Navalny/Envenenamento: Londres pede « verdade » à Rússia, EUA « perturbados » e França chocada

Vaga de indignação no mundo depois das revelações de Berlim sobre o caso Navalny, principal dirigente da oposição a Vladimir Putin, na Rússia. Londres pede « verdade » à Rússia, EUA « perturbados » e França chocada. « É absolutamente inaceitável que esta arma química proibida tenha sido novamente utilizada », declarou o chefe da diplomacia britânica, Dominic Raab. União europeia pede que caso siga para a justiça, NATO pede investigação ao crime.

 

Alfa/com Lusa e outros media

Von der Leyen, Presidente da Comissão Europeia, exigiu responsabilidades por « ato desprezível e cobarde ».

« Fui informada pela chanceler (alemã) Angela Merkel que o líder da oposição russa Navalny foi atacado com um agente neurotóxico, no seu próprio país. Isto é um ato desprezível e cobarde », condenou a líder do executivo comunitário numa publicação feita na rede social Twitter. Von der Leyen exigiu: « Os culpados têm de ser levados à justiça ».

Pelo seu lado, a NATO afirmou que o resultado do teste a Navalny torna mais urgente investigação transparente da Rússia. Organização garante que vai consultar a Alemanha e todos os aliados sobre as implicações do caso na defesa mundial.

O Reino Unido pediu à Rússia para « dizer a verdade » sobre o caso do opositor russo Alexei Navalny, envenenado segundo Berlim com um agente neurotóxico tipo Novichok, considerando « absolutamente inaceitável » o uso de uma « arma química proibida ».

« É absolutamente inaceitável que esta arma química proibida tenha sido novamente utilizada », declarou o chefe da diplomacia britânica, Dominic Raab, numa referência ao caso de Sergei Skripal, um ex-espião russo, e da sua filha Yulia que foram envenenados em 2018 no Reino Unido com este tipo de agente neurotóxico, caso que provocou uma crise diplomática entre Londres e Moscovo, que negou então qualquer responsabilidade.

« O Governo russo tem um caso concreto para responder. Deve dizer a verdade sobre o que aconteceu ao senhor Navalny », frisou o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, indicando que Londres irá trabalhar em estreita colaboração com a Alemanha, com os seus aliados e parceiros internacionais « para demonstrar que há consequências para o uso de armas químicas proibidas em qualquer lugar do mundo ».

E reforçou: « Estou profundamente preocupado (…) E mais uma vez vemos a violência dirigida contra uma importante figura da oposição russa ».

A Presidência dos Estados Unidos (Casa Branca), numa outra reação internacional aos resultados dos testes conduzidos por um laboratório militar alemão especializado em farmacologia e toxicologia, divulgados pelo Governo alemão e que confirmam a presença de um agente neurotóxico da era soviética no organismo de Navalny, afirmou estar « muito perturbada » com tais conclusões.

« Os Estados Unidos estão muito perturbados com os resultados hoje anunciados. O envenenamento de Alexei Navalny é um ato absolutamente condenável », reagiu, por sua vez, o Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca.

Na mesma nota, a Presidência norte-americana lembra que a Rússia « já usou no passado o agente neurotóxico Novichok », declarando que Washington irá trabalhar com os seus aliados « para que os responsáveis na Rússia sejam responsabilizados » por tal ação.

Também França reagiu ao anúncio feito hoje por Berlim, condenando « a utilização chocante e irresponsável » deste agente neurotóxico.

« Quero condenar nos termos mais veementes o uso chocante e irresponsável de tal agente », disse o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Yves Le Drian, num comunicado.

Segundo o chefe da diplomacia francesa, existem « interrogações fortes » e « é da responsabilidade das autoridades russas respondê-las ».

O executivo alemão anunciou ontem que testes realizados num laboratório militar mostraram evidências da presença de « um agente químico nervoso do grupo Novichok » no organismo de Navalny, que se encontra atualmente internado em Berlim.

Principal opositor do Presidente russo, Vladimir Putin, conhecido pelas investigações anticorrupção a membros da elite russa, Alexei Navalny, 44 anos, está internado, em coma, desde 20 de agosto.

O político sentiu-se mal durante um voo de regresso a Moscovo, após uma deslocação à Sibéria.

Foi primeiro internado num hospital de Omsk, na Sibéria, tendo sido transferido, posteriormente, para o hospital universitário Charité, em Berlim.

Na semana passada, os médicos alemães indicaram que Navalny apresentava indícios de ter sido envenenado por « uma substância do grupo dos inibidores de colinesterase », substâncias estas que podem ser encontradas em medicamentos, mas também em inseticidas e em agentes nervosos, sem conseguirem precisar qual.

O hospital pediu a colaboração do laboratório militar de farmacologia e toxicologia de Munique (Baviera), no qual trabalham os maiores especialistas alemães em substâncias tóxicas e agentes químicos. O Kremlin (Presidência russa) considerou então as conclusões avançadas sobre este caso como « precipitadas ».

O Novichok integra um grupo particularmente perigoso de agentes neurotóxicos russos que foram proibidos, em 2019, pela Organização para a Interdição das Armas Químicas (OIAC). A conceção deste tipo de agente neurotóxico por cientistas soviéticos remonta aos anos 1970 e 1980, as últimas décadas da Guerra Fria.

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