França garante manifestação contra aumento de combustíveis mas sem bloqueios no país

Publié le 16 novembre 2018

O Governo francês garantirá a liberdade dos “coletes amarelos” para se manifestarem em todo o país, no sábado, contra o aumento dos preços dos combustíveis, mas “bloquear um país” não é “aceitável”, advertiu hoje o primeiro-ministro francês.

Estaremos muito atentos, muito focados, muito vigilantes para garantir que a liberdade de manifestação será respeitada, mas também que a liberdade de circulação seja garantida”, disse Édouard Philippe, durante uma viagem ao departamento de Essone.

“Podemos manifestar-nos, mas bloquear um país sabendo-se que os serviços de emergência podem precisar circular e para todos aqueles que precisam circular amanhã (sábado) não é, obviamente, aceitável”, declarou.

Os “coletes amarelos”, um coletivo surgido espontaneamente através das redes sociais, explicou que a principal razão para rejeitar os aumentos dos combustíveis é que nem todo o dinheiro arrecadado vai para a transição energética.

O primeiro-ministro disse que deve haver um “limite”, para que não se coloque em risco “a segurança dos que se manifestam ou daqueles que não desejam manifestar e querem circular livremente”.

Com o ministro da Transição Ecológica, François de Rugy, o chefe de governo deslocou-se hoje pela manhã a Linas-Montlhéry (Essonne), no local onde é verificada a conformidade dos veículos com as normas europeias, particularmente em termos de poluição.

Ambos os políticos participaram num teste de emissões de gases em laboratório.

“O que queremos não é restringir os franceses, não é dizer-lhes que fizeram uma escolha e agora pagam pelas consequências”, defendeu Philippe.

“É ao contrário, é acompanhá-los na transformação dos seus hábitos ou na aquisição de um novo veículo” menos poluente, disse.

Depois de vários aumentos sobre os combustíveis, que começaram durante os cinco anos do ex-Presidente François Hollande, o imposto aumentará novamente em vários cêntimos no dia 01 de janeiro.

Os apoios anunciados pelo Governo não pretendem atingir apenas os carros elétricos ou híbridos, mas também “o carro do dia a dia”, indicou Philippe.

O primeiro-ministro francês anunciou, na quarta-feira, um plano de 500 milhões de euros para a renovação do parque automóvel e das caldeiras de aquecimento para acalmar os protestos contra o aumento dos impostos dos combustíveis.

O Governo francês subiu este ano os preços dos combustíveis em 7,6 cêntimos por litro para o diesel e 3,9 cêntimos para gasolina. Em janeiro, haverá um aumento de seis e três cêntimos, respetivamente.

Alfa/Lusa/DN.


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