Constâncio escondeu ao Parlamento que autorizou Berardo a levantar 350 milhões da CGD

Publié le 7 juin 2019

No depoimento que prestou em março deste ano no Parlamento, o antigo governardor garantiu que o Banco de Portugal não tinha forma de saber que a Caixa ia financiar o empresário, mas documentos revelados esta sexta-feira pelo “Público” mostram que a decisão foi acordada pelo conselho de administração do banco central

Foto.: MANUEL DE ALMEIDA

Alfa/Expresso

Vítor Constâncio, vice-presidente do Banco Central Europeu, omitiu dos deputados portugueses que em 2007, enquanto governador do Banco de Portugal (BdP), autorizou José Berardo a ir levantar 350 milhões de euros junto da CGD para comprar acções do BCP, avança o “Público” esta sexta-feira. No depoimento que prestou a 28 de março deste ano, na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) à gestão da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Constâncio havia garantido que o BdP não tinha forma de saber que a Caixa ia financiar Berardo.

De acordo com documentação a que o matutino teve acesso, a 21 de agosto de 2007 o conselho de administração do banco central, chefiado por Constâncio, reuniu-se com um ponto na agenda: analisar um pedido de reforço da posição de Berardo no BCP, de 3,99% até 9,99%, com um financiamento de 350 milhões de euros a libertar pela CGD.

Esta informação chegou ao BdP a 7 de agosto de 2007. Nesse dia, a Fundação Berardo (FB) deu conhecimento ao departamento de supervisão bancária do BdP que planeava investir no BCP com “recurso a fundos disponibilizados pela CGD, através de contrato de abertura de crédito em conta corrente, celebrado a 28 de maio de 2007, até ao montante de 350 milhões de euros pelo prazo de cinco anos”. Na mensagem em causa, Berardo remetia, em anexo, os contratos que negociara com a CGD.

Passados quinze dias de ter chegado ao BdP, Vítor Constâncio aprovou o pedido do investidor especulativo para se tornar um dos principais acionistas individuais do maior banco privado português, o BCP.

A 28 de agosto de 2007, dois quadros do departamento de Supervisão Bancária, Carlos Nunes e Virgílio Martins, dirigiram-se “à Fundação Berardo – Instituição Particular de Solidariedade Social” para fechar o dossiê: “O Conselho de Administração do BdP, em sessão de 21 de agosto de 2007, deliberou não se opor à detenção pela Fundação Berardo” de uma participação qualificada “superior a 5% e inferior a 10%, no capital do BCP e inerentes direitos de voto”, lê-se nos documentos a que o jornal teve acesso.


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