Covid-19/Portugal. Restaurantes receiam abrir para depois encerrarem

Publié le 17 mai 2020

Sobrevivência. Como se prepararam os chefes e empresários para voltar à atividade na segunda-feira, 18. As dúvidas sobrepõem-se às certezas. Restaurantes: Receio de abrir portas para depois encerrar

Desinfeção a fundo no restaurante Mauritânia Grill, em Leça da Palmeira (Porto)<span class="creditofoto"> FOTO RUI DUARTE SILVA</span>

Desinfeção a fundo no restaurante Mauritânia Grill, em Leça da Palmeira (Porto)FOTO RUI DUARTE SILVA

Alfa/Expresso (Parcial) Por CONCEIÇÃO ANTUNES, HUGO FRANCO E MARGARIDA CARDOSO

A última refeição na Taskinha do Pão Mole, em Cascais, foi um cozido à portuguesa servido por Gabriela Fitas aos clientes na véspera de ter sido decretado o primeiro estado de emergência, a 18 de março. Quase dois meses depois, a empresária decidiu entregar as chaves do estabelecimento ao senhorio e já não vai abrir mais as portas. “Temos capacidade para 32 pessoas e com metade dos lugares não me sustentaria. Além disso, vivíamos dos almoços de grupos e havia muita rotatividade de clientes. Tudo isso é agora impossível com as desinfeções entre cada refeição. Os restaurantes pequenos não vão ter hipóteses de sobreviver com as novas regras”, vaticina.

Sem direito a receber o subsídio de desemprego, aos 57 anos a empresária foi obrigada a ir viver com os pais, no Alentejo. “Tive de despedir as empregadas e fiquei com algumas dívidas a fornecedores e tenho contas da luz e da água por pagar.” A mágoa em abandonar o negócio com sete anos é quase palpável. “Isto é o que mais gosto de fazer na vida.”

Os dados de um inquérito da principal associação de hotelaria e restauração (AHRESP) revelam que 27% destas empresas ponderam avançar para a insolvência por não terem capacidade para enfrentar as limitações impostas pelas autoridades de saúde. E a esmagadora maioria dos donos dos restaurantes que vão reabrir nesta segunda fase do desconfinamento (88%) garante que o negócio só sobreviverá com a ajuda do Governo. “Prevejo que 40% a 50% dos restaurantes vão desaparecer até ao fim do ano: entre os que não reabrem de vez e os que abrem as portas e que depois vão ser obrigados a encerrar quando se aperceberem que não têm clientes”, argumenta José Avillez.

O conhecido empresário e chefe de cozinha confidencia ao Expresso que deverá fechar 20% dos seus restaurantes. “Tenho de me concentrar nos projetos e nos postos de trabalho que vou conseguir salvar.” A abertura está agendada para 1 de junho, nesta fase só o Bairro do Avillez.

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