
O antigo primeiro-ministro francês Édouard Balladur morreu esta segunda-feira, 31 de agosto, aos 97 anos. Figura histórica da direita francesa, Balladur marcou a vida política do país durante várias décadas, tendo ocupado os cargos de ministro da Economia e de primeiro-ministro, além de ter sido candidato às eleições presidenciais de 1995.
Considerado um dos últimos representantes da geração política de Georges Pompidou, Édouard Balladur teve uma longa carreira nos corredores do poder francês.
Nascido na Turquia, em 1929, estudou no Institut d’Études Politiques de Paris e na École Nationale d’Administration (ENA). A sua carreira começou a ganhar destaque quando, em 1964, se tornou diretor de gabinete da ORTF, o então poderoso grupo público de rádio e televisão francês.
Nesse mesmo período, entrou para o gabinete do primeiro-ministro Georges Pompidou, dando início a uma ascensão política que o levaria alguns anos mais tarde ao Palácio do Eliseu.
Próximo de Georges Pompidou e Jacques Chirac
Depois da eleição de Georges Pompidou para a Presidência da República, em 1969, Balladur acompanhou-o no Eliseu, onde assumiu o cargo de secretário-geral adjunto da Presidência.
Durante esses anos, esteve ligado a um período de forte industrialização em França. Entre os grandes projetos desse período estiveram o desenvolvimento do TGV e o lançamento do primeiro Airbus. A época ficou também marcada pelo choque petrolífero de 1973, que provocou uma subida do desemprego em França.
Após a morte de Georges Pompidou e a eleição de Valéry Giscard d’Estaing para a Presidência, Balladur deixou temporariamente a política e passou para o sector privado, nomeadamente para o ramo das telecomunicações.
A sua proximidade com Jacques Chirac, fundador do RPR, manteve-se ao longo dos anos. Em 1986, Balladur foi eleito deputado por Paris e entrou no Governo como ministro da Economia.
Primeiro-ministro e candidato presidencial
Édouard Balladur chegou a primeiro-ministro em 1993, durante a segunda coabitação da Quinta República, num período em que François Mitterrand era Presidente da República.
Durante a sua passagem por Matignon, ficou particularmente associado a uma política de privatizações.
Em 1995, decidiu avançar para a corrida presidencial. A candidatura, contudo, não chegou à segunda volta. Jacques Chirac acabaria por disputar a segunda volta e vencer as eleições presidenciais.
Depois da derrota presidencial, Balladur continuou a ser uma figura de referência da direita francesa.
Com a sua morte, aos 97 anos, desaparece uma das últimas grandes figuras políticas ligadas à geração de Georges Pompidou e uma personalidade que atravessou várias décadas da história política contemporânea de França.
Com Agências.