Macron, satisfeito com resultados das europeias, lança ofensiva na UE

Macron em ofensiva na Europa. Quer um novo grupo “centrista” no PE

REUTERS

Depois de seis meses de revolta dos “coletes amarelos” e de, apesar disso, ter limitado as perdas do seu partido nas europeias, o Presidente Emmanuel Macron lança uma nova ofensiva na UE

Alfa/Expresso. Por Daniel Ribeiro

Perdeu, ficou em segundo, mas ganhou. É deste modo que se podem resumir as análises dos comentadores em França, no dia seguinte às eleições europeias.

Depois de seis meses de dura crise, nas ruas, dos “coletes amarelos”, o resultado das europeias acaba por não ser desfavorável ao Presidente Emmanuel Macron. A sua coligação “LREM-R” (A REPÚBLICA EM MARCHA-RENASCIMENTO) ficou a apenas 0,9 pontos do “RN” (AJUNTAMENTO NACIONAL), dos nacionalistas de Marine le Pen.

Macron sente-se reforçado com este resultado e lançou-se, logo desde domingo à noite, numa série de contactos com dirigentes europeus, da Espanha à Alemanha, passando por Portugal, entre outros. O objetivo imediato é negociar os postos mais influentes na futura Comissão e noutras instituições europeias. Assuntos que ele também já discutiu com o seu amigo português, António Costa, nos dias que precederam o escrutínio europeu. O próprio chefe do Governo de Portugal confessou há dias em Paris, ao Expresso, estar em conversações com ele sobre o « futuro da Europa ».

Macron considera também estar em condições para criar um importante “eixo progressista” no Parlamento Europeu. Pretende fundar um grupo “centrista” no PE, “capaz de ser o árbitro dos debates”, segundo diz uma fonte francesa ao Expresso. A ideia é construir um grupo com o atual Partido Liberal Democrata (ALDE) e atrair outros eventuais aderentes centristas de modo a constituir a terceira força política pró-europeia no PE.

Macron acha que o seu partido e o futuro grupo podem, no atual momento europeu pós-eleições, vir a ser “a ponte dos consensos” entre os conservadores pró-europeus e a esquerda socialista.

Detido suspeito do ataque à bomba em Lyon

Detido suspeito do ataque com pacote armadilhado em Lyon. Anúncio foi feito no Twitter

Suspeito em causa será o mesmo que tinha sido filmado por câmaras de videovigilância no local do ataque.

 

O ministro francês do Interior, Christophe Castaner, anunciou, esta segunda-feira, a detenção de um suspeito do ataque no Twitter, sem acrescentar mais detalhes.

Europeias: como votaram os portugueses de França nos consulados. Resultados e análise de Carlos Pereira

Veja os resultados. Clique no quadro:
A grande derrota das eleições para o Parlamento Europeu é, sem margens para dúvidas, a da abstenção. Mesmo com todas as precauções que se tomem, dizendo que há Portugueses que residem a centenas de quilómetros dos postos consulares, há muitos porém que residem bem perto e não foram votar.Com uma participação em França que ronda os 0,31% dos quase 387.000 eleitores, esta é matéria para reflexão. As autoridades portuguesas não podem olhar para estes números e fazer de conta que tudo vai bem na democracia portuguesa.Nas últimas eleições de 2014 havia 17.775 inscritos, enquanto nestas eleições o número de recenseados passou para 386.916. Este é o resultado da recente alteração à Lei eleitoral que procede ao recenseamento automático dos cidadãos portugueses residentes no estrangeiro, com Cartão do Cidadão.O impacto direto na votação é bem visível já que os votantes em França passaram de 315 em 2014, para 1.200 em 2019. Praticamente foram multiplicados por 4. Está de parabéns o Governo por ter dado este passo importante, é um passo que começou por dar os seus frutos, mas não chega para combater a abstenção. Faltam mesas de voto descentralizadas e faltam sobretudo novas metodologias de voto.A outra grande derrota é a do PSD, que perdeu em praticamente todos os postos consulares – com exceção de Toulouse. Não é novidade, já em 2014 tinha perdido nas eleições Europeias. Passou de 94 votos para 216, enquanto o PS subiu de 112 para 426! Em França, a percentagem de votos no PS estabilizou nos 35,5%, enquanto o PSD desceu drasticamente de quase 30% para 18%. É necessário acrescentar que em 2014 concorreu com o CDS-PP que apenas teve 5% nesta eleição, em França. Mesmo somando os dois resultados, está àquem do resultado de 2014.O Bloco de Esquerda fez uma “remontada” espetacular, passando de 13 votos em 2014 para 136 em 2019, passando à frente do PCP-PEV. Aliás, até o PAN passou à frente do PCP-PEV este ano. O PAN tinha tido 9 votos em 2014 e passou agora para 94.

