Vitória nos ‘quartos’ da Liga das Nações abre caminho de Portugal para Mundial2026

Uma vitória sobre a Dinamarca, em março do próximo ano, nos quartos de final da Liga de Nações, deixa Portugal não só na ‘final four’ da prova, mas também com caminho aberto para chegar ao Mundial2026 de futebol.

O sorteio da fase de qualificação europeia para o próximo Campeonato do Mundo, que decorreu hoje em Zurique, na Suíça, ditou que a seleção nacional, caso vença a Dinamarca, numa eliminatória a duas mãos, vai ficar colocada no Grupo F, defrontando Hungria, Irlanda e Arménia.

Se perder com os escandinavos, Portugal fica então no Grupo C, em que encontrará Grécia, Escócia e Bielorrússia.

Na primeira hipótese, a Hungria parece a única que poderá causar problemas à equipas das ‘quinas’, sobretudo no jogo em Budapeste, enquanto Irlanda e Arménia aparecem como rivais bem abaixo do valor da formação do selecionador Roberto Martínez.

Já no Grupo C, Grécia e Escócia podem complicar a vida a Portugal, com as escoceses a demonstrarem precisamente isso na última fase de grupos da Liga das Nações, enquanto a Bielorrússia será sempre uma incógnita, numa altura diplomática em que o país está ‘metido’ na invasão da Rússia à Ucrânia.

Na corrida uma fase final de um Mundial, a Hungria já se atravessou por duas vezes com Portugal, no apuramento para 2010 e 2018, sempre com sucesso para o lado luso, que, na sua história, nunca foi derrotada pelos magiares.

Em ambos os apuramentos, a seleção nacional fez sempre o pleno, com vitórias ‘iguais’: 1-0 em Budapeste e 3-0 em solo luso.

Mais ‘trabalho’ deu a Irlanda, no caminho para o Mundial2022, com um triunfo por 2-1 no Algarve, com Cristiano Ronaldo a marcar os dois golos já no final da partida, e um empate 0-0 em Dublin. Contudo, os irlandeses estão bem longe de poderio que já tiveram no passado e que garantia lugares em fases finais de Mundiais e Europeus.

No caminho para o Campeonato do Mundo de 2002, registaram-se dois empates, ambos 1-1, entre portugueses e irlandeses.

A Arménia também já se atravessou no caminho de Portugal, no apuramento para o França1998, que a equipas das ‘quinas’ falhou, com um nulo em Erevan e um triunfo por 3-1 no Estádio do Bonfim, em Setúbal.

Se cair perante a Dinamarca, a seleção portuguesa fica com as atenções viradas para a Grécia, que recentemente foi a Londres bater a Inglaterra (2-1) para a Liga das Nações.

Só por uma vez os helénicos disputaram com a equipa lusa a presença no Mundial, o de 1970, com má memória para Portugal: derrota por 4-2 em Atenas e empate 2-2 no Porto, no entretanto extinto Estádio das Antas.

Já a Escócia esteve na luta pelo Mundiais de 1982 e 1994, com vitórias caseiras para Portugal e dois nulos fora. Aliás, a seleção nacional nunca venceu em terras escocesas, em jogos oficiais, e já este ano saiu de Glasgow com novo empate a zero, para a Liga das Nações.

No jogo na Luz, Ronaldo deu mesmo o triunfo a Portugal já bem perto do fim (2-1), depois dos britânicos terem estado longo período na frente do marcador.

A Bielorrússia, antiga república da União Soviética, nunca apareceu no caminho de Portugal em qualquer competição ou jogo particular.

Portugal vai tentar a nona presença na fase final de um Campeonato do Mundo, sétima seguida.

 

Martínez diz que o « caminho certo » para Portugal é vencer os ‘quartos’ da Liga das Nações:

 

O selecionador português de Futebol, Roberto Martínez, fala aos jornalistas durante a conferência de imprensa de divulgação de convocados para os jogos com a Eslováquia e a Bósnia-Herzegovina, da fase de qualificação para o Euro 2024, na Cidade do Futebol, em Oeiras, 06 de outubro de 2023. ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Roberto Martínez afirmou hoje que o “caminho certo” para Portugal é vencer nos quartos de final da Liga das Nações e mostrou-se satisfeito por ter ficado num grupo de quatro equipas no apuramento para o Mundial2026 de futebol.

