
Os consumidores têm vindo a deparar-se, há vários meses, com prateleiras parcialmente vazias na secção dos ovos dos supermercados. Um fenómeno que se agravou recentemente e que não deverá desaparecer a curto prazo, apesar de alguns sinais de melhoria nas próximas semanas.
O problema resulta de uma combinação de fatores. Por um lado, o consumo de ovos aumentou de forma significativa. Considerados uma proteína acessível, versátil e mais económica do que a carne, os ovos conquistaram um lugar central na alimentação dos franceses.
Por outro lado, a produção não consegue acompanhar este ritmo. Embora esteja a crescer, fá-lo de forma gradual. A instalação de novos produtores exige tempo: entre a criação de uma exploração e o momento em que esta atinge a plena capacidade de produção decorrem vários meses. Para responder à procura atual, o setor teria de integrar cerca de um milhão de galinhas poedeiras suplementares por ano, além das cerca de 47 milhões já existentes em França.
A situação é ainda mais complexa devido à profunda transformação em curso na fileira. O objetivo é abandonar progressivamente os sistemas de criação em gaiola e privilegiar a criação ao ar livre. Esta mudança implica investimentos pesados, nomeadamente na construção de novos aviários e na adaptação das infraestruturas, o que atrasa a resposta imediata à escassez.
As condições meteorológicas recentes vieram agravar um equilíbrio já frágil. A neve e as tempestades das últimas semanas perturbaram as cadeias logísticas, dificultando as entregas aos pontos de venda e provocando ruturas de stock em todas as grandes superfícies.
Rádio Alfa com France Info