Europeias. Resultados definitivos. Le Pen com 0.9% a mais do que Macron.

Europeias: em França, partido de Marine le Pen à frente do de Emmanuel Macron com 0,9%. Resultados definitivos, clique na imagem:

Teatro português em Paris: Amores pós-coloniais

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Europeias. Quem ganhou e quem perdeu as eleições

O dia em que os opostos ganharam (Os Verdes e a extrema-direita) e outros factos das eleições europeias.

SEAN GALLUP / GETTY

As eleições em 27 países resumidas em quatro factos

ALFA/EXPRESSO

FACTO 1. MENOS ABSTENÇÃO LÁ FORA APESAR DO MAU EXEMPLO CÁ DENTRO

A abstenção em Portugal foi de uns históricos 68,64% mas, no geral, a Europa votou mais do que na última vez em que foi chamada às urnas. Cerca de 50,5% dos eleitores europeus foram escolher os seus representantes ao Parlamento Europeu, onde se decidem inúmeras regras que depois são transplantadas na lei de todos os 28 países: segurança alimentar, proteção do direito à licença de maternidade ou eficiência energética são apenas três exemplos de dossiês onde é o Parlamento Europeu que lidera. Eslováquia, Espanha, Roménia ou Hungria foram alguns dos países onde a participação mais subiu. O que pode querer dizer que, por muito que existam críticas à UE em todos os países, os cidadãos europeus sentem-se parte do projeto e querem ter uma palavra a dizer sobre o futuro. A Bélgica ganha a corrida da participação com 89%. Em 2014, Portugal tinha registado a mais alta abstenção de sempre em atos eleitorais – 66,2%, também numas europeias – mas o valor deste ano foi o maior.

FACTO 2. A ASCENSÃO DOS VERDES

São uma das histórias de sucesso da noite e muito ainda se vai escrever sobre as razões por trás destes resultados. Será que foram as greves dos jovens, todas as sextas-feiras, por toda a Europa? Ou foram as imagens das secas terríveis na Austrália? Talvez tenham sido as fotografias que mostram como a fauna marítima sofre com a quantidade impossível de plástico que usamos. Em alguns países, como na Alemanha, os Verdes conseguiram resultados históricos: 22% do voto, à frente dos sociais-democratas do SDP. Também no Reino Unido, onde obtiveram os melhores números de sempre, conseguindo 7 assentos (+4) e cerca de dois milhões de votos, são eles que festejam. Em França, os ecologistas ficaram em terceiro lugar, com 12,5%, e na Finlândia conseguiram um impressionante 2º lugar com 16%. Na Irlanda, os verdes triplicaram a sua contagem de 5% para 15% e, pela primeira vez em 20 anos, vão enviar deputados para Estrasburgo. De repente, a agenda ecologista torna-se capaz de exercer pressão nos outros grupos parlamentares do Parlamento Europeu e podem vir a fazer a diferença numa divisão de assentos que não dá uma maioria ao centro político (44%), coisa que sempre aconteceu até aqui. No total, podem conseguir 69 assentos.

FACTO 3. EXTREMA-DIREITA: A DERROTA PREVISÍVEL, A SURPRESA ELOQUENTE E AS VITÓRIAS ÓBVIAS

Houve uma derrota óbvia: os escândalos que afetaram o governo austríaco, que tem uma coligação onde há extrema-direita, penalizou precisamente esta última nas europeias deste domingo. As sondagens faziam antever o que a realidade consumou – uma derrota do Partido da Liberdade (que conseguiu apenas 3 assentos), que obteve um resultado modesto depois da chegada ao poder e perspetivada ascensão nas eleições seguintes.

Na Holanda, Thierry Baudet era apontado como líder firme de uma extrema-direita que tinha encontrado alguém que era tão apresentável quanto eloquente mas não triunfou como anunciado: Baudet conquistou três eurodeputados mas não venceu as eleições, facto que chegou a ser dado como possível.

Em França e Itália, nenhuma surpresa. Marine Le Pen e Salvini venceram os escrutínios locais e reforçaram a presença da Europa das Nações e das Liberdades, a família política da extrema-direita no Parlamento Europeu (ver mais no Facto 4).