Em declarações ao canal 11, minutos após o sorteio da fase europeia de qualificação para o próximo Campeonato do Mundo, que decorreu em Zurique, na Suíça, o selecionador português defendeu que o principal, para já, é vencer a Dinamarca em março do próximo ano e marcar presença na ‘final four’ da Liga das Nações.

“O caminho certo é tentar ganhar os quartos de final e estar na ‘final four’. Depois disso, podemos avaliar as seleções. Certo é que não há jogos fáceis. É importante ficarmos num grupo de quatro. Queremos estar em junho na ‘final four’ e depois iniciar o apuramento. Para a nossa preparação, é melhor”, disse Roberto Martínez.

Caso vença a Dinamarca, numa eliminatória a duas mãos, a seleção portuguesa vai ficar colocada no Grupo F de qualificação para o Mundial2026 e defronta Hungria, Irlanda e Arménia.

Se perder com os escandinavos, Portugal fica então no Grupo C, em que encontrará Grécia, Escócia e Bielorrússia.

“São seleções que conheço bem. A Escócia defrontámos recentemente. A Hungria, por exemplo, fez um excelente apuramento para o último Europeu. A Irlanda defrontámos num particular antes do Europeu. Não há jogos fáceis. Acreditamos muito no que podemos fazer”, referiu o técnico espanhol.

Para Martínez, o apuramento para o Mundial2026 é mesmo “mais um passo para o sonho”.

“Esse sonho é um dia ganhar o Mundial e é nisso que trabalhamos todos os dias”, concluiu.

O Mundial2026, o primeiro com 48 seleções, 16 europeias, vai ser disputado de 11 de junho a 19 de julho, sendo coorganizado por Estados Unidos, México e Canadá.

De acordo com o calendário da FIFA, a fase de qualificação europeia arranca em 21 de março de 2025 e termina em 18 de novembro do mesmo ano, enquanto o play-off terá lugar entre 26 e 31 de março de 2026.

Caso não consiga a qualificação direta ou o segundo lugar no futuro grupo, Portugal tem garantido um lugar na fase de play-off, assegurado pela campanha na Liga das Nações, em que venceu o Grupo A1 à frente de Croácia, Escócia e Polónia.

Com Agência Lusa.

« Eva Travel », influenciadora

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A criadora de conteúdos de origem luso-ucraniana, apaixonada e sempre pronta a partilhar as suas descobertas e experiências, esteve na Rádio Alfa.

Com raízes ucranianas por parte de mãe e portuguesas por parte de pai, Eva sempre teve uma ligação especial com Portugal, onde passa os verões desde que era pequena. Recentemente, quis ir mais longe e aprender a língua. Foi viver para o Porto durante alguns meses para mergulhar na cultura local, sob o encanto da cidade. As suas histórias de viagens coloridas, conselhos sobre estilo de vida e análises cativantes de produtos, criam uma ligação autêntica com a sua comunidade, que adora a abordagem sincera e alegre. Criativa e sempre na vanguarda, Eva inspira mais de 300 mil subscritores no YouTube, Instagram e TikTok, levando-os nas suas aventuras por todo o mundo.

Macron escolheu aliado experiente para suceder a Michel Barnier

O Presidente francês, Emmanuel Macron, nomeou hoje o aliado centrista François Bayrou como novo primeiro-ministro, depois de uma votação parlamentar histórica ter derrubado o anterior governo de Michel Barnier em 04 de dezembro.

François Bayrou, de 73 anos e bem conhecido na política francesa há décadas, ficou “encarregue de formar um governo” segundo um comunicado de imprensa da Presidência.

Será o quarto chefe de Governo francês desde a reeleição de Macron em abril de 2022 para um mandato de cinco anos.

O experiente Bayrou, recentemente ilibado num caso de alegado desvio de fundos do Parlamento Europeu, terá que sobreviver à censura parlamentar e restaurar a estabilidade do país, uma vez que nenhum partido detém a maioria na Assembleia Nacional.

 

Com Agência Lusa.

Portugal. Exportações para França com queda histórica – Expresso

Alfa/Lisboa

Portugal. Exportações para França com queda histórica – informa o jornal Expresso sua edição impressa de hoje.  

« França deixou de ser o segundo maior destino das exportações nacionais », segundo escreve o Expresso, que acrescenta: 

« Crise na Europa já se sente em Portugal: empresas nacionais estão a vender menos para França e Alemanha também é uma preocupação ». 

A notícia é hoje dada com grande destaque pelo semanário Português.

