As lagostas e os vinhos a 500 euros que põem um grande problema ao ministro francês Rugy

Publié le 13 juillet 2019

Lagosta e garrafas de vinho de 500 euros. Tudo para os amigos, e à custa do erário público

François de Rugy – NURPHOTO/GETTY IMAGES

Era o estilo do atual ministro do Ambiente francês no seu cargo anterior, de presidente da Assembleia Nacional

Alfa/Expresso: Por Luís M. Faria

Jantares num edifício histórico de Paris, com lagosta na ementa e garrafas de vinho de 500 euros, provenientes das caves do parlamento. É isto que o atual ministro da Energia e do Ambiente francês, François de Rugy, parece ter feito pelo menos uma dúzia de vezes quando era presidente da Assembleia Nacional, segundo o site Mediapart revelou na quarta-feira.

A imagem de cinco enormes lagostas deitadas numa mesa captura a essência da história. Entre outubro de 2017 e junho de 2018 Rugy, que é de origem aristocrática, tratou o cargo que então detinha como uma licença para festejar em grande estilo com os seus amigos. Porque era sobretudo de amigos que se tratava, aparentemente.

O artigo notava que grande parte dos convidados para os referidos jantares na residência oficial do presidente da Assembleia Nacional – o Hôtel de Lassay, um edifício do século XVIII – eram relações pessoais de Rugy e da sua mulher, jornalista na Gala, uma conhecida revista de celebridades.

“UNS NÓS CONHECÍAMOS, OUTROS NÃO”

Perante a indignação gerada, Rugy começou por reagir agressivamente. Admitiu os jantares e o facto de por vezes estarem lá amigos seus (“uns que nós conhecíamos, outros que não”) mas considerou o artigo grotesco. Alegou que uma pessoa na sua posição tinha de manter “encontros informais ao jantar com líderes empresariais, figuras de topo da cultura e presidentes universitários”.

Também acusou a Mediapart de o querer difamar. Mas a sua argumentação não colheu. Não ajudou o facto de um artigo subsequente ter revelado que o casal Rugy encomendou renovações de luxo na residência (o ministro explicou que, dada a natureza histórica do edifício, tivera de usar “artesãos qualificados”). Outro artigo surgido na mesma altura denunciou que a chefe de gabinete de Rugy, Nicole Klein, não tinha deixado uma habitação social que lhe fora concedida mesmo após ter deixado de viver em Paris.

Embora garantindo que a situação era legal, Klein demitiu-se. Quando a Rugy, o artigo da Mediapart disse que tinha “vivido como realeza à custa do erário público” quando era presidente da Assembleia Nacional. Rugy, que substituiu o anterior ministro do Ambiente o ano passado depois de este se demitir por achar que o presidente Macron não estava a fazer tanto pelo ambiente como tinha prometido, acabou por aceitar que tinha de dar respostas.

Ciente de que a situação reforça a ideia de Macron como presidente dos ricos num momento em que o governo procura efetuar reformas sociais difíceis, o primeiro-ministro Edourd Phillipe anunciou que o caso ia ser investigado.

“François de Rugy está consciente da emoção legítima dos nossos concidadãos nesta controvérsia, e não quer deixar dúvidas”, concluiu Phillipe. “Se restar alguma ambiguidade após as verificações, ele compromete-se a reembolsar qualquer euro em disputa”.


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