Uma fundação europeia critica campanha de André Ventura e pede combate ao racismo

André Ventura, candidato à Presidência da República em 2026
André Ventura, candidato à Presidência da República em 2026

A fundação europeia de defesa da comunidade cigana apelou hoje aos líderes europeus para que combatam linguagem racista durante campanhas eleitorais, “proibindo e removendo imediatamente” materiais que retratem comunidades como ameaças, referindo-se aos cartazes de André Ventura.

A organização de defesa dos direitos humanos “Roma Foundation for Europe” condenou hoje a mensagem dos cartazes da campanha eleitoral do Chega que diziam “Os ciganos têm de cumprir a lei”, por considerar que “alimentam a discriminação contra os ciganos”.

 “Essas campanhas discriminatórias contribuem diretamente para o clima de discriminação e hostilidade que os Roma já enfrentam diariamente. Em toda a Europa, a violência contra os Roma é uma realidade quotidiana”, defendeu o presidente da Roma Foundation for Europe, Zeljko Jovanovic, exortando os líderes a denunciarem esse tipo de linguagem racista.

Para Zeljko Jovanovic, as violações baseadas no ódio devem ser « punidas com sanções rápidas durante o período de campanha, e não com penas simbólicas após a votação”, assim como os órgãos de supervisão independentes devem ter poderes para “analisar e agir contra a publicidade política discriminatória em tempo real”.

Os líderes políticos, acrescenta, devem pronunciar-se “sem demora” quando as comunidades são alvo de ataques.

Segundo Zeljko Jovanovic, a retórica anti-Roma costuma aumentar durante os ciclos eleitorais para atrair eleitores de extrema-direita, sublinhando que em toda a Europa, a violência contra os ciganos “é uma realidade diária, a par da discriminação na educação, habitação, emprego e acesso aos serviços públicos”.

Por isso, a fundação apela aos partidos políticos europeus para que adotem medidas de autorregulação para excluir a linguagem racista.

“A situação em Portugal suscita preocupações mais amplas sobre a forma como as campanhas eleitorais em toda a Europa estão a ser cada vez mais utilizadas para reforçar estereótipos prejudiciais e normalizar a retórica dirigida às minorias”, sublinha a associação em comunicado.

A fundação critica que após o tribunal ter ordenado a remoção dos cartazes de André Ventura e ter rejeitado o pedido de efeito suspensivo, o Chega tenha colocado novos cartazes em Vila Nova de Milfontes, “o que foi amplamente visto como uma provocação deliberada transmitindo a mesma mensagem anti-cigana”.

A organização lembra que as comunidades ciganas enfrentam uma discriminação persistente em Portugal, sendo o segundo país europeu onde mais ciganos dizem ser alvo de discriminação.

No Inquérito aos Ciganos 2024, da Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia, 63% dos ciganos portugueses inquiridos disse ter sido alvo de discriminação no último ano, “a segunda taxa mais elevada registada”, além de terem denunciado um aumento dos níveis de ‘bullying’ e assédio às crianças ciganas nas escolas, recorda a fundação.

“Os governos europeus devem promover a educação sobre a história e a cultura cigana, incluindo a história do Holocausto cigano, para combater os estereótipos modernos”, defendeu o presidente da fundação, que há décadas trabalha para mudar a forma como os ciganos são vistos.

Rádio Alfa com LUSA

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