiantou-se, por Nycole Raysla (21 minutos), mas não soube sentenciar e acabou ‘empatado’ por um penálti de Telma Encarnação (88), falhando uma grande possibilidade de quase sentenciar o campeonato ainda meio.

Depois desse encontro, o Benfica somou três vitórias tranquilas no campeonato (2-0 ao Rio Ave, 5-0 no reduto do Racing Power e 5-1 ao Vitória), em janeiro e fevereiro, entre resultados bem menos conseguidos em outras provas.

Neste período, o Benfica caiu por 3-2 em Braga, na fase de grupos da Taça da Liga, e viveu mais um momento baixo da época, com a eliminação perante o Torreense nas meias-finais da Taça da Liga, desta vez no desempate por penáltis (6-7, após 0-0).

As ‘encarnadas’ somaram, a fechar fevereiro, o quarto triunfo seguido no campeonato, com uma goleada na Damaia (4-0), mas, a abrir março, não conseguiram bater no Seixal o Valadares Gaia, cedendo o 2-2 aos 90 minutos, após vantagens de 1-0 e 2-1.

As ‘leoas’ aproximaram-se, colocando-se a cinco pontos, mas, na ronda seguinte, caíram em Torres Vedras (0-2) e o Benfica venceu fora o Marítimo (3-1) e voltou a fugir, para, à 15.ª jornada, quase selar o cetro, com um 2-0 ao Torreense, materializado com um ‘bis’ de Diana Silva.

O ‘hexa’ ficou à distância de uma vitória e, em Braga, as ‘encarnadas’ não desperdiçaram a oportunidade, vencendo por 3-1, com golos de Nycole Raysla, Diana Silva e Carole Costa.

Até ao final da época, o objetivo passa agora por manter a invencibilidade na prova, sendo que o próximo compromisso é a receção ao Sporting, em 01 de maio, em plena Luz, e, depois, fechar 2025/26 com a vitória na Taça de Portugal, numa final, em 17 de maio, com o ‘secundário’ FC Porto.

 

Com Agência Lusa.

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