Morreu o antigo primeiro-ministro francês Lionel Jospin aos 88 anos

Antigo primeiro-ministro francês Lionel Jospin, chefe de executivo entre 1997 e 2002, morreu hoje aos 88 anos.

O antigo primeiro-ministro francês Lionel Jospin, chefe de executivo entre 1997 e 2002, morreu aos 88 anos de idade, informou a família do socialista à agência de noticias francesa AFP.

Lionel Jospin faleceu a 22 de março, aos 88 anos. Tinha indicado, em janeiro passado, ter sido submetido a « uma operação séria », sem divulgar pormenores. Figura maior do Parti socialiste, deixa a imagem de um dirigente reformista.

Na juventude, Lionel Jospin militou inicialmente entre os trotskistas, chegando a integrar a corrente lambertista da Organização Comunista Internacionalista. Um passado de extrema-esquerda que tentou ocultar, mas que foi revelado por uma investigação do Le Monde em 2001.

Notado por François Mitterrand, sucedeu-lhe no Partido Socialista e tornou-se secretário nacional (1973-1981) e depois primeiro secretário (1981-1988). Em paralelo, foi deputado por Paris e, posteriormente, pela Haute-Garonne entre 1981 e 1997, tendo também exercido funções no Parlamento Europeu entre 1984 e 1988.

Após a reeleição de François Mitterrand em 1988, desempenhou funções ministeriais em dois governos sucessivos: primeiro como ministro da Educação Nacional, da Investigação e dos Desportos no governo de Michel Rocard até 1991, e depois no de Édith Cresson até abril de 1992.

A sua carreira conhece um ponto de viragem na aproximação das eleições presidenciais de 1995, quando Jacques Delors renuncia à candidatura. Lionel Jospin torna-se então o candidato do Partido Socialista. Jacques Chirac é eleito com 52,64 % dos votos, e Jospin volta a assumir a liderança do PS.

Dois anos mais tarde, a dissolução da Assembleia Nacional abre-lhe uma nova oportunidade. Graças à união da esquerda plural, esta vence as eleições legislativas de 1997. Recebido no Eliseu logo após os resultados, Lionel Jospin anuncia, no próprio perron do palácio, a sua nomeação como primeiro-ministro por Jacques Chirac. Inicia-se assim a mais longa coabitação e o mais longo governo da V República. Inicialmente pacífica, esta coabitação torna-se mais tensa à medida que se aproxima a eleição presidencial de 2002. Após um segundo fracasso, eliminado logo na primeira volta (ultrapassado por Jean-Marie Le Pen, da Frente Nacional), Lionel Jospin retira-se definitivamente da vida pública: « Tiro daí as conclusões, retirando-me da vida política. »

Desde o desaparecimento daquele que se definia como « um rígido que evolui, um austero que se diverte e um protestante ateu », multiplicam-se as homenagens. François Hollande declarou no jornal das 20h da France 2: « Lionel Jospin era uma orientação: o realismo de esquerda. Conciliar as realidades económicas com a realidade social ». Prestando homenagem à « encarnação » de « uma certa ideia da esquerda », saudou também « um rigor moral », acrescentando que « a esquerda precisa de uma ética, talvez ainda mais do que outras formações políticas ».

Didier Caramalho

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