Paulo Raimundo (PCP): emigração deve ser “direito, mas não obrigação”

Paulo Raimundo defende na Suíça que emigração deve ser “direito, mas não obrigação”

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Alfa/com Lusa (adaptação Alfa)linkedin sharing button
whatsapp sharing buttonO secretário-geral do PCP defendeu ontem na Suíça que a emigração deve ser um “direito, mas não uma obrigação”, lamentando que Portugal feche “portas às aspirações” e apelou a que se “criem condições” para quem quer regressar.

Naquela que, segundo disse, foi a sua “primeira participação enquanto secretário-geral do PCP numa iniciativa no setor da emigração”, Paulo Raimundo esteve na comuna de Échallens, perto da cidade de Lausana, para participar na Festa Nacional do PCP na Suíça.

Discursando perante militantes do partido, o secretário-geral do PCP defendeu que “emigrar é um direito, mas um direito não é uma obrigação e não pode ser a última escolha para quem não consegue, no seu país, concretizar a sua vida e os seus objetivos”.

“A emigração leva muitos portugueses a sair do seu país, (…) porque o nosso país fecha as portas às aspirações de quem quer lá viver e trabalhar, por via do desemprego, da precariedade, dos baixos salários, da exploração e empobrecimento, da falta de perspetivas profissionais e pessoais”, lamentou.

Segundo Paulo Raimundo, uma das questões que tem sido “muito visível” nas últimas gerações de emigrantes, é a saída de jovens de Portugal devido ao “problema da estabilidade laboral e, acima de tudo, dos salários”.

“Nós enfrentamos em Portugal hoje um problema que é uma emergência nacional, que é a necessidade do aumento geral dos salários, porque só os salários dignos permitem uma vida digna”, salientou.

O líder do PCP considerou que se assiste em Portugal a um “ataque brutal aos direitos e salários, com três milhões de trabalhadores – 70% de toda a mão-de-obra – a ganhar menos ou até mil euros brutos de salário por mês”.

Enquanto isto acontece, disse Paulo Raimundo, os “principais grupos económicos” estão a ganhar “milhões de euros de lucros por dia” e “os 5% mais ricos de Portugal estão a concentrar nas suas mãos, nos seus bolsos, carteiras e cofres, 42% de toda a riqueza criada por quem trabalha”.

“Isto não pode continuar desta maneira: uma situação de profunda desigualdade e injustiça, de empobrecimento da grande maioria do nosso povo, enquanto uma pequena minoria se vai enchendo à custa do empobrecimento da maioria”, disse.

Paulo Raimundo defendeu que “Portugal não é pobre, tem é sido, ao longo dos anos, profundamente empobrecido e roubado” e salientou que o PCP apresenta “propostas e alternativas” tanto a nível interno, como também para as comunidades portuguesas fora do país.

Entre as propostas elencadas pelo secretário-geral do PCP para o setor da emigração, Paulo Raimundo sustentou em particular que é necessário “criar condições para que aqueles que entendam regressar a Portugal”, o possam fazer.

“Isso não se resolve por retórica, resolve-se com medidas concretas, coisa que estamos ainda muito longe que aconteça”, vincou.

Por outro lado, Paulo Raimundo referiu também que o PCP defende “serviços consulares de maior proximidade”.

“Estamos profundamente contra tudo o que seja encerramento de serviços e empurrar para distâncias de quilómetros e quilómetros, independentemente da geografia do país, os serviços consulares dos emigrantes”, disse.

O secretário-geral do PCP defendeu ainda que se deve garantir a “gratuitidade no acesso ao ensino do português”, assim como a “contratação de mais portugueses para o ensino da língua”.

“Defendemos a isenção de propinas para o ensino básico em português e a gratuitidade dos manuais escolares tal como acontece hoje em Portugal”, referiu.

O líder do PCP sustentou que, “para dar respostas a estes problemas concretos que enfrentam os emigrantes, mas também para dar respostas aos problemas que se enfrentam em Portugal, é preciso uma rutura com a política de direita” que se vive no país.

