Morte de Lourdes Castro. Marcelo e Costa evocam a grande artista plástica, que viveu em Paris até aos anos 1980

(Foto de abertura, Lourdes Castro com Daniel Ribeiro, autor deste artigo, numa recente exposição privada em Paris, a sua última na capital francesa)

Morreu ontem na Madeira, de onde era natural, a artista plástica Lourdes Castro, uma das mais importantes da arte portuguesa contemporânea. Viveu até ao início dos anos 1980 em Paris, de onde partiu então para a Madeira. Tinha 91 anos.

 

Deixa uma obra marcada pelas sombras e a luz e também pela natureza. Era uma mulher simples, notável e extradordinária, com uma obra a um tempo complexa e inovadora. A vida dela confundia-se com a sua arte, constituiam como que um todo. Ficámos amigos desde que a encontrei na capital francesa pouco antes de ela partir para a ilha da Madeira.

 

Depois da triste notícia, o Presidente Marcelo escreveu que se trata de « uma das mais inconfundíveis artistas portuguesas”.
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“Nascida na Madeira, Lourdes Castro estudou Belas-Artes em Lisboa, casou-se com René Bertholo e viveu em Munique, Berlim e Paris. Em 1958, fundou a revista KWY, e essas três letras do alfabeto, pouco habituais em português, anunciavam todo um programa cosmopolita, desalinhado e moderno”, recorda a nota publicada pelo Presidente da República.

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Já o primeiro-ministro, António Costa, escreveu: “Artista singular e surpreendente, Lourdes Castro sempre se guiou por uma liberdade jovial e pela busca de uma arte da vida. Em 2019, inaugurámos nos jardins de São Bento um painel de azulejos figurando uma das suas sombras projetadas. A sua morte deixa uma enorme tristeza”. linkedin sharing button

A artista madeirense foi galardoada com a Medalha de Mérito da Cultura em 2020 pelo « contributo incontestável » para a cultura portuguesa.

Nascida em 1930 no Funchal, ilha da Madeira, Lourdes Castro estudou pintura na Escola Superior de Belas Artes, em Lisboa, e viveu na Alemanha e em França, onde foi uma das fundadoras da revista “KWY”, um título composto por três letras que não existiam, na época, no alfabeto português.

Há obras dela espalhadas por diversos países, em coleções públicas e privadas, incluindo, naturalmente, Portugal e França.

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