Giro2020. Ruben Guerreiro diz que tinha marcado o dia e quer manter camisola azul. João Almeida admite que “o pior ainda está para vir”

Publié le 12 octobre 2020

O ciclista português Ruben Guerreiro (Education First) assumiu que tinha marcado atacar na nona etapa da Volta a Itália, que ganhou, e que deseja manter a liderança da montanha.

 

(Photo by DARIO BELINGHERI / AFP)

 

 

Em declarações à agência Lusa, o ciclista do Montijo assumiu que este triunfo era há muito esperado e que por isso festejou tão intensamente, quando foi o primeiro a cortar a meta em Roccaraso, em 5:41.20 horas, 208 quilómetros após a saída de San Salvo.

“O festejo foi uma coisa de instinto, foi uma emoção muito forte. Há quatro anos que tentava uma vitória internacional. Já tinha sido campeão nacional e tinha tido vários segundos. Finalmente [ganhei] uma etapa numa grande volta, saiu tudo dentro de mim. Foi um festejo que nunca mais vou esquecer”, referiu.

Sobre a fuga, Guerreiro revelou que tentou “explorar ao máximo os companheiros de fuga, porque eles estavam muito fortes”.

“Sabia que tinha de esperar pela última subida, porque o vento estava de frente. Havia muitos bons contrarrelogistas e bons trepadores. Eu fiz um pouco ‘bluff’, mas o ciclismo é assim. No final soube bem a vitória”, afirmou.

Além da vitória, Ruben Guerreiro vestiu ainda a camisola azul, símbolo de líder do prémio da montanha, que quer manter até à derradeira etapa.

“Esta camisola é muito bonita e muito importante para os italianos. E porque não para os portugueses também? Espero conseguir [levar] esta camisola até Milão. O [Giovanni] Visconti é segundo, a seis pontos [são oito], vai ser difícil, mas sinto-me bem. Amanhã [segunda-feira] é o dia de descanso, vou recuperar energia e lutar por esta camisola”.

A chegada a Roccaraso foi histórica para o ciclismo português, uma vez que João Almeida (Deceuninck-QuickStep) manteve a liderança, que conquistou na terceira etapa.

 

Ruben Guerreiro assumiu que o ciclismo português “está muito bem representado” e tem um grande futuro.

“O João [Almeida] é um grande ciclista, temos também os gémeos [Ivo e Rui Oliveira]. Há alguns sub-23 que também podem dar alegrias. O Rui Costa também continua a ganhar e o Nelson [Oliveira] é um dos melhores contrarrelogistas do mundo. Estamos bem representados, porque não ambicionamos a ganhar qualquer corrida no calendário?”, questionou.

 

O ciclista português João Almeida reconheceu hoje que “o pior ainda está para vir” na Volta a Itália e manifestou alguma descrença na possibilidade de vencer o Giro, mas prometeu “aguentar mais uns dias” a camisola rosa.

 

 

“O pior ainda está para vir. A parte final é a mais dura. Serão etapas muito duras, com muito frio também e muitas subidas [a montanhas] cobertas de neve”, observou João Almeida, em conferência de imprensa realizada através da Internet.

O ciclista da Deceuninck-Quick Step, de 22 anos, quer “aguentar mais uns dias a camisola rosa”, símbolo de líder da prova, mas admitiu que não sabe “se isso será possível” até à chegada da última etapa, em 25 de outubro, em Milão, pois tudo dependerá da forma como reagir nas duas últimas semanas da competição.

“Gostava de manter a camisola rosa até lá, mas não sei se isso será possível. Sinceramente, não acredito muito nessa possibilidade [de vencer a Volta a Itália], mas temos de esperar para ver. Nunca disputei uma corrida tão longa, há gente com muito mais experiência do que eu e basta um dia mau para deitar tudo a perder”, assinalou.

Talvez por isso, é “muito bom ter um dia tranquilo e sem qualquer pressão” na liderança do Giro, como acontece hoje, o primeiro dos dois dias descanso para a edição de 2020, até porque a primeira semana foi disputada “em ritmo elevadíssimo, numa altura em que toda a gente está fresca”, acabando por se tornar também “muito dura”.

O facto de ter completado as últimas sete tiradas (entre a terceira e a nona) no topo da classificação geral individual, além da destinada ao prémio da juventude, não faz com que o ciclista natural das Caldas da Rainha se sinta “mais respeitado” pelas grandes figuras do pelotão internacional, mas isso pode ser apenas uma questão de tempo.

“Tendo em conta que só passou uma semana, olham para mim como alguém que tem capacidade. Mas como alguém que lhes deve causar preocupação na luta para vitoria? Ainda não. Se mantiver a camisola rosa durante mais uma semana, se calhar, vão pensar de forma diferente”, advertiu.

O detentor da camisola rosa “não fazia a mínima ideia” que poderia estar hoje a disputar uma das mais importantes provas velocipédicas mundiais, e muito menos a liderá-la, lembrando que era apenas um dos reservas da Deceuninck-Quick Step, tendo beneficiado das ausências do belga Remco Evenepoel, do holandês Fabio Jakobsen e do italiano Mattia Cattaneo.

João Almeida considerou que “todos os ciclistas que integram o ‘top10’ tem possibilidades de vencer o Giro de 2020, ainda que reconheça ao holandês Wilco Kelderman (Sunweb), segundo classificado, a 30 segundos da liderança, e ao dinamarquês Jakob Fuglsang (Astana), sexto, a 1.01 minutos, maiores possibilidades.

 

Esta Noite na Tribuna Desportiva, programa de desporto da Rádio Alfa, em destaque vai estar o Ciclismo. Um dos convidados será Acácio da Silva.

 

 

Com Agência Lusa.

 

 


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