
Apesar de o princípio da igualdade entre homens e mulheres ser amplamente aceite em França, a presença feminina na liderança das autarquias continua bastante reduzida. Atualmente, apenas cerca de 20% dos presidentes de câmara são mulheres, segundo um estudo recente realizado pelo instituto de sondagens Ipsos em parceria com a BVA e o CESI École d’Ingénieurs.
O mesmo estudo indica que 45% dos franceses gostariam de ver mais mulheres à frente das câmaras municipais. Um quarto dos inquiridos considera que o número atual é suficiente, enquanto outro quarto afirma que o género do presidente de câmara não é relevante.
Apesar dessa vontade expressa por uma parte significativa da população, a evolução nas candidaturas femininas continua lenta. Para as eleições municipais de 2026, apenas 24% das listas são lideradas por mulheres, um aumento de apenas um ponto percentual em comparação com 2020. Isto acontece mesmo existindo a obrigação legal de apresentar listas paritárias.
A presença feminina à cabeça das listas varia também consoante o posicionamento político. As listas da extrema-esquerda apresentam a maior proporção de candidatas (40,9%), seguidas pelas listas de esquerda (30,2%). Já nos partidos de direita e de extrema-direita a percentagem de mulheres candidatas à liderança das listas é mais baixa.
Outro dado interessante do estudo revela que quanto maior é a população das cidades, maior tende a ser a presença de mulheres como cabeças de lista. Ainda assim, a paridade nunca é atingida.
Perceções diferentes sobre a liderança
A opinião pública francesa está dividida quanto à forma como homens e mulheres exercem o poder local. Cerca de 43% dos inquiridos acreditam que existem diferenças na forma de governar. Entre as perceções mais comuns está a ideia de que as mulheres têm maior capacidade para formar equipas competentes, enquanto os homens são mais frequentemente vistos como mais honestos.
Apesar de a grande maioria dos homens rejeitar a ideia de que as mulheres sejam menos competentes para exercer cargos políticos (85%), esse número desce para 79% entre os homens com menos de 35 anos. O estudo revela ainda que 17% destes jovens homens dizem sentir alguma resistência em votar numa lista liderada por uma mulher, uma percentagem superior à média masculina geral (9%).
Persistência de ideias feitas
Os resultados mostram também que muitas pessoas atribuem a sub-representação feminina a fatores individuais. Cerca de três quartos dos inquiridos acreditam que as mulheres não se lançam na política com a mesma frequência que os homens. Além disso, 39% consideram que elas se interessam menos pela política.
Por outro lado, uma percentagem semelhante da população não vê o sistema político como um obstáculo significativo à presença feminina, o que revela, segundo os autores do estudo, uma fraca perceção das barreiras estruturais que continuam a existir.
O inquérito foi realizado entre 6 e 10 de março de 2026 junto de uma amostra representativa de mil pessoas em idade de votar em França.
Com Agências e Le Parisien.