Costa e Marcelo voltam a realçar importância da diáspora portuguesa

Publié le 13 juillet 2019

Na sessão de abertura, no Porto, do I Congresso Mundial de Redes da Diáspora Portuguesa, Costa destaca diáspora como “poderosa rede global” que país deve articular. Já o PR Marcelo disse querer colocar  a diáspora como “prioridade global” dos portugueses

Alfa/Lusa

O primeiro-ministro, António Costa, destacou hoje as redes da diáspora portuguesa como uma “poderosa rede global” que o país tem de ser “capaz de articular”, reforçando a “proximidade” com as suas comunidades emigrantes espalhadas pelo mundo.

“Esta aproximação é de extrema importância. O conjunto destas redes [da diáspora] é uma poderosa rede global que temos de ser capazes de articular, desde logo dentro dos novos espaços económicos regionais”, afirmou o chefe do governo português, no Porto, na sessão de abertura do I Congresso Mundial de Redes da Diáspora Portuguesa.

De acordo com António Costa, o fortalecimento das relações entre as várias redes da diáspora portuguesa é importante no espaço da União Europeia e das suas relações com o Canadá, mas também quando na América do Norte “se constitui a NAFTA [Tratado Norte-Americano de Livre Comércio]” ou, na América do Sul, se organiza o Mercosul [Mercado Comum do Sul]”.

“Quando, na América do Norte, se constitui a NAFTA, é importante que comunidades portuguesas possam ter uma relação forte entre si”, afirmou o primeiro-ministro, frisando que o mesmo é válido quando, “na América do Sul se organiza o Mercosul”.

De acordo com o primeiro-ministro, “quando, ainda recentemente, se abriu o espaço económico africano”, tal “foi uma enorme oportunidade para as comunidades portuguesas residentes nos diversos espaços de África se articularem entre si”.

“De cada vez que a União Europeia [UE] celebra um acordo de comércio livre com o Canadá ou o Mercosul, é uma extraordinária oportunidade para perceber que a presença de Portugal na UE e a presença de cada um de vós em cada um desses espaços económicos cria um enorme espaço para desenvolvermos e reforçarmos as relações entre todos”, disse.

Costa considerou como uma “realidade absolutamente essencial” a “valorização do contributo da economia da diáspora”, por ser um elemento importante para o crescimento das exportações portuguesas.

O primeiro-ministro destacou, ainda, os “cinco eixos” da diáspora que o Governo procurou desenvolver nos últimos anos.

A aprovação da nova lei da nacionalidade, “que agilizou a obtenção de nacionalidade portuguesa por parte dos netos das comunidades mais antigas”, e o recenseamento eleitoral automático foram dois aspetos destacados por Costa.

De acordo com o governante, o “reforço dos vínculos” com as comunidades portuguesas no mundo tem sido feito, também, por “atos simbólicos”, designadamente decidindo que as celebrações do Dia de Portugal deixam de ser feitas exclusivamente em território nacional.

A melhoria e o “esforço de modernização dos serviços administrativos” junto das comunidades e o desenvolvimento de 157 gabinetes de apoio ao emigrante também foram mencionados pelo primeiro-ministro.

Costa destacou também a “valorização da língua” e da cultura, lembrando a criação de mecanismos de “apoio e incentivo” para “quem deseja regressar”.

Já o PR Marcelo disse querer colocar  a diáspora como “prioridade global” dos portugueses

PR quer colocar diáspora como prioridade global dos portugueses

Pelo seu lado, o Presidente da República apontou hoje como “grande desafio” do país colocar a diáspora como “prioridade global” dos residentes em território nacional, porque a presença dos portugueses “no mundo” é uma das razões pelas quais eles “são muito bons”.

“Há aqui uma luta cultural que é um desafio para a diáspora também: explicar aos portugueses que somos muito bons e que uma das razões para isso tem a ver com a nossa presença no mundo”, disse Marcelo Rebelo de Sousa no Porto, na abertura do I Congresso Mundial de Redes da Diáspora Portuguesa.

O chefe de Estado explicou que este é o desafio que o “preocupa mais” e para o qual não tem encontrado “solução”, porque para os portugueses residentes em Portugal a emigração é um “problema e vivência pessoal, mas não uma prioridade global”.


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