Enorme perda. Ardeu o palácio de D. João VI no Rio de Janeiro, Museu Nacional

Publié le 3 septembre 2018

Memória, História e Cultura destruídas no Rio de Janeiro. Incêndio de grandes proporções destrói acervo histórico e cultural. Hoje Museu Nacional, o antigo Palácio de São Cristóvão foi casa dos Bragança no Brasil. Destruição do acervo foi devastadora, segundo primeiras estimativas.

Alfa/DN

Um incêndio de grandes proporções destruiu o Museu Nacional no Rio de Janeiro. Situado na Quinta da Boa Vista, o edifício alberga uma vasta coleção museológica, desde arte indígena a meteoritos e a um importante espólio de egiptologia, mas destaca-se também por ter sido residência dos Bragança no Brasil, tanto no período colonial até 1822, como depois já da independência até à proclamação da república em 1889. Na Sala do Trono havia mobiliário e objetos vários que pertenceram à família real, depois imperial.

Oferecido por um rico comerciante à família real portuguesa quando esta chegou em 1808 ao Rio de Janeiro para escapar às tropas napoleónicas, o Palácio de São Cristóvão foi residência de D. Maria I até à morte em 1816 e de D. João VI até regressar a Lisboa em 1821. Lá viveu D. Pedro I do Brasil (IV de Portugal) e lá nasceu a nossa D. Maria II, além de D. Pedro II do Brasil, ambos filhos da imperatriz Leopoldina, uma Habsburgo.

Segundo o jornal A Folha de São Paulo, 80 bombeiros de vários quartéis tentaram controlar as chamas, que perduraram noite dentro. O ministro português da Cultura, Luís Castro Mendes, foi um dos primeiros em Portugal a alertar para o incêndio via Facebook, falando de “um mau momento para o Brasil”. O presidente brasileiro Michael Temer já falou de “perda incalculável para o Brasil”, embora não se saiba que parte dos 20 milhões de itens foi destruída. Entre o acervo do museu está o mais antigo fóssil humano encontrado no Brasil.

O Museu Nacional era gerido atualmente pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Desde há muito havia críticas ao estado de conservação do palácio e estavam prometido investimentos no museu, que este ano fez dois séculos e nasceu da iniciativa de D. João VI, que viveu 13 anos no Rio de Janeiro e deixou outros legados à cidade, como o Jardim Botânico.


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