Em carne viva. “Todos chorámos”

Publié le 16 avril 2019

“Todos chorámos”. Incêndio da Catedral Notre-Dame emociona Paris e o mundo. Quando o grande pináculo das traseiras da Catedral se desmoronou, em chamas, ouviu-se um clamor de dor no centro da capital francesa. “Ó!… Não!”, exclamaram em coro milhares de pessoas, turistas e franceses, que assistiam, incrédulas, ao terrível incêndio. Horas depois, a “maire” de Paris, Anne Hidalgo, que tinha estado antes com o PR Emmanuel Macron, disse: “Todos chorámos”. O monumento ficou em carne viva

Alfa/Expresso. Por Daniel Ribeiro (adaptado)

Às 23 horas desta segunda-feira, cerca de 4h30 depois do início do incêndio, este já estava em vias de ser controlado, mas ainda se ouviam cânticos religiosos nas ruas de Paris.

A igrejas tocaram os sinos e os católicos rezaram e cantaram por Notre-Dame, a simbólica Catedral e monumento que, certamente por ser de entrada gratuita (só o seu rico museu, no interior, era de entrada paga), é o mais visitado de França e que ficou quase completamente devastada.

As causas do incêndio ainda não eram conhecidas a essa hora e apontava-se para um acidente, talvez ligado às obras de restauro na nave central, que estavam em curso. Só dentro de algum tempo se saberá exatamente o que provocou a tragédia.

Toda a gente se emocionou, das milhares de pessoas que encheram pontes, ruas e praças nos arredores da Ilha da Cité (onde está a Catedral), aos políticos, governantes, polícias e bombeiros.

O próprio Presidente Emmanuel Macron (que adiou a sua prevista comunicação ao país para tentar resolver a dura crise dos “coletes amarelos”) estava visivelmente comovido quando se referiu, às 23h30, à Notre-Dame como o “epicentro” da vida francesa. O chefe de Estado prometeu a reconstrução rápida do templo.

Enquanto ele falava, os bombeiros (foram mobilizados 400 para combater as chamas) ainda estavam em ação e multidões continuavam presentes nos arredores do Chatelet, das praças do Hotel de Ville e de Saint-Michel. Turistas estrangeiros e franceses continuavam a fotografar e a filmar – e muitos deles choravam.

Desde o fim da tarde, mesmo jornalistas não conseguiram reter as lágrimas enquanto entrevistavam pessoas destroçadas, a rezar, ou quando encaravam alguns fiéis a chorar e a tremer, em choque, quase em transe.

Muitos dos que assistiram, no local, à destruição quase total do interior da Catedral e observaram a nuvem de fumo e de cinza que cobriu a zona mais central de Paris, eram estrangeiros.

Todo o mundo chorou por Notre-Dame. Macron e Hidalgo receberam aliás mensagens calorosas de todo o lado.

Mas o que este repórter nunca esquecerá é o sofrido clamor que ouviu nesta segunda-feira quando o pináculo das traseiras caiu. “Ó!… Não!”.

Foi um grito doloroso e espontâneo que parecia vir de uma multidão com uma só alma. A Catedral de Notre-Dame, que nesta segunda-feira ficou quase completamente destruída, é um tesouro da humanidade, muito mais do que um símbolo da fé ou de Paris. O que aconteceu foi um drama para o mundo inteiro.


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