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« José Peseiro, novo selecionador nacional da ‘vinotinto’, substitui a partir de hoje, 04 de fevereiro de 2020, Rafael Dudamel na rota do Mundial2020. Amanhã [quarta-feira] será apresentado em conferência de imprensa », lê-se na publicação.
Esta será a segunda experiência de Peseiro, de 59 anos, como selecionador, depois de ter comandado a Arábia Saudita, de 2009 a 2011.
Laureano González, presidente de FVF, oficializa hoy, martes 04 de febrero de 2020, la contratación del DT portugués JOSÉ PESEIRO, como nuevo Seleccionador Nacional de la VINOTINTO… Más detalles en breve pic.twitter.com/x6RNHp1bwP
— FVF (@FVF_Oficial) February 4, 2020
Alfa/Lusa.
Se calhar ainda se recorda do tempo em que, no Verão, bastava afastar-se um pouco das partes mais iluminadas da cidade para encontrar luzinhas a tremelicar nos campos mergulhados na escuridão. Pode ter sido num desses encontros acidentais que descobriu que aquelas luzes misteriosas pertenciam a pirilampos. E é provável que já há algum tempo que não tenha qualquer encontro desses. Os pirilampos estão a diminuir e um inquérito agora divulgado aponta o dedo aos principais culpados. Segundo os especialistas nestas criaturas que alimentam a imaginação, graças à sua bioluminescência, os principais responsáveis por esse desaparecimento são a perda de habitat, a iluminação nocturna e o uso de pesticidas.
O estudo foi liderado por uma equipa de biólogos da Universidade de Tufts, nos Estados Unidos, contou com a participação da União Internacional para a Conservação da Natureza, e foi publicado esta segunda-feira na revista Bioscience. Os resultados, como os próprios autores referem, devem ser interpretados “com cautela, porque reflectem apenas a opinião de especialistas em relação às ameaças percepcionadas por eles à persistência dos pirilampos”. Mas a unanimidade entre os 49 especialistas de todo o mundo que responderam a todas as questões enviadas pela equipa coordenada pela bióloga Sarah Lewis não deixa muita margem para dúvidas.
A perda de habitat foi identificada, globalmente, como a maior ameaça à existência dos pirilampos. Apesar de estarem identificadas mais de duas mil espécies de pirilampos em todo o mundo, e de terem, entre elas, características bastante distintas, a verdade é que a generalidade dos habitats em que proliferam – pântanos, mangais, parques, florestas, campos agrícolas ou pastagens – tem sofrido uma diminuição, uma fragmentação ou acabam por ser influenciados por outros dos factores identificados como um risco pelos especialistas.
Olhando para as respostas recolhidas em diferentes partes do globo – só de África não chegou qualquer informação –, é possível perceber que esta perda de habitat tem causas diferentes em diferentes regiões. Na Europa, por exemplo, ela aparece muito associada à urbanização dos terrenos, à industrialização e à intensificação da agricultura, ligada ao uso de pesticidas. Na Malásia, o maior problema prende-se com a transformação dos habitats destas espécies em plantações de óleo de palma ou em quintas para a aquacultura.
Entre os factores de risco identificados pelos especialistas, a iluminação nocturna aparece no segundo lugar das suas preocupações, chegando ao topo entre as respostas recolhidas no Sudeste asiático e na América do Sul. A luz emitida pelos pirilampos é essencial nos rituais de acasalamento de grande parte das espécies e é sobretudo aí que a presença de iluminação artificial se torna um risco. “Além de perturbar os biorritmos naturais – incluindo os nossos –, a poluição luminosa atrapalha mesmo os rituais de acasalamento dos pirilampos”, explica Avalon Owens, um dos biólogos de Tufts envolvido no estudo.