Este jornal indica que a crise na Europa assusta « empresas nacionais » e que « vendas para França registam queda histórica ».

« Entre janeiro e outubro deste ano, a França comprou menos 395 milhões (….) » o que leva este jornal a escrever que em 2024 Portugal está a registar a primeira queda na exportações para França desde o ano da pandemia.

O jornal regista no entanto um fator positivo, no turismo: « Situação em França e na Alemanha é vista com atenção pelos hotéis nacionais, embora sem sinais de alerta ».

França, Reino Unido e Alemanha admitem reimpor sanções ao Irão pelo nuclear

França, Reino Unido e Alemanha evocaram, em carta dirigida ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, a possível reimposição de sanções ao Irão, para o impedir de desenvolver o seu programa nuclear.

« O E3 continua empenhado com uma solução diplomática para o dossier nuclear iraniano », dizem os três Estados europeus, na sua carta, datada de 06 de dezembro, consultada hoje pela AFP.

« Repetimos a nossa determinação em utilizar todos os instrumentos diplomáticos para impedir o Irão de possuir a arma nuclear, incluindo a utilização do ‘snapback’, acrescentaram, referindo-se ao mecanismo que permite aos membros do acordo sobre o nuclear iraniano reimpor sanções ao Irão.

Em 2015, o Irão concluiu em Viena um acordo com França, Alemanha, Reino Unido, China, Federação Russa e EUA para enquadrar este programa.

O texto previa, em contrapartida, um alívio das sanções a Teerão.

Mas, em 2018, Donald Trump, então presidente dos EUA, retirou, de forma unilateral, o seu Estado do acordo – o qual estava a ser cumprido pelo Oram, segundo a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) – e restabeleceu pesadas sanções.

Em reação, Teerão aumentou as suas reservas de matérias enriquecidas, aproximando-se do patamar para a produção de uma arma atómica, segundo os parâmetros da AIEA.

« Aproximamo-nos rapidamente de um momento crítico para a resolução 2231 do Conselho de Segurança da ONU. O Irão deve reduzir o seu programa nuclear para criar um ambiente político favorável a progressos significativos e a uma solução negociada », acrescentaram os subscritores da carta.

A resolução 2231, que baseia o acordo de 2015, expira em outubro de 2025, dez anos depois da entrada em vigor do acordo.

Na terça-feira, o Conselho de Segurança deve discutir o dossier do nuclear iraniano.

Com Agência Lusa.

FC Porto regressa às vitórias na Liga Europa perante o Midtjylland

O FC Porto regressou hoje aos triunfos na Liga Europa de futebol, ao vencer por 2-0 na receção aos dinamarqueses do Midtjylland, em jogo da sexta jornada da fase de liga da competição.

No Estádio do Dragão, o inglês Danny Namaso inaugurou o marcador, aos 29 minutos, antes de o espanhol Samu apontar o seu quinto tento na prova europeia, aos 56, e consumar a vitória dos ‘dragões’, que nas duas rondas anteriores tinham perdido com a Lazio (2-1) e empatado com o Anderlecht (2-2).

A equipa portista, que voltará a jogar para a Liga Europa em 23 de janeiro de 2025, perante os gregos do Olympiacos, está em zona de play-off, em 18º lugar, com oito pontos, enquanto o Midtjylland tem menos um ponto e é 23º.

 

 Resultados da sexta jornada da fase de liga da edição 2024/25 da Liga Europa de futebol, que decorre entre quarta-feira e hoje:

– Quarta-feira, 11 dez:

Fenerbahçe, Tur, – Athletic Bilbau, Esp, 0-2

 

– Quinta-feira, 12 dez:

Olympiacos, Gre – Twente, Hol, 0-0

Ludogorets, Bul – AZ Alkmaar, Hol, 2-2

Roma, Ita – Sporting de Braga, Por, 3-0

PAOK, Gre – Ferencváros, Hun, 5-0

Union Saint-Gilloise, Bel – Nice, Fra, 2-1

Plzen, Che – Manchester United, Ing, 1-2

Hoffenheim, Ale – Steaua Bucareste, Rom, 0-0

Malmö, Sue – Galatasaray, Tur, 2-2

Slavia Praga, Che – Anderlecht, Bel, 1-2

FC Porto, Por – Midtjylland, Din, 2-0

Elfsborg, Sue – Qarabag, Aze, 1-0

Ajax, Hol – Lazio, Ita, 1-3

Bodo/Glimt, Nor – Besiktas, Tur, 2-1

Rangers, Esc – Tottenham, Ing, 1-1

Lyon, Fra – Eintracht Frankfurt, Ale, 3-2

Maccabi Telavive, Isr – Rigas FS, Let, 2-1

Real Sociedad, Esp – Dínamo Kiev, Ucr, 3-0

 

Com Agência Lusa.

