
O conselheiro das Comunidades Portuguesas em França Paulo Marques apelou hoje à calma e ao sentido de responsabilidade dos autarcas franceses e luso-franceses perante a violência em França, criticando discursos que a legitimam.
“Dizer que a violência é legítima é irresponsável”, afirmou Paulo Marques, em declarações à Lusa, acrescentando que os autarcas devem assumir um papel de apelo à calma e ao sentido de responsabilidade.
“Há alguns autarcas a dizer aos jovens que a violência é legítima e é óbvio que temos um problema”, criticou Paulo Marques, ele próprio autarca em Aulnay-sous-Bois e presidente da Associação dos Autarcas Franceses de Origem Portuguesa.
Segundo o autarca, a tensão entre os extremos deverá persistir até às eleições presidenciais cuja primeira volta está marcada para 18 de abril de 2027.
Paulo Marques indicou que as manifestações diminuíram “muito” em toda a França, mas insistiu na necessidade de manter os apelos à calma e à responsabilidade.
O responsável estendeu o apelo à comunidade portuguesa e luso-francesa, defendendo que as diferenças políticas não devem “alimentar confrontos nem divisões entre a população”.
Cerca de 480 mil pessoas manifestaram-se hoje por toda a França, no quinto dia de mobilização de estudantes do ensino secundário, anunciou a intersindical de organizações estudantis.
Há uma semana, numa outra jornada de protestos, foram contabilizados entre 266.000 (segundo as autoridades) e 450.000 manifestantes (segundo os organizadores) no país, incluindo entre 56.000 e 100.000 em Paris.
Ao início da tarde de hoje, milhares de estudantes, professores e sindicatos iniciaram uma marcha na capital francesa para continuar as suas exigências de que o Governo reforme imediatamente o ensino secundário.
O protesto ocorreu poucas horas antes do início, na Assembleia Nacional, do debate parlamentar sobre o orçamento nacional para 2027, que prevê 43 mil milhões de euros em « medidas para reabilitar as finanças » numa tentativa de reduzir a dívida pública, que atingiu os 112% do Produto Interno Bruto (PIB).
A marcha começou pelas 14:30 locais (menos uma hora em Lisboa), junto ao edifício da Câmara Municipal de Paris, com os participantes a afirmar: « Mesmo que o Estado não nos queira, aqui estamos », relatou o jornal Le Monde no local.
Entre os presentes estava a ativista ambiental Greta Thunberg e o líder de esquerda radical francesa Jean-Luc Mélenchon.
O protesto começou há cerca de três semanas numa escola secundária da região de Paris, mas rapidamente se transformou num movimento nacional de pressão sobre o Governo, marcado por confrontos com a polícia e tumultos.
Os constantes boicotes às aulas e bloqueios de escolas, juntamente com uma forte resposta policial que levou a milhares de detenções, a maioria das quais de menores de idade, tornaram-se um ponto crítico nos primeiros dias.
Os protestos dos adolescentes encontraram eco no meio do descontentamento generalizado em França, onde as frustrações vão para além das dificuldades imediatas, como os preços dos combustíveis que dispararam por causa da guerra com o Irão, e abrangem preocupações mais amplas sobre as restrições à despesa pública, o aumento da pobreza e a desigualdade de riqueza.
As autoridades começaram a fechar escolas para diminuir a intensidade das manifestações após os danos generalizados e o crescente número de feridos entre funcionários, alunos e polícias.
Com Agência Lusa.