Primeiro-ministro lamenta perturbações nos exames mas insiste que foi “caminho correto”

O presidente do Partido Social Democrata (PSD), Luís Montenegro, discursa na sessão de encerramento da da Universidade de Verão do PSD, realizada numa unidade hoteleira de Castelo de Vide, 30 de agosto de 2026. NUNO VEIGA/LUSA

O presidente do PSD e primeiro-ministro lamentou hoje as perturbações que a correção digital introduziu no processo dos exames nacionais, mas defendeu que “foi o caminho correto”, agradecendo o empenho de toda a comunidade escolar.

Luís Montenegro encerrou hoje a 22.ª edição da Universidade de Verão do PSD, iniciativa de formação de jovens quadros, que decorre desde segunda-feira em Castelo de Vide (distrito de Portalegre), numa intervenção a que assistiu o secretário-geral e líder parlamentar do PSD, Hugo Soares.

Pela primeira vez este ano, os exames nacionais do ensino secundário foram avaliados em formato digital, mas o processo registou várias falhas técnicas, obrigando ao adiamento por alguns dias da divulgação das notas.

“Lamentamos a perturbação que aconteceu durante algum tempo, mas ao mesmo tempo mantivemos a nossa determinação e a nossa convicção de que o caminho era o caminho correto”, disse o chefe do Governo.

Montenegro admitiu que “a mudança tem riscos”, mas assegurou que o Governo não irá “fugir às responsabilidades”.

“Estamos aqui para assumir os riscos da mudança, mas mudar e atingir o resultado. E foi isso que aconteceu. Para nós não mudar não é uma opção e por isso sabem que a segunda fase dos exames nacionais já mostrou que somos capazes de levar este processo de digitalização por diante”, salientou.

O primeiro-ministro aproveitou a Universidade de Verão do PSD para agradecer o empenho de toda a comunidade escolar e a compreensão de alunos e famílias.

“Quero agradecer a todos os diretores, a todos os professores classificadores e relatores, aos técnicos, a toda a comunidade escolar, cujo empenho foi de facto essencial para mantermos a tranquilidade e também acreditarmos que os bons resultados eram passíveis de ser alcançados. Obviamente, também com a compreensão dos alunos e das suas famílias”, afirmou.

O primeiro-ministro manifestou-se convicto de que “a esmagadora maioria dos portugueses” percebeu o objetivo do Governo – introduzir uma avaliação mais transparente – e destacou o aumento do número de alunos colocados no ensino superior público, que aumentou 14% em relação ao ano passado.

Na sua longa intervenção, Montenegro passou em revista as principais alterações que o executivo PSD/CDS-PP já introduziu nos últimos dois anos nas áreas da educação e da ciência, defendendo que “é preciso fazer escolhas e é preciso enfrentar as resistências das escolhas”.

“Nós não somos daqueles que não decidem para se protegerem do erro. Aqueles que não decidem acertam sempre, nunca erram. Nós podemos não acertar sempre, mas acertamos quase sempre, e temos um caminho definido e temos coragem para o executar”, sublinhou.

Montenegro referiu-se, de forma crítica, às decisões dos anteriores Governos do PS nestas áreas, dizendo que o seu executivo herdou “um sistema educativo marcado por problemas antigos, decisões adiadas e uma crescente perda de confiança”.

“Depois destes dois anos, nós vimos regressar às escolas a tranquilidade. Eu sei que alguns já não se lembram daquela turbulência, mas não foi há muito tempo”, disse.

Montenegro recordou que uma das suas primeiras decisões enquanto primeiro-ministro foi iniciar o processo de recuperação do tempo de serviço dos professores, no âmbito do qual 91.534 docentes já progrediram de escalão pelo menos uma vez.

“A recuperação total desse tempo estará concluída em junho de 2027 e representa um investimento anual de 300 milhões de euros”, disse.

O primeiro-ministro passou em revista os incentivos para o prolongamento da carreira docente, os concursos extra para a fixação de professores nas regiões mais carenciadas ou a revisão das aprendizagens essenciais em todas as disciplinas, que poderão entrar em vigor no ano letivo de 2027-2028, bem como a regulação do uso de telemóveis nas escolas.

O novo modelo de ação social escolar, o investimento no ensino profissional e a aposta na modernização de equipamentos com verbas do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e do Banco Europeu de Investimento foram outras das medidas destacadas.

Na sua intervenção, Luís Montenegro nunca se referiu nem ao próximo Orçamento do Estado, que terá de ser entregue no parlamento até 10 de outubro, nem à ameaça de moção de censura ao Governo feita pelo Chega.

 

Com Agência Lusa.

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