Vitória SC vence e tem os ‘oitavos’ da Liga Conferência praticamente assegurados

O Vitória SC ficou hoje com o apuramento para os oitavos de final da Liga Conferência de futebol praticamente assegurado, ao vencer na Suíça o St. Gallen por 1-4, na quinta jornada da fase de liga.

Os vimaranenses chegaram ao intervalo já em vantagem, depois de João Mendes adiantar os minhotos, aos 33 minutos, tendo ampliado por Gilberto Silva, aos 58, com os helvétivos a reduzirem por Csoboth, aos 66, e Alberto, aos 84, e Samu, aos 90+4, a fecharem as contas do jogo.

Com esta vitória, e finalizada a quinta e penúltima jornada desta fase de liga, o Vitória ocupa o segundo lugar, com 13 pontos, menos dois do que o comandate Chelsea, e está a apenas um ponto de assegurar a qualificação direta para os ‘oitavos’, sendo que o ponto pode até nem ser necessário na derradeira ronda devido a uma provável conjugação positiva de resultados.

Resultados da quinta jornada da fase de liga da edição 2024/25 da Liga Conferência de futebol, disputada hoje:

– Quinta-feira, 12 dez:

Vikingur, Isl – Djurgarden, Sue, 1-2

Astana, Caz – Chelsea, Ing, 1-3

Basaksehir, Tur – Heidenheim, Ale, 3-1

Dínamo Minsk, Bié – Larne, Irn, 2-0

Copenhaga, Din – Hearts, Esc, 2-0

Fiorentina, Ita – LASK Linz, Aut, 7-0

HJK Helsínquia, Fin – Molde, Nor, 2-2

Legia Varsóvia, Pol – Lugano, Sui, 1-2

Noah, Arm – APOEL, Chp, 1-3

Olimpija Ljubljana, Slo – Cercle Brugge, Bel, 1-4

Petrocub, Mda – Betis, Esp, 0-1

Gent, Bel – TSC Backa Topola, Ser, 3-0

Mladá Boleslav, Che – Jagiellonia Bialystok, Pol, 1-0

Omonia, Chp – Rapid Viena, Aut, 3-1

Pafos, Chp – Celje, Slo, 2-0

Shamrock Rovers, Irl – Borac, Bos, 3-0

St. Gallen, Sui – Vitória Guimarães, Por, 1-4

The New Saints, Gal – Panathinaikos, Gre, 0-2

 

Com Agência Lusa.

Sporting de Braga perde em Roma e soma terceira derrota na Liga Europa

O Sporting de Braga perdeu hoje pela terceira vez na fase de liga da Liga Europa de futebol, na visita aos italianos da Roma, por 3-0, em jogo da sexta jornada da competição.

Lorenzo Pellegrini, aos 10 minutos, o saudita Saud Abdulhamid, aos 47, e o espanhol Mario Hermoso, aos 90+1, marcaram os golos dos romanos, numa partida em que os minhotos jogaram com 10 elementos a partir dos 68, por expulsão do guarda-redes Matheus, que tocou a bola com a mão fora da área.

A equipa bracarense, que volta a jogar na Liga Europa em 23 de janeiro de 2025, perante o Union Saint-Gilloise, está provisoriamente na 23.ª posição, com sete pontos, ainda em zona de play-off, enquanto a Roma subiu ao 12º posto, com nove.

Com Agência Lusa.

Marias de Abril: o cravo no feminino da artista plástica luso-americana Melanie Alves

No âmbito do cinquentenário da Revolução dos Cravos, a Maison du Portugal – André de Gouveia acolhe a exposição Marias de Abril: o cravo no feminino, da artista plástica luso-americana Melanie Alves.

A inauguração, que terá lugar no dia 4 de dezembro às 19h30, contará com a participação da cantora portuguesa engajada A Garota Não (nome artístico de Cátia Oliveira), que, tal como Melanie, pratica o artivismo: utiliza a sua arte para promover mudanças na sociedade. Os temas fundamentais do seu trabalho incluem o 25 de Abril, a repressão, o feminismo e os direitos humanos.Esta exposição pretende homenagear todas as mulheres que, de forma mais ou menos pública, viveram, resistiram e lutaram contra a ditadura em Portugal, retirando-as assim da obscuridade e do silêncio a que foram condenadas desde muito jovens.

