
A entrevista recente de José Dias Fernandes ao LusoJornal revelou um retrato amargo de um deputado que parece ter passado pelo Parlamento sem deixar marca significativa.
A entrevista de balanço concedida por José Dias Fernandes ao LusoJornal é, na verdade, um compêndio de lamentações. O deputado do Chega eleito pelo círculo eleitoral da emigração queixou-se de que os seus projetos não avançaram, que foram bloqueados por outros partidos e que a legislatura terminou antes que pudesse realizar algo de concreto.
Apesar de afirmar que trabalhou em projetos como o « ensino da língua portuguesa para todos os lusodescendentes, a representatividade ou o voto eletrónico », José Dias Fernandes admitiu, num discurso derrotista, que não conseguiu avançar em nada.
O deputado critica também a posição de alguns colegas do Chega: « eu digo, mesmo dentro do nosso partido, há lá gente que, para eles os emigrantes não existem, não contam ».
No final da entrevista a Carlos Perreira, Fernandes admitiu estar desiludido e incerto sobre o seu futuro político. « Olhe, eu não ando atrás de títulos nem de prestígio. Quem decide é sempre o Chefe, neste caso é o André Ventura. Não sou candidato a nada e eles sabem disso », disse, entregando o seu compromisso com os emigrantes que o elegeram nas mãos do partido. José Dias Fernandes acaba por admitir: « O partido decide estas coisas sempre em último. Eu também gostaria de saber, para saber quem é que vou ajudar. Isto não depende de mim, eu, dentro partido, sou uma pessoa pequenina, sou um puro elemento que representa os emigrantes ».
Relembre-se, as eleições legislativas antecipadas vão realizar-se a 18 de maio, na sequência da crise política que levou à demissão do Governo PSD/CDS-PP. Segundo um comunicado divulgado na página da Presidência da República, o Conselho de Estado « deu parecer favorável, por unanimidade, para efeitos da alínea a) do artigo 145.º da Constituição, à dissolução da Assembleia da República ». « O Presidente da República decidiu, assim, depois de ouvir os partidos políticos nela representados e do parecer do Conselho de Estado, que irá dissolver a Assembleia da República e marcar as eleições para o dia 18 de maio de 2025 », lê-se.
Rádio Alfa (entrevista Lusojornal)