Os resultados apontados no artigo agora publicado vão ao encontro do que já fora identificado como causas de declínio da população de pirilampos, em estudos anteriores, e o terceiro risco a receber maior atenção a nível global – o uso de pesticidas – não foge à regra. Como se destaca no artigo, “apenas alguns estudos investigaram o efeito directo [dos pesticidas] nos pirilampos, mas sabe-se que os insecticidas de largo espectro afectam de forma adversa muitos insectos que não são o seu alvo”. Entre eles, claro, os pirilampos.
Os autores do estudo salientam que os pesticidas são particularmente prejudiciais para as larvas destas espécies, que se desenvolvem durante meses em águas ou solos que podem estar contaminados. Também a este nível há algumas diferenças regionais. Se na Europa, por exemplo, o uso exterior de neonicotinóides (insecticidas que derivam da nicotina) foi proibido a partir de Abril de 2018, eles ainda são usados tanto na agricultura como em zonas residenciais em vários pontos do globo, incluindo nos Estados Unidos.
Apesar dos resultados agora divulgados reforçarem a noção dos riscos existentes já conhecidos para a sobrevivência dos pirilampos, Sarah Lewis salienta que é preciso muito mais informação e estudos para traçar um cenário definitivo sobre o futuro destas criaturas. “Precisamos mesmo de melhorar a informação prolongada no tempo sobre as tendências das populações de pirilampos”, diz a especialista no texto de divulgação do artigo.
Por cá, Henrique Alves, do Parque Biológico de Gaia – onde todos os anos, em Junho, se organizam as Noites dos Pirilampos –, confirma que o declínio destas populações tem-se tornado evidente, mas também que faltam mais estudos que certifiquem oficialmente essa queda. “Os insectos são um grupo muito vasto e os pirilampos, mesmo sendo muito vistosos e atractivos, não levaram a que haja assim tantos estudos sobre eles”, afirma.
Apesar de no Parque Biológico de Gaia, onde existem seis espécies de pirilampos, as populações de “vários milhares” se manterem estáveis, graças à fraca iluminação e ao não uso de pesticidas, o biólogo e actual director do parque reconhece que o mesmo não se passa no exterior das suas fronteiras. “A percepção geral das pessoas que nos vão falando das memórias de quando eram jovens é que a quantidade diminuiu drasticamente”, explica.
Em Junho, as Noites dos Pirilampos regressam ao parque e, este ano, entre 17 a 20 desse mês, também estará por lá um simpósio internacional inteiramente dedicado a estas criaturas que emitem luz graças a uma reacção química entre o oxigénio e a molécula luciferina, que oxida na presença da enzima luciferase, produzindo energia luminosa. Os temas são variados, “até falaremos dos pirilampos na arte”, garante Henrique Alves. E, pelo meio, de certeza, dos riscos que os pirilampos enfrentam diariamente.
A formação comandada pelo treinador Andy Reid e liderada em campo pelo quarterback Patrick Mahomes esteve a perder por 20-10 no 54.º Super Bowl, já em pleno quarto período, num embate que chegou empatado a 10 ao intervalo.
O conjunto de Kansas City repetiu o sucesso de 1970, ano em que venceu os Minnesota Vikins por 23-7, na segunda presença no Super Bowl, três anos após o desaire por 35-10 face aos Green Bay Packers.
Alfa/Lusa.

MÁRIO CRUZ/ POOL/ REUTERS
Da janela do quarto, Luís Estanislau vê um parque de estacionamento e pouco mais. Está há menos de um dia no Hospital Pulido Valente, em Lisboa. Agora, já regressado de Wuhan, o epicentro da infecção por coronavírus, fala com o Expresso. Cada uma das 20 pessoas que o Estado português foi buscar tem o seu quarto. Às vezes podem encontrar-se mas sempre “devidamente equipados”. Não sabem quando podem ter visitas. Estão isolados e assim vão continuar nos próximos 14 dias.
