Produção de pera rocha com quebra até 25% por causa do calor

Publié le 27 août 2018

A colheita da pera rocha, que esta segunda-feira começa para a maioria dos produtores, mobiliza mais de 50 mil trabalhadores.

Foto: Henriques da Cunha / Slideshow / Global Imagens

A produção de pera rocha deste ano, cuja colheita começa esta segunda-feira, arranca com quebras entre 15 e 25% devido ao calor deste mês, devendo ficar entre as 180 a 190 mil toneladas, abaixo 210 mil anteriores, estimou a associação do setor.

“Tínhamos uma previsão de quebra de 9% em relação à colheita anterior”, mas o calor mudou tudo, afirmou à agência Lusa Domingos dos Santos, presidente da Associação Nacional dos Produtores de Pera Rocha (ANP), que representa o setor.

O responsável explicou que “o calor queimou a fruta que estava mais exposta ao sol e essa ficou logo incapaz de ser comercializada”. Além disso, o “choque de calor criou um choque térmico tão elevado que veio atrasar o crescimento da fruta”, afirmou.

 

 

Os produtores temem que o crescimento da fruta possa ter estagnado e que, por isso, comece a amadurecer mais cedo, ficando em calibres mais pequenos e reduzindo a quantidade da produção, que deverá situar-se entre as 180 e as 190 mil toneladas, abaixo das 210 mil da campanha anterior.

A colheita, que hoje começa para a maioria dos produtores, mobiliza mais de 50 mil trabalhadores.

O setor tem vindo a ter mais dificuldades em conseguir contratar mão-de-obra sazonal, não só pelo atraso no arranque da campanha face ao aproximar do fim das férias dos estudantes, mas também pela “carga burocrática” existente.

A alternativa passa por recrutar trabalhadores estrangeiros, avança o responsável da ANP. “Como a colheita dos frutos vermelhos foi na primavera, alguns desses trabalhadores vêm para a pera rocha e para as vindimas. Temos trabalhadores africanos e asiáticos, nomeadamente da Tailândia, Bangladesh, Nepal e da antiga Birmânia (Myanmar)”, disse.

Contudo, explicou o dirigente, o processo junto do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras demora seis ou sete meses.

 

 

Das 210 mil toneladas produzidas na campanha anterior, o setor exportou 92 mil, acima das 54 mil da campanha de 2016/2017, e faturou 80 milhões de euros.

“A valorização ficou muito aquém das expectativas por diversos fatores, entre eles o excesso de frutas nos mercados e falta de organização da produção do setor, que acaba por não conseguir preços mais rentáveis”, justificou.

Brasil, Reino Unido, Marrocos, França e Alemanha são os cinco principais mercados de destino desta fruta.

A ANP possui cinco mil produtores associados, com uma área de produção de 11 mil hectares.

A pera rocha é produzida (99%) nos concelhos entre Mafra e Leiria, sendo os de maior produção os do Cadaval e Bombarral.

A pera rocha do Oeste possui Denominação de Origem Protegida, um reconhecimento da qualidade do fruto português por parte da União Europeia.

 

Alfa/Lusa


Opinions des lecteurs

Laisser un commentaire


Rádio Alfa FM 98.6 Paris (On Air)

La radio de la lusophonie et des échanges interculturels de toute l'île de France

Piste actuelle
TITRE
ARTISTE

Background