Demitiu-se da comissão executiva do CDS Abel Matos Santos, que chamou “agiota de judeus” a Aristides Sousa Mendes.
Abel Matos Santos não resistiu à polémica que o envolveu nos últimos dias e acaba de apresentar a demissão à direção do partido, que a aceitou. A informação, avançada pela RTP e pela TSF, foi confirmada ao Expresso por fonte do núcleo duro de Francisco Rodrigues dos Santos.
O dirigente, que entrou para a comissão executiva do CDS quando Francisco Rodrigues dos Santos foi eleito – há pouco mais de uma semana -, já entregou a sua carta de demissão ao presidente do partido. A direção vai emitir ainda esta terça-feira um comunicado sobre o assunto.
A demissão acontece cerca de uma semana depois de o Expresso ter revelado publicações que Matos Santos fez no Facebook, entre 2012 e 2016, em que chamava ao cônsul que emitiu milhares de vistos para judeus durante a Segunda Guerra Mundial, Aristides Sousa Mendes, « agiota de judeus », dava vivas a Salazar e elogiava a PIDE, « uma das melhores polícias do mundo ».
A polémica ficou instalada dentro e fora do partido. Se nomes como António Pires de Lima se apressaram a pedir a demissão, na comunidade judaica as declarações caíram particularmente mal, tendo a Comunidade Israelita de Lisboa emitido um comunicado em que criticava, « surpreendida », as posições de teor « ofensivo ».
Se num primeiro momento a direção segurou Matos Santos, que até aqui representava a corrente interna mais conservadora do CDS (a Tendência Esperança em Movimento), o dirigente tomou agora a iniciativa de se demitir, abandonando o cargo que ocupava há apenas nove dias.