Alto Minho prepara classificação dos Caminhos de Santiago com projeto europeu

Publié le 12 juillet 2018

A Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alto Minho vai integrar uma candidatura europeia, a submeter aos próximos fundos comunitários, com vista à futura classificação dos Caminhos de Santiago como Património da Humanidade, informou hoje o presidente daquela estrutura.

“O objetivo final que pretendemos alcançar é a valorização e a classificação do Caminhos de Santiago. É um processo complexo. Há um trabalho longo para ser feito, mas que tem de ser feito desta forma. O Caminho francês já foi classificado, o Caminho português está agora a dar os primeiros passos. Vai sair legislação nacional que nos vai ajudar. O que estamos a fazer agora é a beber informação doutros países, de outros projetos similares para podermos incorporar no nosso processo esse conhecimento”, explicou José Maria Costa.

O líder da CIM e presidente da Câmara de Viana do Castelo, que falava aos jornalistas à margem de uma reunião do projeto de cooperação interregional europeu CultRinG – Cultural Routes as an Investment for Growth and Jobs, explicou que a candidatura conjunta está ainda numa fase inicial de preparação.

“A segunda reunião que está hoje a acontecer em Viana do Castelo vai ajudar a construir a candidatura em que a CIM do Alto Minho está envolvida com outros cinco países, Itália, Chipre, Lituânia, Suécia e a Bélgica, para apresentar aos próximos fundos comunitários, prevendo-se um investimento global de 1,2 milhões de euros”, explicou o autarca no encontro com os jornalistas realizado a bordo do navio-museu Gil Eannes.

Os Caminhos de Santiago, percurso religioso até Santiago de Compostela, na Galiza, estão classificados como Património da Humanidade pela UNESCO, em Espanha e França. Em Portugal detêm o estatuto de Itinerário Cultural Europeu.

“A classificação é um trabalho de anos. Nestas coisas temos de dar passos certos, não podemos queimar etapas. O pior que nos podia acontecer era vender gato por lebre. Temos de ter procedimentos claros, de maturação de processos para que a certificação decorra com naturalidade. Isso faz-se sabendo como os outros fizeram, quais foram as dificuldades que enfrentaram, como ultrapassaram essas dificuldades, para que possamos beber essa experiência”, reforçou José Maria Costa.

O autarca explicou que o processo passa, numa primeira fase, pela “certificação nacional pelos Ministérios da Cultura e dos Negócios Estrangeiros para posterior apreciação pelo Conselho da Europa”.

José Maria Costa explicou que o projeto europeu em que a CIM do Alto Minho está agora envolvida abrange o Caminho da Costa e o Caminho Central.

O Caminho Português da Costa – que integra os Caminhos de Santiago – liga Porto a Valença.

De acordo com o ‘site’ do Caminho Português da Costa, trata-se de um percurso de 149,5 quilómetros, com uma duração média de sete dias e de dificuldade média-baixa.

O projeto agora apresentado “tem como objetivo promover e valorizar os investimentos nas rotas culturais europeias, em especial as certificadas pelo Conselho da Europa, como forma de contribuir para o crescimento e emprego das regiões parceiras”.

“No âmbito deste novo projeto, existe um desafio comum em termos de avaliação e exploração dos benefícios das rotas culturais existentes e de outras que possam vir a ser implementadas, com ligações às Pequenas e Médias Empresas (PME), às comunidades de acolhimento, ao desenvolvimento sustentável do turismo cultural, de modo a que os objetivos de crescimento e emprego possam ser atingidos mais rapidamente”, sustentou.

A reunião hoje realizada em Viana do Castelo “incidiu no intercâmbio de experiências e na elaboração de planos de ação para o desenvolvimento e ‘upgrading’ de rotas culturais, o diagnóstico da realidade do território em termos de património e da rota cultural existente, através da avaliação do desenvolvimento económico, benefícios diretos e indiretos para o crescimento e emprego, entre outros”.

Alfa/Lusa


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