“Em Portugal, não há só o lamaçal que existe nas televisões, não há só os desonestos e os que fazem as negociatas como aparecem nas televisões. Não, Portugal, tem gente séria, empenhada, honesta e que vai pôr o país a andar para a frente”, sublinhou.

Presidente Recep Tayyip Erdogan reeleito na Turquia

Comissão eleitoral confirma vitória de Erdogan

 

email sharing buttonAlfa com Lusa (adaptação Alafa)
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whatsapp sharing buttonO Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, foi reeleito ontem, na segunda volta das eleições presidenciais do país, confirmou a Alta Comissão Eleitoral da Turquia.

« Com base nos resultados provisórios, foi constatado que o senhor Recep Tayyip Erdogan foi reeleito Presidente da República », disse o presidente da Alta Comissão Eleitoral da Turquia, Ahmet Yener, citado pela agência estatal Anadolu.

Os resultados oficiais finais devem ser anunciados no início desta semana.

O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, já tinha reivindicado a vitória na segunda volta das eleições presidenciais que decorrera no país, enquanto o adversário lamentou o resultado.

« A nossa nação confiou-nos a responsabilidade de governar o país nos próximos cinco anos », afirmou Erdogan, em frente à sua residência em Istambul, para onde uma multidão entusiasmada convergiu nas últimas horas.

Perante os apoiantes, o chefe de Estado, que está há 20 anos no poder, garantiu que vai cumprir “todas as promessas feitas ao povo” e salientou que cada eleição é “um renascimento”.

Por seu lado, o opositor Kemal Kiliçdaroglu expressou a sua « tristeza » pelo futuro da Turquia.

« Estou profundamente triste com as dificuldades que o país enfrenta », disse o candidato derrotado e líder do principal partido da oposição da Turquia, falando na sede do seu partido, em Ancara, após a reeleição do Presidente Erdogan.

Resultados preliminares e não oficiais colocavam o atual Presidente da Turquia à frente na segunda volta das eleições, quando estavam apuradas 98% das mesas de voto.

A agência de notícias estatal Anadolu adiantou que Erdogan já obteve 52,1% dos votos, enquanto o seu adversário, Kemal Kilicdaroglu, teve 47,9%.

Já a agência de notícias ANKA, próxima da oposição, avançou com 51,9% para Erdogan e 48,1% para Kilicdaroglu.

As assembleias de voto encerraram às 17:00 locais, menos duas horas em Lisboa.

A oposição turca denunciou hoje irregularidades na segunda volta das eleições presidenciais, como ataques físicos contra observadores eleitorais na região Sudoeste e votos falsos.

A Turquia tem cerca de 85 milhões de habitantes e mais de 61 milhões de eleitores inscritos num processo em que o voto é obrigatório.

Viragem política em Espanha. Direita vence eleições muncipais

PP vence eleições municipais em Espanha,  conquista Sevilha e Valência à esquerda e chega a maioria absoluta em Madrid

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Alfa/com Lusa (adaptação alfa)linkedin sharing button
whatsapp sharing buttonO Partido Popular (PP, direita) foi a força política mais votada globalmente nas eleições municipais de ontem em Espanha, tendo conseguido uma maioria absoluta em Madrid e conquistado Sevilha e Valência à esquerda.

O PP venceu assim em três das quatro maiores cidades espanholas, com a exceção de Barcelona, onde se deu, por outro lado, uma das maiores surpresas destas eleições locais, com a vitória do Juntos Pela Catalunha (JxCat), o partido de direita independentista do ex-presidente do governo regional Carles Puigdemont.

« Serei presidente da câmara de Barcelona », disse o candidato do JxCat, Xavier Trias, quando estavam contados 98% dos votos na cidade.

Trias, que já foi presidente da câmara de Barcelona entre 2011 e 2015, não venceu, porém, com maioria absoluta, pelo que o governo da cidade dependerá de pactos pós-eleitorais.

