
Manifestantes que desde sábado protestam a crise da habitação na Praça D. João I, no Porto, ocuparam hoje as ruas adjacentes e instalaram-se enfrente à Câmara do Porto, durante a concentração após carga policial nesta madrugada.
Pelas 21:40 (de Paris), centenas de manifestantes saíram da Praça D. João I, onde uma acampada foi montada no sábado, para ocuparem parte da Rua Passos Manuel, seguindo pelas ruas que rodeiam a praça até à porta do edifício da autarquia, onde subiram a rampa até à porta e ocuparam os degraus junto a um letreiro turístico.
A polícia no local assiste, para já, sem intervir, enquanto os manifestantes parecem percorrer as ruas adjacentes à praça, que fica próxima da Câmara do Porto.
O movimento pela habitação que tem protestado no Porto denunciou hoje uma carga policial, esta madrugada, que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave.
De acordo com o movimento, entre os feridos está uma pessoa com deficiência e vários participantes na concentração foram hospitalizados.
Os participantes voltaram a instalar tendas durante a noite, que foram retiradas pela polícia, depois de o presidente da Câmara do Porto ter dito na quarta-feira que seria «absolutamente implacável com qualquer tentativa de colocação de tendas» na Praça D. João I».
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O movimento apresenta seis reivindicações principais: «abaixo a lei das rendas; fim dos despejos; fim da compra de imóveis por fundos abutres; mais habitação pública; recuperação de imóveis devolutos para habitação; tetos às rendas».
Na nota de hoje, o movimento «denuncia veementemente o uso de força extrema, desproporcional e injustificada durante a intervenção policial na acampada, que se manteve, desde o primeiro momento, pacífica, sem nunca incitar à violência», considerando a carga «inaceitável» e pedindo responsabilidades.
A PSP confirmou entretanto um polícia ferido e a existência de feridos entre os manifestantes, sem precisar quantos, atribuindo a razão da intervenção a «comportamentos de resistência».
O presidente da Câmara do Porto disse hoje que a PSP se viu «forçada» a atuar, perante a atitude dos manifestantes, tendo lamentado o incidente.
Na quarta-feira, numa assembleia popular, as pessoas votaram por manter o protesto e voltar a dormir em tendas, manifestando o grupo vontade de «continuar a crescer e não só no Porto», apelando a outras cidades, como o que já está convocado para Lisboa no sábado.
Na segunda-feira, a Polícia Municipal retirou cerca de 50 tendas que estavam armadas na praça, fundamentando a câmara que o acampamento ocupava indevidamente o espaço público, levando os manifestantes a dormir ao relento, mantendo o protesto mesmo sem isso.
Com Agência Lusa.
Pedro Abrunhosa e Bordalo II colocam-se do lado dos manifestantes no Porto
Bordalo II publicou um vídeo com a instalação de uma placa com a inscrição ‘Vende-se’ frente à Câmara Municipal e que entretanto já foi retirada.
O cantor portuense e o artista plástico manifestaram esta quinta-feira, através de texto e vídeo, apoio aos manifestantes que contestam nas ruas do Porto as políticas de habitação do Governo e também a carga policial de que foi alvo um grupo esta madrugada com resultado de dezenas de feridos, dois deles em estado grave.