
Durante anos, falar de cangurus na floresta de Rambouillet parecia coisa de imaginação fértil ou de histórias exageradas. No entanto, a presença destes animais é bem real.
Em 2015, estimava-se que cerca de 150 wallabies vivessem em liberdade na floresta de Rambouillet, a pouco mais de uma hora de Paris. Mais pequenos e escuros do que os cangurus australianos, estes animais eram frequentemente confundidos com corços. “Têm praticamente o mesmo pelo”, explica um caçador local. “Só quando saltam é que percebemos que não são cervídeos.” Durante muito tempo, quem os via hesitava em falar, receando não ser levado a sério.
A origem destes marsupiais remonta aos anos 1970. Nunca passaram pela Tasmânia: vieram diretamente do jardim zoológico de Basileia, na Suíça. O então diretor do zoo ofereceu sete wallabies a um amigo, René Jamous, proprietário de um parque zoológico privado no município de Émancé. Pouco interessado em marsupiais, que considerava animais banais e pouco inteligentes, Jamous aceitou ainda assim o presente. Mas não demorou para que os wallabies escapassem.
Ninguém sabe ao certo quantos fugiram. “Nunca os contámos, nem sequer os declararam oficialmente”, admite Xavier de la Baume, antigo responsável ligado ao parque. Em liberdade, os animais adaptaram-se rapidamente. O clima temperado da região favoreceu a sua reprodução e a bolsa marsupial protegia as crias dos predadores naturais. A população cresceu a tal ponto que os acidentes rodoviários envolvendo wallabies se tornaram frequentes, levando a câmara municipal de Émancé a emitir certificados que confirmavam a sua presença, já que muitas seguradoras se recusavam a acreditar nos relatos dos automobilistas.
É importante salientar que estes cangurus não constituem uma espécie autóctone em França e que a sua presença pode provocar danos significativos no ambiente local, ao perturbar o equilíbrio ecológico. Podem igualmente representar uma ameaça para outras espécies animais que habitam a reserva natural. Por essa razão, as autoridades da Floresta de Rambouillet trabalham em estreita colaboração com especialistas em fauna selvagem, com o objetivo de acompanhar a população de cangurus e gerir os potenciais impactos ambientais.
Rádio Alfa