O segundo partido mais votado em Barcelona foi o BComú (esquerda), da atual presidente da câmara, Ada Colau, e o terceiro o partido socialista, sendo que as sondagens das últimas semanas e as projeções feitas hoje davam um empate entre estas duas forças.

Em Madrid, o PP recandidatou Jose Luis Almeida a presidente da câmara e conseguiu uma maioria absoluta, depois de nos últimos quatro anos se ter desentendido de acordos com outros partidos de direita para governar a cidade.

Em Sevilha, a maior cidade que estava nas mãos dos socialistas, o PP foi também o partido mais votado.

Com todos os votos contados na capital da Andaluzia, o PP elegeu 14 vereadores (tinha 8), o PSOE conseguiu 12 (perdeu um) e o VOX conquistou três (mais um), sendo que a maioria absoluta se consegue com 16.

Em Valência, o partido Compromís, do presidente da câmara Joan Ribó, que liderava a coligação de esquerda à frente da cidade, perdeu as eleições e reconheceu que houve na cidade « uma mudança de maioria absoluta » para a direita, com o PP a eleger 13 vereadores (mais oito do que nas eleições anteriores) e o VOX quatro (mais dois).

Globalmente, com mais de 97% dos votos contados, o PP foi o partido mais votado nas eleições municipais de hoje em Espanha, com 31,5% dos votos, seguido pelo PSOE, com 28,18%.

Os resultados refletem uma mudança em relação às eleições municipais anteriores, de 2019, em que o PSOE teve 29,38% dos votos e o PP conseguiu 22,62%.

Esta é também considerada a primeira vitória eleitoral do PP em Espanha desde 2015.

Os resultados confirmam também o avanço da extrema-direita, com o VOX a conseguir nas eleições locais de hoje 7,19% dos votos, depois de ter tido 3,56% em 2019.

Além de eleições municipais, houve hoje regionais em 12 das 17 comunidades autónomas espanholas, mas a contagem de votos é mais lenta.

No entanto, as contagens que se conhecem apontam também para o avanço do PP e do VOX e perdas do PSOE.

Os líderes nacionais dos partidos não fizeram ainda declarações, mas o espírito de vitória é visível junto à sede do PP, em Madrid, onde se estão a juntar apoiantes do partido e está montado um palco para a celebração.

Estas eleições foram a primeira ida a votos este ano em Espanha, que tem também legislativas nacionais previstas para dezembro, no final de uma legislatura marcada pela primeira coligação governamental no país, entre o PSOE e a plataforma de extrema-esquerda Unidas Podemos.

Mais de 35,5 milhões de eleitores foram chamados a votar para os órgãos de governo de mais de 8.100 municípios.

Mais de 18,3 milhões desses eleitores foram, em simultâneo, convocados para votar na eleição de 12 parlamentos regionais.

As municipais, as eleições que hoje se realizaram em todo o país, estão a ser vistas como um prenúncio das legislativas de dezembro, com o PSOE, à frente do Governo nacional desde 2018 e liderado pelo também primeiro-ministro Pedro Sánchez, a medir a sua resistência.

Já o PP elegeu um novo líder, Alberto Núñez Feijóo, há pouco mais de um ano que enfrenta hoje o primeiro grande teste eleitoral e que transformou as eleições de hoje num referendo ao executivo nacional liderado pelos socialistas.

Além da disputa entre PSOE e PP, hoje está também em causa verificar a dimensão do esperado avanço da extrema-direita do VOX na generalidade do país.

Tenista Nuno Borges apura-se para a segunda ronda de Roland Garros

O tenista português Nuno Borges qualificou-se hoje pela primeira vez para a segunda ronda de Roland Garros, ao vencer em cinco sets o norte-americano John Isner, na primeira ronda do segundo torneio do Grand Slam da temporada.

