Medidas de Macron vão levar a um défice excessivo em 2019

Publié le 11 décembre 2018

O lote de medidas anunciadas pelo presidente e pelo primeiro-ministro franceses em resposta às exigências do movimento dos “coletes amarelos” implica um défice de 3,5% do PIB no próximo ano, segundo as contas do economista Eric Dor, diretor de estudos económicos na Escola de Gestão de Lille, em França.

 

Alfa/Expresso. Por Jorge Nascimento Rodrigues

“As novas medidas anunciadas pelo presidente Macron vão levar o défice público de França para os 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019. Com a incerteza de como estas medidas vão ser compensadas, o défice vai certamente ultrapassar o critério do Pacto de Estabilidade”, refere Eric Dor, diretor de estudos económicos na Escola de Gestão de Lille, em França. O economista estima que o lote de medidas anunciadas na segunda-feira à noite pelo presidente francês, em resposta às exigências do movimento dos “coletes amarelos”, vai custar entre 10 e 12 mil milhões de euros.

Macron anunciou um aumento do salário mínimo mensal em 100 euros a partir de 1 de janeiro – que está, em valor bruto, em 1498,47 euros -, a isenção de impostos e de contribuições para as horas extraordinárias e uma redução da contribuição (CSG) para as reformas abaixo de €2000 euros. O primeiro-ministro Edouard Philippe já tinha anunciado anteriormente que o governo retirou do orçamento para 2019 o aumento dos impostos sobre os combustíveis e que tinha suspendido a subida das taxas da eletricidade e do gás. O governo tinha anunciado, inicialmente, que apenas adiava por seis meses a aplicação da subida de impostos sobre os combustíveis, mas, depois, recuou totalmente na medida prevista para 2019 que originou o movimento dos “coletes amarelos”.

As contas de Dor abrangem todo o pacote. “O governo diz que pretende evitar uma degradação do défice orçamental e compensar as medidas anunciadas com poupanças no gasto público, que serão detalhadas em breve. Mas é bastante irrealista”, sublinha o economista francês. “Mesmo o objetivo de um défice de 2,8% do PIB inscrito no orçamento para 2019 é incerto, pois se baseia numa taxa de crescimento da economia francesa de 1,7% no próximo ano. O que é realista é estimar um crescimento de 1,4% em 2019, o que, desde logo, sobe o défice para 2,95%”, conclui o professor de Lille.

Recorde-se que Bruxelas considerou que o orçamento para 2019 apresentado por França em outubro – tal como nos casos da Bélgica, Eslovénia, Espanha e Portugal – corre o risco de incumprimento das regras europeias. No caso do orçamento apresentado por Itália, a Comissão Europeia considerou tratar-se de “um caso particularmente grave de incumprimento.

Nas primeira reações ouvidas da parte de participantes do movimento dos “coletes amarelos”, as opiniões dividiam-se entre admitir que os anúncios no discurso televisivo por parte do presidente eram “um começo de compreensão” e achar que se tratavam de “meias medidas”.


Opinions des lecteurs

Laisser un commentaire


Rádio Alfa FM 98.6 Paris (On Air)

La radio de la lusophonie et des échanges interculturels de toute l'île de France

Piste actuelle
TITRE
ARTISTE

Background