Chico Buarque é o vencedor do Prémio Camões 2019

Publié le 22 mai 2019

O músico e escritor Chico Buarque é o vencedor do Prémio Camões 2019, foi anunciado esta terça-feira, após reunião do júri, na Biblioteca Nacional do Brasil, no Rio de Janeiro.

Chico Buarque fora já distinguido duas vezes com o prémio Jabuti, o mais importante prémio literário no Brasil, pelo romance “Leite Derramado”, em 2010, obra com que também venceu o antigo Prémio Portugal Telecom de Literatura, e por “Budapeste”, em 2006.

O músico e escritor foi escolhido pelos jurados Clara Rowland e Manuel Frias Martins, indicados pelo Ministério português da Cultura, pelos brasileiros Antonio Cícero Correia Lima e António Carlos Hohlfeldt, pela professora angolana Ana Paula Tavares e pelo professor moçambicano Nataniel Ngomane.

Escritor, compositor e cantor, Francisco Buarque de Holanda nasceu em 19 de junho de 1944, no Rio de Janeiro.

Estreou-se nas Letras com o romance “Estorvo”, publicado em 1991, a que se seguiram obras como “Benjamim”, “Tantas palavras” e “O Irmão Alemão”, publicado em 2014.

Em 2017, venceu em França o prémio Roger Caillois pelo conjunto da obra literária.

O Prémio Camões de literatura em língua portuguesa foi instituído por Portugal e pelo Brasil em 1988, com o objetivo de distinguir um autor “cuja obra contribua para a projeção e reconhecimento do património literário e cultural da língua comum”.

Foi atribuído pela primeira vez, em 1989, ao escritor Miguel Torga. Em 2018 o prémio distinguiu o escritor cabo-verdiano Germano Almeida, autor de “A ilha fantástica”, “Os dois irmãos” e “O testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo”, entre outras obras.

Ministra portuguesa da Cultura felicita Chico Buarque

A ministra portuguesa da Cultura, Graça Fonseca, felicitou o músico e escritor Chico Buarque, anunciado terça-feira como vencedor do Prémio Camões 2019, após reunião do júri, na Biblioteca Nacional do Brasil, no Rio de Janeiro.

“Chico Buarque é o vencedor do Prémio Camões 2019. A decisão foi tomada esta tarde pelo júri da 31.ª edição do prémio, no Rio de Janeiro. Esta é a distinção de maior prestígio da Língua Portuguesa. Parabéns!”, publicou a ministra na sua página pessoal da rede social Twitter.

Prémio Camões: Companhia das Letras diz que houve “justiça” na atribuição a Chico Buarque

A Companhia das Letras, maior editora do Brasil, afirmou à agência Lusa que houve “justiça” na atribuição do Prémio Camões 2019 ao músico e escritor brasileiro Chico Buarque, uma escolha que considerou “sábia” por parte dos jurados.

“O Prémio Camões sabiamente julga qualidade e não quantidade. Dessa forma, soube premiar no passado, com toda a justiça, Raduan Nassar e agora Chico Buarque. São autores afins, que trabalham horas a fio cada frase que um dia virá a ser impressa. O prémio deste ano vai para cinco romances magistrais da língua portuguesa e para um artista que usa em vários campos (música, teatro e literatura) a liberdade para a melhor arte e vice-versa”, argumentou Luiz Schwarcz, CEO da Companhia das Letras, em declarações enviadas à Lusa, também publicadas na rede social Twitter.

Manuel Alegre destaca lugar de Chico Buarque na língua portuguesa

O escritor Manuel Alegre afirmou que o músico Chico Buarque, vencedor do Prémio Camões 2019, tem contribuído para a difusão da língua e da cultura portuguesas, considerando-o das pessoas mais conhecidas no mundo artístico da língua portuguesa.

“Ele tem qualidade como artista, como compositor, como cantor, mas, sobretudo, como autor com características variadas múltiplas, todas elas ricas e enriquecedoras da língua portuguesa e da difusão da língua portuguesa. É provavelmente uma das pessoas mais conhecidas hoje no mundo artístico de língua portuguesa”, disse Manuel Alegre, em declarações à agência Lusa.

O poeta português, vencedor do Prémio Camões 2017, deu os parabéns a Chico Buarque e mostrou-se “muito satisfeito” por o músico brasileiro receber o Prémio Camões 2019, acrescentando que este, “de muitas formas, tem contribuído para a difusão da língua e da cultura portuguesa: como músico, como poeta, como autor teatral e como romancista”.

“É um autor muito popular, e o facto de ser popular e de as suas obras chegarem longe, mostram que ser popular não é impeditivo de um autor poder ter qualidade e chegar ao Prémio Camões”, frisou Alegre.

 

Alfa/Lusa

 

 


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