Na Hungria, Órban teve uma vitória absolutamente inequívoca. Na Suécia, com 15,6%, os Democratas Suecos conquistaram o terceiro lugar (um resultado muito positivo) com as suas posições anti-imigração.

A Alternative für Deutschland (AfD) teve um desempenho pior do que o esperado, conseguindo apenas 10,5%, menos do que nas legislativas de 2017 mas mesmo assim uma melhoria em relação aos seus resultados nas últimas europeias.

Os extremistas anti-imigração não devem conseguir o resultado que desejavam para « fechar a Europa » mas ainda existe o risco de que o partido Fidesz, da Hungria, possa renunciar ao Partido Popular Europeu para se juntar aos bloco nacionalista.

FACTO 4. UM PARLAMENTO EUROPEU SEM MAIORIA A DOIS E COM A EXTREMA DIREITA A CRESCER

A configuração do Parlamento Europeu vai mudar substancialmente. E há três grandes vencedores: a Aliança dos Democratas e Liberais pela Europa (à qual Macron se vai unir), com uma subida de 37 eurodeputados; a Europa das Nações e das Liberdades (Salvini, Le Pen), que conquistou mais 33; Os Verdes, que ganham 17. Os dois grandes derrotados: o Partido Popular Europeu (PPE) e o S&D, que deixam de ter conjuntamente a maioria do Parlamento Europeu.

O PPE deve perder 38 deputados (eram 217, são projetados 179) mas o que é uma notícia aparentemente má para esta família política (e é mesmo) vem com duas benesses: mantém-se como a maior força política europeia e a distância para os socialistas, a segunda força, não se altera – o S&D tinha 187 e decresce para 152, o que representa uma perda de 35. Trata-se de resultados pelas 01h13.

Mas há uma consequência relevante do somatório destas forças: até aqui, o bloco PPE/S&D representava a maioria do Parlamento Europeu (fixada nos 376 eurodeputados) e as decisões maioritárias eram tomadas entre ambos sem necessidade de negociações com outras famílias. Deixará de ser assim: a Aliança dos Democratas e Liberais pela Europa (ALDE), que estava nos 68 e agora sobe para 105 (ganho de 37 eurodeputados), torna-se a terceira força. Nota adicional: o movimento pelo qual o partido de Emmanuel Macron concorreu nestas europeias, o Renaissance En Marche, vai unir-se à ALDE.

Os Verdes Europeus crescem de 52 para 69 e a Europa das Nações e das Liberdades (ENF), onde estão a Liga Norte do polémico Matteo Salvini e a União Nacional de Marine Le Pen, ganha 33 lugares – uma das subidas da noite. A Europa da Liberdade e da Democracia Direta, encabeçada por Farage, passa de 41 para 51.

Europeias/Portugal: PS, BE e PAN vencem, PSD, CDS e CDU com piores resultados de sempre

Europeias: PS, BE e PAN com vitórias, PSD, CDS e CDU entre piores resultados de sempre

Europeias: PS, BE e PAN com vitórias, PSD, CDS e CDU entre piores resultados de sempre

A vitória do PS, com uma vantagem de mais de 10 pontos percentuais sobre o PSD, o reforço do BE e a eleição de um eurodeputado do PAN marcaram a noite dos ganhadores das europeias em Portugal.

Em sentido inverso, o PSD e o CDS-PP falharam os objetivos de aumentar a sua representação no Parlamento Europeu e a CDU perdeu mesmo pelo menos um eurodeputado.

Outro dos perdedores da noite eleitoral foi António Marinho e Pinto, que nas europeias de 2014 conseguiu eleger dois eurodeputados para o seu partido de então, o MPT (Movimento Partido da Terra), mas agora fica fora do Parlamento Europeu.

A vitória eleitoral coube ao PS, com 33,38% dos votos, cujo resultado extrapolado para legislativas deixa o partido longe de uma maioria absoluta, mas com uma vantagem de mais cerca de 10 pontos em relação ao segundo partido mais votado, o PSD, uma margem confortável para aspirar à manutenção do poder.

Uma vitória que o líder socialista, António Costa, classificou de « expressiva, clara e inequívoca ».

Os resultados provisórios às 01:20 de segunda-feira, quando estavam apuradas todas as freguesias no território nacional, indicavam que PSD alcançava, percentualmente, o seu pior resultado de sempre, com 21,94%, um ‘score’ inferior aos 24,3% obtidos nas legislativas de 1976.

O CDS-PP alcançou também o seu pior resultado de sempre em europeias, com 6,19% dos votos, mas manteve Nuno Melo no Parlamento Europeu.