Depois de no ano passado ter sido eliminado na ronda inaugural do ‘major’ parisiense, em que se estreava, o número um nacional e 80.º classificado do ranking ATP venceu o experiente Isner (90.º) pelos parciais de 6-4, 5-7, 7-6 (7-3), 4-6 e 7-6 (11-9), numa longa maratona de três horas e 58 minutos.

Nuno Borges, que é o único representante luso no quadro de singulares de Roland Garros, face às eliminações de João Sousa e Frederico Silva no ‘qualifying’, vai defrontar na segunda ronda o vencedor do duelo entre o espanhol Bernabé Zapata Miralles (38.º) e o argentino Diego Schwartzman (95.º).

A participar pela quinta vez num torneio do Grand Slam, Nuno Borges passou pela segunda vez a primeira ronda de singulares, depois de já o ter feito no Open dos Estados Unidos em 2022.

 

Com Agência Lusa.

João Mário despede-se da seleção portuguesa 

O médio João Mário anunciou hoje a despedida da seleção portuguesa de futebol, anunciou hoje o jogador do Benfica em comunicado, na véspera de Roberto Martínez anunciar os convocados para os jogos com Bósnia-Herzegovina e Islândia.

“Atendendo à fase que atravesso na carreira e depois de profunda reflexão, do foro pessoal, ponderada e honesta, entendo que este é o momento indicado para me despedir da seleção nacional », lê-se no comunicado do campeão europeu em 2016.

Um dia depois de se ter sagrado campeão nacional pelo Benfica, João Mário disse que « jogar por Portugal sempre foi um privilégio e uma honra importante ».

« Uma palavra de agradecimento também aos adeptos portugueses que sempre me apoiaram em todos os momentos em que vesti esta camisola. Sempre estarei na fila da frente a apoiar a seleção nacional. Serei sempre mais um a vibrar com os sucessos da equipa de todos nós. É um momento emotivo e peço que respeitem a minha decisão », considerou.

Pela equipa das ‘quinas’, o médio, de 30 anos, fez 56 jogos e marcou três golos, sagrando-se campeão europeu em 2016, em França, além de ter participado nos Mundiais de 2018 e de 2022.

João Mário integrou a primeira convocatória do novo selecionador de Portugal, o espanhol Roberto Martínez, para os jogos com Liechtenstein, no qual foi utilizado nos instantes finais, e Luxemburgo, no qual foi suplente não utilizado.

Há pouco mais de um ano também o avançado Rafa, igualmente do Benfica, tinha anunciado a renúncia à seleção portuguesa, então a meses do Mundial2022, na altura ainda comandado por Fernando Santos.

 

Com Agência Lusa.

João Almeida é o primeiro ciclista português no pódio final do Giro

João Almeida (UAE Emirates) tornou-se hoje no primeiro português a subir ao pódio final da Volta a Itália e o primeiro ciclista nacional a terminar entre os três melhores de uma grande Volta desde Joaquim Agostinho no Tour1979.

Almeida cortou a meta, no final dos 126 quilómetros da 21.ª etapa, com início e final em Roma, integrado no pelotão encabeçado pelo britânico Mark Cavendish (Astana), e viu o seu terceiro lugar final confirmado, numa 106.ª edição da ‘corsa rosa’ ganha pelo esloveno Primoz Roglic (Jumbo-Visma), que deixou o britânico Geraint Thomas (INEOS) em segundo, a 14 segundos, e o corredor de A-dos-Francos (Caldas da Rainha) a 1.15 minutos.

O ciclista de 24 anos, que também conquistou a classificação da juventude, é o primeiro português a ‘fechar’ o Giro no pódio e o segundo corredor luso a ficar entre os três melhores de uma grande Volta, depois de Joaquim Agostinho ter sido terceiro nas edições de 1978 e 1979 da Volta a França e segundo na Vuelta1974.

