
O Festival Eurovisão da Canção dá início na terça-feira, com a primeira semifinal em que compete Portugal, a mais uma edição marcada pela contestação à participação de Israel no concurso, que este ano levou cinco países a desistirem.
As semifinais do 70º Festival Eurovisão da Canção acontecem na terça-feira e na quinta-feira e a final no sábado, 16 de maio.
Este ano serão 35 os países em competição, após desistências de Espanha, Irlanda, Países Baixos, Eslovénia e Islândia, devido à participação de Israel no concurso, e regressos à competição da Bulgária, da Roménia e da Moldávia, ao fim de três, dois e um ano de ausência, respetivamente.
Os boicotes devem-se aos ataques militares de Israel no território palestiniano da Faixa de Gaza, desde outubro de 2023, que mataram pelo menos 72 mil pessoas e foram classificados como genocídio por uma comissão internacional independente de investigação da Organização das Nações Unidas.
Embora haja 35 países em competição, apenas 25 estarão na final, e a avaliar pela média de várias casas de apostas, calculada pelo ‘site’ eurovisionworld.com, especializado no concurso, Portugal, que é representado pelos Bandidos do Cante com a canção “Rosa”, não será um deles.
Na semifinal de terça-feira, além de Portugal, o quinto país a atuar, estarão em competição Moldávia, Suécia, Croácia, Grécia, Geórgia, Finlândia, Montenegro, Estónia, Israel, Bélgica, Lituânia, São Marino, Polónia e Sérvia.
Dos 15, apenas dez vão passar à final e, na sexta-feira à tarde, Portugal surgia em 11.º lugar nas apostas relativas à primeira semifinal. Caso aconteça, não será a primeira vez. Em 2011, 2012, 2014, 2015 e 2019, Portugal falhou a passagem à final.
Na segunda semifinal, na quinta-feira, serão escolhidas outras dez canções, entre as 15 em competição, da Bulgária, Azerbaijão, Roménia, Luxemburgo, República Checa, Arménia, Suíça, Chipre, Letónia, Dinamarca, Austrália, Ucrânia, Albânia, Malta e Noruega.
Além dos 20 países escolhidos nas duas semifinais irão também competir na final os representantes com entrada direta: o país anfitrião, Áustria, e quatro dos chamados ‘Big Five’, França, Alemanha, Reino Unido e Itália (o 5.º, Espanha, boicotou esta edição).
O Festival Eurovisão da Canção é organizado pela União Europeia de Radiodifusão (UER) em cooperação com operadores públicos de televisão de mais de 35 países, entre os quais a RTP.
O concurso realiza-se anualmente desde 1956 e já houve países excluídos, caso da Bielorrússia, em 2021, após a reeleição do presidente Aleksandr Lukashenko, e da Rússia, em 2022, após a invasão da Ucrânia.
Israel foi o primeiro país não europeu a poder participar, em 1973, e ganhou quatro vezes.
Este ano, voltou a haver apelos ao boicote ao concurso devido à participação de Israel.
Em abril, foi divulgada uma carta aberta, subscrita por mais de 1.100 músicos e outros profissionais da cultura de vários países, entre os quais Portugal.
A longa de lista de subscritores inclui artistas e bandas como Carlos Mendes, Cristina Branco, Hetta, Iolanda, Janeiro, Jorge Palma, Júlio Resende, Linda Martini, Scúru Fitchádu, Selma Uamusse, Stereossauro, The Legendary Tigerman, Brendan Perry (Dead Can Dance), Brian Eno, Chester Hansen (BADBADNOTGOOD), IDLES, Massive Attack, Peter Gabriel, Primal Scream e Sigur Rós.
Os subscritores lembram que, “pelo terceiro ano consecutivo, os milhões de pessoas que se espera que acompanhem o concurso verão Israel a ser celebrado em palco, apesar do genocídio em curso em Gaza, enquanto a Rússia continua banida pela invasão ilegal da Ucrânia”.
Como « músicos e profissionais da Cultura, […] rejeitamos que o Festival Eurovisão da Canção seja usado para branquear e normalizar o genocídio, o cerco e a brutal ocupação militar de Israel contra os palestinianos”, lê-se na carta aberta, disponível ‘online’ para subscrições.
A maioria dos participantes do Festival da Canção da RTP, que aconteceu em março, anunciou previamente a recusa em representar Portugal na Eurovisão, caso vencessem o concurso.
Em 2024, a 68.ª edição do Festival Eurovisão da Canção, em Malmö, na Suécia, ficou marcada por manifestações nas ruas, protestos na arena e vaias ao representante de Israel durante as atuações. A participação dos Países Baixos foi cancelada, depois de um “incidente” nos bastidores com a delegação de Israel.
No ano passado, manifestantes pró-Palestina e polícia entraram em confronto em Basileia, Suíça, no dia da final.
Na 69.ª edição, na qual a Áustria se sagrou vencedora, com “Starmania”, interpretada por JJ, Portugal ficou em 21.º lugar, com a canção “Deslocado”, dos Napa.
Portugal estreou-se no Festival da Eurovisão em 1964. Desde então, falhou cinco edições: em 1970, 2000, 2002, 2013 e 2016.
Em 2017, Portugal venceu pela primeira e única vez o concurso com a canção “Amar pelos dois”, de Luísa Sobral, interpretada por Salvador Sobral.
Com Agência Lusa.