O projeto nasceu quando, ao observar fotografias antigas, a artista teve uma visão muito clara do que era o Estado Novo: durante 48 anos, Portugal só usava calças (os Manéis), enquanto as saias (as Marias) estavam literalmente confinadas à esfera familiar e doméstica. Durante este período, as mulheres portuguesas eram, em grande parte, “Marianas encarceradas em conventos”, como afirmam as muito controversas “Três Marias” no seu livro coletivo Novas Cartas Portuguesas. De facto, nos seus papéis de trabalhadoras, bem como de filhas, mães ou esposas, foram elas as que mais sofreram com o regime ditatorial e, paradoxalmente, as menos presentes nas evocações do 25 de abril de 1974. Era chegada a hora de “abrir as portas do convento e libertar as Marianas”. Helena Pato, Maria Barroso, Natália Correia, Maria Lamas, Catarina Eufémia, Maria Velho da Costa, Isabel Barreno e Maria Teresa Horta são algumas das mulheres que plantaram os cravos e foram motor da revolução.

Uma entrevista conduzida por Ricardo José:

 

Les Papiers de l’Anglais, uma minissérie da Arte realizada por Sérgio Graciano

O canal Arte (7) leva-nos ao coração da Namíbia com uma série portuguesa que explora as feridas da colonização.

Nas vastas paisagens do deserto da Namíbia, desenrola-se uma jornada que mistura memórias de infância com as cicatrizes da história. Os Papéis do Inglês, uma minissérie da Arte realizada por Sérgio Graciano, estreia esta quinta-feira, 12 de dezembro de 2024, adaptando a trilogia literária Os Filhos de Próspero de Ruy Duarte de Carvalho. Este drama poético e contemplativo mergulha fundo nas marcas deixadas pelo colonialismo português e nas tensões de um passado que permanece vivo.

Uma história entre poesia e memória

A narrativa acompanha Ruy Duarte de Carvalho, antropólogo e poeta, que em 1999 parte em busca dos misteriosos “papéis do Inglês” deixados pelo seu pai no deserto do Namibe. Esses documentos, possivelmente reveladores de um drama histórico e, quem sabe, de um tesouro literário, tornam-se o pretexto para uma viagem iniciática. Durante o percurso, Ruy conta com a companhia de Jonas Trindade, seu amigo e cozinheiro fiel.

Outros personagens enriquecem o enredo: Kaluter, um primo vindo de Portugal, e Paula e Camilla, duas figuras femininas que simbolizam o intelecto e a emancipação. Esta viagem geográfica e interior não só questiona os legados da colonização, mas também celebra a beleza das terras e povos africanos.

Uma poética contemplativa que divide opiniões

Como uma adaptação ambiciosa de uma obra literária poética, a minissérie produziu reações distintas entre a crítica. O jornal L’Humanité elogia a produção por oferecer “um novo olhar sobre a descolonização”, destacando diálogos bem elaborados e silências evocativos. Jonas, descrito como um personagem complexo e “amante dos clássicos gregos”, é visto como “a memória do país”, evoluindo de ajudante de cozinha ao serviço dos colonos para resistente e, finalmente, um homem livre.

Por outro lado, Télérama critica o enredo por ser “excessivamente sinuoso e elíptico”, afirmando que os “meandros digressivos” e as “multiplas temporalidades” podem confundir o espetador.

Uma experiência singular e sensorial

Le Nouvel Observateur destaca “uma adaptação bem-sucedida” que foge às convenções da televisão tradicional. “Cansado de polícias, assassinos em série e cliffhangers? Esta série é para si”, escreve a crítica, que aponta para uma narrativa orientada à “luz, beleza e lentidão”.

Este “conto filosófico” conduzido por Ruy Duarte de Carvalho, interpretado por João Pedro Vaz, combina uma busca íntima com uma reflexão sobre “o destino de um povo confrontado com a colonização portuguesa e sua violência”. Embora o ritmo contemplativo encante alguns, pode também “parecer exasperante para os telespectadores mais impacientes”, reconhece a revista.

Os Papéis do Inglês promete ser uma experiência visual e emocional única, convidando-nos a refletir sobre memórias coletivas e o impacto duradouro da história.

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