Covid-19. TAP impõe confinamento ao Porto e Norte. Indignados, autarcas denunciam favorecimento de Lisboa

Publié le 26 mai 2020

Covid-19. TAP impõe confinamento ao Porto e Norte. Autarcas do Norte revoltados

JOSÉ COELHO/LUSA

Retoma “regional” centrada em Lisboa da operadora nacional gera revolta a norte. Chocados, autarcas dizem não ao resgate da TAP se mantiver serviços abaixo de mínimos no Aeroporto do Porto, que vale pouco mais de 2% da operação de voos da empresa, que os mesmos acusam de ser privada nas decisões e pública quando se trata de ir aos bolsos de todos os portugueses

Alfa/Expresso. Por Isabel paulo

A estratégia da transportadora de bandeira nacional está a gerar um onda de indignação por parte dos autarcas e partidos de todos os quadrantes partidários. Em conferência de imprensa esta terça-feira, onde estiveram presentes o presidente da Entidade de Turismo do Porto e Norte, Luís Pedro Martins, os presidentes das Câmaras do Porto, Rui Moreira, da Maia, António da Silva Tiago, de Viana de Castelo, José Maria Costa, e de Vila Real, Rui Santos, os autarcas defenderam que a TAP está a abandonar o país ao centralizar a sua operação em Lisboa, com o dinheiro de todos os portugueses.

Rui Moreira acusa a TAP de estar a tentar “confinar o Porto e Norte” e de abandonar o país, sublinhando que a estrutura da companhia aérea portuguesa “nunca perdeu o vínculo de empresa de caráter colonial”. Numa altura em que o Estado se prepara para injetar mil milhões de euros para salvar a TAP, o autarca independente defendeu que o Governo só deve ajudar a empresa “se exigir, no momento de retomar os voos, que seja na mesma percentagem no Porto, Lisboa, Faro, Madeira e Açores”.

O presidente da Câmara do Porto lembra que o Minho, Trás-os-Montes, o Douro e a região centro também fazem parte de Portugal, frisando que a TAP é privada nas decisões e “pública na hora dos contribuintes pagaram os seus vícios e operações ruinosas”. Para o autarca, a companhia não é por isso “carne nem peixe” e se é, mais uma vez, para o Governo ajudar uma “empresa regional”, então a que “incorpore a TAP na Carris”. “Não faça de nós tontos”, atira Moreira, concluindo que uma operação centralizada em Lisboa prejudica todo o país e “vale zero para o interesse nacional”.

TAP DEVE SER EXCLUÍDA DE PLANO DE RESGATE, DIZ AUTARCA DA MAIA

A revolta dos autarcas surge um dia depois de a TAP anunciar os seus planos de voo pós-pandemia, com 27 ligações semanais para junho a partir de Lisboa, três para o Porto e nenhuma rota internacional. Em julho, o plano prevê 247 ligações semanais, seis a partir do Porto. António da Silva Tiago, autarca do PSD do concelho-sede do Aeroporto do Porto, afirma que se a TAP reduzir a sua operação em junho às parcas três linhas anunciadas, “então perde o desígnio para a economia nacional”, razão pela qual deve ser excluída “de qualquer plano de resgate à custa dos impostos de todo o país, ao limitar-se à dimensão de companhia confinada à sua expressão regional”.

Também em rota de colisão com a TAP está o autarca socialista de Vila Real. Rui Santos critica a administração por, “numa altura em que anda de mão estendida ao Estado Português”, tenha decidido o regresso da atividade sem informar o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, e sem negociar com ninguém. “É um desplante que a empresa que carrega o nome de Portugal e é 50% pública ignore parte do país, numa visão centralista inconsequente e que revela um erro clamoroso por parte da sua administração”, refere Rui Santos, acrescentando ser ‘fake news’ considerar a TAP uma empresa nacional, quando apenas serve a economia da região de Lisboa.

José Maria Costa, autarca do PS de Viana do Castelo, também não poupa nas críticas e confessa-se mesmo “chocado” com os serviços abaixo de mínimos da TAP para a região mais exportadora do país: “com o plano apresentado, perde-se o sentido de unidade nacional”.

Já o responsável do Turismo do Porto e Norte titula de “escandaloso” o plano de retoma da TAP, afirmando ser inexplicável que companhias como a Swiss Air, Easyjet, Luftansa ou Air France estejam a operar e a planear mais voos internacionais a partir do Aeroporto Francisco Sá Carneiro e a TAP não veja interesse. Luís Pedro Nunes questiona mesmo se a companhia de bandeira pretende encerrar a base do Porto, um aeroporto que serve não só o turismo do Norte e Centro do país, mas a economia nacional, lembrando que o hub Porto movimentava mais clientes do país vizinho do que os três aeroportos da Galiza.

PS do Porto, independente afeto a Rui Moreira, Bloco de Esquerda e PCP já se manifestaram todos contra a ‘regionalização’ da transportadora aérea com dinheiro dos contribuintes, acusando a TAP de tratar o aeroporto do Porto como “apeadeiro” ao serviço do aeroporto de Lisboa.

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