Marcelo vê na harmonia entre espécies no Oceanário “um bom retrato” da política portuguesa

Publié le 22 mai 2020

Alfa/Lusa

O Presidente da República considerou esta quinta-feira que a harmonia entre espécies no Oceanário de Lisboa “é um bom retrato” da realidade política portuguesa atual, com “unidade no diálogo e unidade tendencialmente na ação” face à covid-19.

 

Nuno Fox/Lusa

 

Marcelo Rebelo de Sousa falava aos jornalistas no final de uma visita ao Oceanário de Lisboa que durou cerca de duas horas e meia, durante a qual se mostrou curioso com o convívio entre espécies de oceanos diferentes e ouviu explicações sobre os equilíbrios e hierarquias nos aquários, ficando a saber que neste caso quem manda é uma garoupa que comeu um tubarão.

Sem querer comentar diretamente a opinião do ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, de que a sua personalidade e a do primeiro-ministro, António Costa, “combinam harmoniosamente”, o chefe de Estado preferiu falar em termos mais gerais, numa “unidade” em que incluiu também o presidente do PSD, Rui Rio, e a restante oposição.

“Eu acho que o Oceanário é um bom retrato daquilo que tem sido o enfrentar da pandemia nos últimos meses: a harmonia entre Presidente da República, presidente da Assembleia da República, primeiro-ministro, Governo, líder da oposição, partidos da oposição, em sessões epidemiológicas, no debate franco e na aprendizagem de um caminho comum”, declarou.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, “tem havido ao longo dos meses essa harmonia e essa unidade, unidade no diálogo e unidade tendencialmente na ação”, e isso é algo “que os portugueses respeitam e louvam, porque obviamente para vencer a pandemia é muito importante esta unidade”.

“Só assim foi possível pôr de pé o estado de emergência pela primeira vez na democracia portuguesa, renová-lo por duas vezes e continuar agora, numa diversa situação jurídica, o combate a uma pandemia que não desapareceu, que continua presente na vida de todos nós e que nós queremos que seja controlada ao mesmo tempo que abrimos a economia e a sociedade”, defendeu.

Interrogado se entende que o ministro de Estado e das Finanças, Mário Centeno, está neste momento fragilizado, o Presidente da República respondeu que “não formula juízos sobre a realidade governativa, a não ser para dizer que, neste momento em que há um combate conjunto à pandemia, a convergência do maior número é fundamental”.

O chefe de Estado pediu que no futuro próximo se mantenha “diálogo entre os protagonistas políticos” sobre o “combate que já começou à crise económica e social”.

“E o mesmo quanto à realidade europeia: quanto maior for o consenso em Portugal, que tem havido, ao longo de décadas, em torno da realidade europeia, melhor, porque boa parte da solução desta crise passa pela União Europeia, passa pela Europa”, acrescentou.

No interior do aquário, Marcelo Rebelo de Sousa viu um polvo que descreveu como “dissimulado” e um pinguim de 30 anos, no limite da esperança de vida, que pediu que fosse “tratado com carinho” pois “pertence ao grupo de risco”.

Ao passar por um cherne, observou: “Nunca percebi bem por que é que as pessoas têm esse sentido pejorativo ligado ao cherne. O cherne é um peixe bonito”.

“É um peixe muito dócil”, retorquiu o presidente do conselho de administração do Oceanário, João Falcato, e o Presidente da República concordou: “Dócil, é”.

O chefe de Estado ouviu João Falcato contar a história da garoupa gigante que “é chefe do aquário” e que no tempo da Expo98 “resolveu comer com um tubarão, ficar com a cauda de fora e mostrar a toda a gente quem é que mandava”, e explicar-lhe que “as garoupas nascem todas fêmeas e transformam-se em machos”.

“Vai-se aprendendo”, comentou o Presidente da República, que ficou ainda a saber que “não são só os tubarões, há uma série de peixes que hoje se sabe que, quando há necessidade, conseguem reproduzir-se sem a presença de um macho”.


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