Greve geral em França. Macron enfrenta novas manifestações e novas reivindicações

Publié le 7 décembre 2019

Greve geral em França. Macron enfrenta novas manifestações e novas reivindicações

ERIC GAILLARD/REUTERS

Governo começou a ceder sobre as reformas, mas greve geral prossegue, hoje, com novas revindicações e mais manifestações

Alfa/Expresso. Por Daniel Ribeiro (Leia mais em expresso.pt)

Com a França em greve geral contra a revisão do sistema de cálculo das pensões de reforma, hoje vive-se mais um sábado tenso de manifestações, por vezes violentas, mas com objetivos muito diversos em Paris e noutras cidades.

O Governo não tem mãos a medir, encontra-se em grandes dificuldades e enfrenta mobilizações – “e cóleras”, como disse um manifestante “colete amarelo” ao Expresso – que exprimem variadas reivindicações e angústias.

Os sindicatos continuam a apelar à continuação da greve geral, que prossegue este fim de semana e no início da próxima, designadamente nos transportes e noutros setores de atividade. Os sindicalistas convocaram igualmente novas massivas manifestações em todo o país, designadamente para mais “um dia negro” na próxima terça-feira, dia 10, pelo menos idêntico ao do passado dia 5, quando o país esteve praticamente todo paralisado.

Mas os descontentamentos e os protestos, por vezes duros como já se verificou hoje em Paris. não são apenas contra a revisão do sistema das reformas.

Neste sábado, como constatou o Expresso, decorrem pelo menos três importantes manifestações na capital e na região: uma dos “coletes amarelos”, que apresentam revindicações generalistas variadas e se declaram também contra a revisão do sistema de reformas – este desfile já foi marcado por diversos incidentes com a polícia, ao princípio da tarde, na zona sul da capital; outro desfile, em Montparnasse, igualmente no sul da cidade, reúne milhares de desempregados – que lutam contra a revisão, para eles desfavorável, do sistema de atribuição dos subsídios de desemprego; e ainda decorre outra mobilização, dos camionistas, que protestam desde cedo esta manhã contra o aumento do imposto sobre os combustíveis previsto pelo Governo.

Os camionistas continuam a provocar esta tarde engarrafamentos enormes em autoestradas e estradas de acesso às principais cidades de França, incluindo Paris.

Dentro de Paris, os “coletes amarelos” e os “desempregados” reuniram, por agora separadamente, certamente diversos milhares de manifestantes, mas os números apenas serão conhecidos ao fim do dia.

Outras manifestações decorrem noutras cidades do hexágono francês, designadamente dos “coletes amarelos” e de desempregados contra a reforma do sistema do desemprego e, claro, também do cálculo das pensões dos reformados, que é o centro da atual crise social em França.

O primeiro-ministro, Édouard Philippe, disse ontem estar aberto ao diálogo e à concertação sobre a revisão do sistema de cálculo (por pontos) das pensões de reforma e anunciou que falará ao país na quarta-feira, logo a seguir ao novo “dia negro” de manifestações convocado pelos sindicatos para a véspera.

O Governo recuou no calendário sobre a revisão do sistema das reformas, prometeu diálogo mas não o retirou, como pedem os grevistas. Hoje, enfrenta outras reivindicações – o que certamente lhe complica muito a vida.


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