Já recebeu o barrete e o anel: eis o 46º cardeal português. É um poeta e é madeirense

Publié le 5 octobre 2019

Já recebeu o barrete e o anel: eis o 46º cardeal português. José Tolentino de Mendonça já foi investido cardeal pelo Papa Francisco

Foto TIZIANA FABI

Alfa/Lusa/Expresso

José Tolentino de Mendonça, desde o ano passado arquivista e bibliotecária da Igreja Romana, recebeu já o barrete vermelho e o anel, que simbolizam a sua subida a cardeal. A cerimónia foi presidida pelo Papa Francisco.

Marcelo Rebelo de Sousa queria ter estado presente no evento, mas acabou por cancelar devido ao funeral de Diogo Freitas do Amaral. Contudo, fez uma nova nota da Presidência a congratular o novo cardeal.

46º CARDEAL PORTUGUÊS

O bispo Tolentino Mendonça foi investido cardeal numa cerimónia no Vaticano, tornando-se o sexto cardeal português deste século e no 46.º da História, a quem foi atribuída a igreja de São Jerónimo da Caridade, em Roma.

O arquivista e bibliotecário do Vaticano recebeu o anel e barrete cardinalícios, assim como a bula, numa cerimónia na Basílica de São Pedro, que começou às 16:00 locais (menos uma hora em Lisboa). Este foi o sexto consistório para a criação de cardeais de Francisco, cujo pontificado começou em março de 2013, depois da resignação do papa Bento XVI, no mês anterior.

Natural de Machico, Madeira, o futuro cardeal, poeta e estudioso da Bíblia, entrou no seminário aos 11 anos. Doutorado em Teologia Bíblica e antigo vice-reitor da UCP, é um nome de destaque da poesia portuguesa contemporânea, tendo já recebido vários prémios.

Tolentino Mendonça, de 53 anos, foi um dos 13 novos cardeais anunciados pelo papa Francisco em 1 de setembro.

MINISTRA DA JUSTIÇA PRESENTE, MARCELO REPETE CONGRATULAÇÃO

Dezenas de portugueses assistiram à cerimónia de investidura, incluindo a ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, em representação do Governo português, e o presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque.

Impedido de estar presente devido às cerimónias fúnebres de Freitas do Amaral, Marcelo Rebelo de Sousa fez uma nota no site da Presidência.

“Gostaria de estar presente no consistório em que recebe os sinais da sua nova condição, mas na impossibilidade de o fazer, envio ao novo Cardeal um cumprimento caloroso e amigo e os desejos de que continue a ser uma referência para tantos, católicos ou não, que lhe reconhecem o valor cultural e humano de quem é, como o próprio se definiu, ‘um facilitador de encontros’”, aponta a nota.

PAPA PEDE COMPAIXÃO

Juntamente com Tolentino Mendonça são também investidos um total de 13 cardeais, três não eleitores. Na lista estão Matteo Zuppi, arcebispo de Bolonha, Itália, da Comunidade de Sant’Egídio, um dos quatro mediadores do acordo de paz de 1992 em Moçambique, e Jean-Claude Höllerich, arcebispo do Luxemburgo, onde residem 95 mil portugueses, que são 15% da população do país.

Um dos cardeais não eleitores, por ter ultrapassado os 80 anos, é Eugenio Dal Corso, arcebispo emérito de Benguela, Angola.

Antes de entregar o barrete cardinalício e o anel, o papa criticou o “hábito da indiferença” e pediu aos novos cardeais compaixão, que definiu como “requisito essencial”.

“A disponibilidade de um purpurado para dar o seu próprio sangue — significado na cor vermelha das suas vestes — é certa, quando está enraizada nesta consciência de ter recebido compaixão e na capacidade de ter compaixão. Caso contrário, não se pode ser leal”, afirmou Francisco.

O líder da Igreja Católica disse ainda que “muitos comportamentos desleais de homens da Igreja dependem da falta deste sentimento da compaixão recebida e do hábito de passar ao largo, do hábito da indiferença”.

TRÊS CARDEAIS ELEITORES (E ELEGÍVEIS) NACIONAIS

Tolentino Mendonça junta-se ao cardeal-patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, e ao bispo da Diocese de Leiria-Fátima, António Marto, como cardeais eleitores – e também podem ser eleitos – num futuro conclave para escolher o sucessor de Francisco, de 82 anos.

No Colégio Cardinalício, que tem por missão apoiar o Papa, estão mais dois portugueses que, por terem mais de 80 anos, não participam no conclave: Monteiro de Castro, de 81 anos, que foi penitenciário-mor da Santa Sé e teve uma vasta experiência diplomática ao serviço do Vaticano.

Já Saraiva Martins, de 87 anos, foi secretário da Congregação para a Educação Católica e depois prefeito da Congregação para as Causas dos Santos. Foi criado cardeal por João Paulo II (1920-2005), no mesmo dia do ex-cardeal-patriarca de Lisboa José Policarpo (1936-2014).

Portugal teve um papa, João XXI, cujo pontificado começou em setembro de 1276 e terminou em maio de 1277. Morreu na sequência de um acidente na Catedral de Viterbo, Itália, cujas obras acompanhava. Está aí sepultado. Natural de Lisboa, Pedro Julião ou Pedro Hispano era designado no seu tempo como filósofo, teólogo, cientista e médico.


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