Portugueses radicados em França não irão a Portugal – Padre Nuno Aurélio

Publié le 3 avril 2020

Portugueses radicados em França não irão a Portugal. Reitor do Santuário de Nossa Senhora de Fátima em Paris considera “impossível” sair de França nesta altura (Rádio Renascença).

Foto: sanctuaire-fatima.com
Foto: sanctuaire-fatima.com

O apelo do Governo para que os emigrantes portugueses permaneçam nos países onde trabalham não será difícil de respeitar em França. As restrições à circulação impostas pela autoridades francesas são de tal ordem que planear uma vinda a Portugal para passar a Páscoa seria uma missão impossível, na opinião do reitor do Santuário de Nossa Senhora de Fátima em Paris.

“É impossível”, diz à Renascença o padre Nuno Aurélio, prosseguindo: “Não há voos e nas estradas as viaturas são controladas; se alguém disser que vai para Portugal para fugir disto, recebe ordem para voltar imediatamente para casa. Neste momento, a coisa está muito mais séria e o Governo já disse que ninguém vai de férias para lado nenhum.”

Foi talvez prevendo este cenário que alguns emigrantes anteciparam o regresso a Portugal, há duas ou três semanas. “Ainda ontem soube que, quando foi comunicado o confinamento, uma família tinha como que fugido daqui para Portugal, porque aí se podia trabalhar e aqui a laboração das empresas e a atividade económica está muito reduzida”, revela o reitor.

O padre Nuno Aurélio observa ténues sinais positivos para alguns portugueses emigrados em França: “Já houve alguns, sobretudo ligados à construção civil, que regressaram ao trabalho, mas estamos ainda no ponto de ver no que é que isto vai dar.”

Portugueses contagiados e muita fé no futuro

“Tenho notícia de portugueses contagiados, alguns já em recuperação, outros ainda no início da doença, com teste positivo. Números não consigo dar, sei de alguns casos porque são pessoas mais próximas aqui da comunidade e que costumavam vir à igreja”, diz o reitor do santuário mariano parisiense, que dá conta da forma como a sua comunidade tem lidado com atual contexto de isolamento.

“A nossa preocupação tem sido acompanhar as famílias, sobretudo aqueles que costumam ter filhos na catequese. É através dos catequistas que chegamos às famílias, dando-lhes algum apoio espiritual, porque este combate tem que ser feito também na dimensão espiritual da pessoa, para reforçar o ânimo”.

A igreja de Nossa Senhora de Fátima em Paris está aberta, embora não haja culto público, dado que a circulação não é permitida a não ser em casos justificados, como seja o das exéquias, que se mantêm. Tal como em Portugal, o momento é para ficar em casa.

“Ninguém se vê, as conversas são à distância. A comunidade portuguesa que vive mais dispersa tem habitualmente o seu ponto de encontro físico nas associações e nas comunidades católicas que ainda permanecem; penso que num primeiro momento terão necessidade de reencontro”, assinala o padre Nuno Aurélio, que deixa uma mensagem de fé num futuro melhor.

“Espero que saiamos disto purificados, se calhar mais convencidos de que não basta ganhar dinheiro e ter coisas; perceber que é preciso ter sentido para a vida e uma relação mais profunda com os outros. Tenho a esperança que no meio deste mal, com a ajuda de Deus, como nos diz São Paulo, possamos tirar algum bem” acentua, antes de concluir com um “bon courage”, como se diz em França.


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