A CDU foi outra das forças derrotadas da noite, ficando em quarto lugar com 6,88%, abaixo dos 6,9% conseguidos nas legislativas de 1999 e dos 9,09% das europeias de 2004.

O Bloco de Esquerda e o PAN foram dois vencedores da noite eleitoral, com os bloquistas a conseguirem eleger um segundo eurodeputado e a duplicar a votação de 2014, com cerca de 320 mil votos e 9,82%, consolidando-se como a terceira força mais votada nas europeias.

Já o PAN, o partido Pessoas-Animais-Natureza, surpreendeu ao conseguir eleger pela primeira vez um deputado ao Parlamento Europeu, com cerca de 5,08% e 165 mil votos.

Derrotados da noite eleitoral foram também a Aliança, do ex-primeiro-ministro Pedro Santana Lopes, que falhou a eleição de Paulo Sande para Estrasburgo (1,86% de votos) e a coligação Basta, do ex-social-democrata André Ventura, um partido da área considerada populista que ficou em nono lugar com 1,49%, atrás do Livre de Rui Tavares (1,83%).

Cerca da 01:20, já tinham sido apurados 99,72% dos votos, faltando apurar os resultados em nove consulados. Faltavam ainda atribuir seis mandatos dos 21 que Portugal tem no Parlamento Europeu.

Nas reações, o presidente do PSD, Rui Rio, reconheceu que o partido falhou os objetivos para as eleições europeias, mas considerou que tem condições para conseguir “um bom resultado” e vencer as legislativas.

Assunção Cristas e Nuno Melo, do CDS-PP, assumiram também o falhanço dos objetivos. A líder centrista assumiu o resultado “aquém dos objetivos traçados”, afirmou ter compreendido “o sinal” que os eleitores lhe quiseram dar, embora afirmando a convicção de que o partido está “forte e unido”.

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, admitiu que o resultado eleitoral da CDU foi « particularmente negativo » para os interesses dos trabalhadores, do povo e do país, reconhecendo a quebra face aos três eurodeputados eleitos em 2014.

A CDU tinha obtido há cinco anos o seu segundo melhor resultado de sempre em sufrágios europeus, sendo a terceira força política mais votada, com 12,7%, e três mandatos conquistados.

Quanto à coordenadora do BE, Catarina Martins, qualificou de « extraordinário » o resultado do partido, considerando que estas eleições « reconfiguram o mapa político » e que « a disputa política está nos projetos que a esquerda tenha capacidade para apresentar ».

Portugal elege 21 dos 751 eurodeputados ao Parlamento Europeu.

Europeias/Portugal. PS ganha. Abstenção na ordem dos 70 por cento

Sondagem SIC: PS ganha com 31% a 34%. PAN elege

Alfa, com Expresso e outras fontes.

O PS ganha com uma margem entre 31% a 34% e o PAN elege um a dois deputados. São estas as principais previsões da Sondagem à boca das urnas, do ICS/ISCTE/GFK/Metris para a SIC. A CDU baixa, o Bloco cresce e o PSD pode ter o seu pior resultado de sempre, a não ser que atinja o valor máximo da projeção.

PS: 30,9% – 34,9% – 8 a 9 mandatos

PSD: 21,8% – 28,8% – 6 a 7 mandatos

CDS-PP: 4,7% – 7,3% – 1 a 2 mandatos

BE: 8,5%-11,5% – 2 a 3 mandatos

CDU: 5,3%-8,3% – 1 a 2 mandatos

PAN: 4,7%-7,3% – 1 a 2 mandatos

Outros, brancos e nulos: 13,1%-16,1%

Abstenção pode ter chegado a 70 por cento em Portugal, taxa muito mais elevada do que por exemplo em França onde poderá não ter atingido a barra dos 50 por cento,

Europeias/França. Marine le Pen ganha e quer legislativas antecipadas

Partido nacionalista de Marine Le Pen vence as eleições com 24 por cento seguido do partido do Presidente Emmanuel Macron com 22 por cento, segundo estimativas do canal televisivo BFMTV sobre os resultados das europeias em França.

Outras sondagens confirmam que partido de le Pen está à frente nas eleições.

Depois de conhecidas as diversas projeções que dão o seu partido à frente do apoiado pelo Presidente Emmanuel Macron, Marine le Pen, líder dos nacionalistas franceses, pede a dissolução da Assembleia Nacional e a organização de eleições legislativas com o sistema eleitoral proporcional

A abstençao em França foi de apenas 48 por cento, segundo estimativas.