“Ainda antes de sairmos da China, já tínhamos todos combinado que ficaríamos voluntariamente isolados. Foi uma decisão conjunta, uma vez que não é obrigatório”, diz o preparador físico do Hubei Chufeng Heli, um clube da segunda liga chinesa. “É uma questão de responsabilidade civil. Sabendo que este vírus tem um período de incubação de 14 dias, pareceu-nos a melhor opção. Não queríamos pôr em risco os nossos familiares e amigos. Não é fácil estar preso num hospital em Portugal sem qualquer sintoma, sabendo que fizemos tudo para evitar o vírus e com a certeza quase absoluta de que estamos bem. Há quem esteja há imenso tempo sem ver a família.”
Luís Estanislau aterrou este domingo pelas 20h30 em Portugal. Chegou com mais 19 pessoas – incluindo dois diplomatas portugueses e duas cidadãs de nacionalidade brasileira. Ao que o Expresso apurou, além do luso-australiano que já anunciara que pretendia permanecer na China por motivos profissionais, houve um português que também escolheu ficar “por motivos pessoais” apesar de o seu regresso a Portugal estar previsto até este fim de semanal.
“A viagem foi cansativa. Vinham 25 nacionalidades diferentes a bordo do avião”, começa por relatar Luís Estanislau, que antes de embarcar respondeu a um questionário sobre a rotina dos últimos dias, sobre a possibilidade de ter estado em contacto com alguém infetado ou a presença de algum tipo de sintomas associados ao coronavírus. “Mediram-nos a temperatura também. Quem tivesse sintomas não embarcava, houve um polaco que não entrou no avião”, conta.
O grupo viajou de Wuhan até Marselha, no sul de França. Daí, partiram para os países de origem. “Viemos os 20 no avião militar C130.”
Ainda durante a noite de domingo fizeram as recolhas para as análises, que são da responsabilidade do Instituto Ricardo Jorge e cujos resultados preliminares são negativos. “Chegámos super cansados. Fizemos exames médicos, recolha de sangue, saliva e deu tudo negativo a todos.”
Luís nem sabe bem onde está. “No segundo ou terceiro andar, talvez. Não faço ideia.” Sabe que o levaram para o Pulido Valente e quase todos os repatriados também ali estão – apenas quatro foram levados para o parque saúde, as instalações do antigo Júlio de Matos. “A escolha foi aleatória, foram os médicos que nos dividiram.”
Por agora, não estão previstas visitas. “Não nos foi dito nada.” Por vezes pode estar com os restantes repatriados, no corredor ou no refeitório, mas sempre com “máscaras, luvas, desinfetante”. “As refeições são nos quartos. Há uma máquina de café comum, que é no refeitório, mas temos de ir lá, tirar o café e voltar para o quarto. Há sempre dois enfermeiros presentes, estão de máscara, luvas, bata desde os pés até ao pescoço, coisas na cabeça e óculos. O espaço é grande, agradável… é o que é.”
Quando falou com o Expresso, Luís Estanislau tinha acordado não há muito tempo. Ainda não sabia as rotinas ou como tudo vai funcionar nas próximas duas semanas. E quando já quase acabava a conversa, Luís quis acrescentar algo. Queria louvar o trabalho das autoridades portuguesas nesta missão. Diz-nos que se fala pouco sobre isso.
“Vocês não têm noção da logística que envolveu. Houve muitos europeus que não conseguiram embarcar porque tínhamos de partir todos juntos do consulado-geral de França e só depois poderíamos ir para os autocarros – que precisam de autorização e são a única forma de lá chegar – em direção ao aeroporto. Quem vivia afastado do consulado não tinha forma de chegar, não há transportes e a cidade está totalmente deserta.” E por isso, explica, muitos europeus que estavam fechados em casa não conseguiram chegar ao ponto de encontro para regressarem à Europa. Mais de 100, diz. “O pessoal viajou de Pequim até Wuhan – quase 15 horas de viagem – para ir buscar a casa todos os portugueses que precisavam de boleia para o consulado. E todos precisávamos. A embaixada e Governo foram impecáveis. Estamos muito orgulhosos de ser portugueses, porque vimos o caos com outras nacionalidades.”