Brasil volta a ficar sem ministro da Saúde. Teich demitiu-se. Nem um mês esteve no cargo

Publié le 15 mai 2020

Brasil volta a ficar sem ministro da Saúde. Teich demitiu-se

ANDRESSA ANHOLETE/ GETTY IMAGES

Depois dos desentendimentos entre o ministro da Saúde brasileiro e o presidente Jair Bolsonaro, Nelson Teich decidiu apresentar a demissão de um cargo que ocupa há menos de um mês

Dentro de dois dias, Nelson Teich iria completar um mês de funções como ministro de Saúde do Brasil. Chegou para substituir Luiz Henrique Mandetta – também ele acabou por sair do cargo em confronto com Jair Bolsonaro – e liderar o país no combate à pandemia de covid-19. No entanto, Teich não vai completar um mês de funções, tendo apresentado esta sexta-feira a demissão.

Numa nota divulgada pelo Ministério da Saúde, citada pela imprensa brasileira, é confirmada a saída de Teich sem que sejam adiantados mais detalhes. é apenas sabido que o então ministro foi chamado na manhã desta sexta-feira ao Palácio do Planalto, onde esteve reunido com Bolsonaro. Depois, regressou ao edifício do ministério e, então, foi conhecida a demissão.

Nos últimos dias, foram tornados públicos vários desentendimentos entre Teich e Jair Bolsonaro em temas como o uso de cloroquina para o tratamento da doença, as medidas de isolamento e ainda relativamente ao decreto que considera salões de beleza, barbearias e ginásios como serviços essenciais.

No começo da semana, o presidente brasileiro incluiu ginásios e academias desportivas “de todas as modalidades”, salões de beleza e barbearias na lista de serviços considerados essenciais para funcionarem no Brasil durante a pandemia de covid-19. Na tarde desse mesmo dia, Teich garantiu à imprensa não ter conhecimento da norma decretada pelo chefe de Estado. “Se for criado um fluxo que impeça que as pessoas se contaminem, se criarem condições e pré-requisitos, você pode trabalhar (…). Agora, tratar isso como essencial, é um passo inicial, que foi decisão do Presidente. Não passou pelo Ministério da Saúde. Não é uma decisão nossa. É atribuição do Presidente”, afirmou Teich em conferência de imprensa.

Também esta semana, Teich alertou para as consequências que o uso da cloroquina poderia ter ao ser usada no tratamento da covid. Bolsonaro insiste na eficácia deste tratamento, chegando mesmo a defender o seu uso durante entrevistas.

Os últimos números sobre a pandemia no Brasil dão conta de mais 844 mortos e 13.944 infetados pelo novo coronavírus apenas nas últimas 24 horas – é o maior número diário de novos casos desde o início da pandemia. O total desde o começo da pandemia está agora fixado em 13.993 óbitos e 202.918 pessoas infetadas. Já há 79.479 pessoas recuperadas.

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