Covid-19. Segunda vaga na Europa vem aí: “Só falta saber quando e que dimensão terá”

Publié le 21 mai 2020

Segunda vaga na Europa vem aí: “Só falta saber quando e que dimensão terá”

A diretora do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) afirma que o novo coronavírus não desaparecerá tão cedo e irá ter novo pico. Teme que haja já um relaxamento imprudente nas medidas de distanciamento social.

Uma segunda vaga de Covid-19 na Europa é praticamente certa, diz a diretora do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC). “A questão é saber quando e que dimensão terá, na minha perspetiva”, afirmou Andrea Ammon, em declarações ao jornal inglês “The Guardian”.

A responsável europeia diz que é preciso realismo e não deve haver facilitismos. “Observando as características do vírus e vendo o que emerge dos diferentes países em termos de imunidade populacional – que não é empolgante, está entre 2% e 14%, que deixa ainda 85% a 90% da população suscetível – o vírus está em nosso redor, circulando muito mais do que em janeiro e fevereiro. Não quero traçar um retrato de dia do juízo final, mas acho que temos de ser realistas. Agora não é o momento de relaxar completamente”, justificou.

A médica, ex-consultora do governo alemão, que dirige o ECDC desde 2017 refere que “uma segunda vaga desastrosa não é inevitável se as pessoas seguirem as regras e mantiverem o distanciamento”,

Contudo, Ammon, cujo trabalho no ECDC passa por detetar precocemente qualquer aumento de infeções e examinar as consequências, aponta que vê já menos determinação no cumprimento das regras pela população. “Especialmente agora quando se vê as infeções diminuírem, as pessoas pensam que acabou. O que não é definitivamente verdade.”

“Estamos a ver um certo desgaste nas pessoas”, diz, apontando há a pressão da “parte económica das pequenas e médias empresas”, mas também a “experiência das pessoas não poderem exercer todas as liberdades que normalmente possuem: ir aonde gostariam, estar com quem querem. E essa é uma mudança fundamental no nosso modo de vida normal”.

Questionada se os dados já evidenciam alguma tendência de novo pico, Andrea Ammon deu uma resposta cautelosa. “Ainda não. Talvez isso nunca aconteça, talvez todo o ajustamento das medidas seja feito de forma prudente. Isso é o que estamos a monitorizar de perto: o que está a acontecer agora depois de todas as medidas tomadas.”

Até esta quarta-feira, 158.134 pessoas morreram de Covid-19 na UE e no Reino Unido, Noruega, Liechtenstein e Islândia, de acordo com dados do ECDC para os países que a agência monitoriza. Neste espaço europeu, um total de 1.324.183 casos de infeção foram registados.

Foi a 26 de janeiro que o ECDC alertou os governos sobre o vírus que alastrava em Wuhan, na China, e ameaçava na Lombardia, no norte de Itália. Os governos “subestimaram, na minha opinião, a velocidade do contágio”. Aponta também que o regresso dos turistas das férias de esqui alpino na primeira semana de março foi um momento crucial na propagação de Covid-19 na Europa, a partir dos Alpes, na Itália e na Áustria. “São locais perfeitos para um vírus assim. Tenho certeza de que isso contribuiu para a ampla disseminação na Europa.”

As férias em 2020 nunca poderão ser iguais às do passado, avisa. É preciso manter as distâncias, a higiene. Andrea Ammon diz que a batalha contra o coronavírus será um longo caminho. “Não sei se é para sempre, mas acho que não desaparecerá muito rapidamente. Parece estar muito bem adaptado aos humanos.”

In – DN.

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