A etapa foi vencida por Cavendish numa disputa ao sprint em que superou o luxemburguês Alex Kirsch (Trek-Segafredo), segundo, e o italiano Filippo Fiorelli (Green Project-Bardiani CSF-Faizanè), terceiro.

 

Com Agência Lusa.

“Dona Zezinha, a vida singular de uma professora” – O Livro da Semana

O Livro da Semana, próximas edições: 

31 de maio, 4 e 6 de junho : ALTINA RIBEIRO, AUTORA DE “DONA ZEZINHA, A  VIDA SINGULAR DE UMA PROFESSORA”

O LIVRO DA SEMANA, às quartas (12h30), aos domingos (14h30) e às terças (01h30). Com o apoio da Biblioteca da Fundação Calouste Gulbenkian de Paris.

Ou ouça aqui:

 

Originalmente publicado em francês, “Dona Zezinha, a vida singular de uma professora”, o quarto livro de Altina Ribeiro, acaba de ser publicado em português. A Altina nasceu em São Vicente, uma aldeia da raia transmontana do concelho de Chaves, e tinha apenas dois anos quando o seu pai deixou a família, passou a salto as fronteiras e chegou a França para trabalhar. Aos oito anos, em 1969, a Altina e a restante família juntaram-se ao pai na capital francesa. Após uma integração difícil, a Altina estudou na Escola Superior de Direito, onde obteve o diploma de premier clerc. Passados mais de trinta anos de vida em França, em 2005, ela decidiu escrever a sua autobiografia à qual deu o título “Le fado pour seul bagage”.

Inserido no contexto do ensino e da educação salazaristas, este “Dona Zezinha, a vida singular de uma professora” é uma biografia que evoca a difícil relação entre Carlos Alexandre e a sua mãe, Zezinha, uma salazarista convicta, que foi professora durante 34 anos, de 1937 a 1971, nas aldeias do interior português.

Não perca a conversa do escritor Nuno Gomes Garcia com Altina Ribeiro e descubra uma mulher que se viu obrigada a contrariar a própria ideologia nacionalista para poupar o filho aos horrores da guerra colonial, enviando-o a salto para França.

Portugal/Bloco de Esquerda. Mariana Mortágua é a nova líder do movimento

Reunião magna do Bloco de Esquerda termina hoje com escolha da nova liderança. Mariana Mortágua tem vitória praticamente assegurada

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linkedin sharing buttonAlfa/ com Lusa ( adaptação Alfa)
whatsapp sharing buttonA XIII Convenção Nacional do BE, que vai escolher a nova liderança do partido, termina hoje com a eleição dos órgãos e a votação das duas moções em confronto, sendo expectável que a de Mariana Mortágua saia vencedora.

Esta reunião magna marca o fim da era de Catarina Martins à frente dos destinos do BE e sábado ficou marcado pelo último discurso da ainda coordenadora, a primeira intervenção de Mariana Mortágua, as críticas à maioria absoluta do PS, as diferenças de posições entre as duas moções em relação à guerra na Ucrânia e o apontar dos críticos internos à falta de democracia do partido.

As urnas para a votação na Mesa Nacional (que tem 80 lugares em disputa) e Comissão de Direitos só fecham às 11:00, mas a vitória de Mariana Mortágua é quase certa uma vez que a sua moção conseguiu eleger 81% dos delegados à convenção, que são quem vota quer nos órgãos nacionais quer nas moções.

A reunião magna deverá terminar, por isso, com a intervenção de Mariana Mortágua, uma sessão de encerramento que contará com a presença, pelo Governo, do secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, António Mendonça Mendes, e de delegações do PS, através do secretário-geral adjunto, João Torres e da presidente da concelhia de Lisboa do PS, Marta Temido, bem como dirigentes do PCP, do Livre, do PAN e do PEV.

Este ano, ao contrário de convenções anteriores em que eram mais os textos de orientação política em discussão, são apenas duas as moções que se apresentam.

A moção A, de Mariana Mortágua, apresentou uma lista à Mesa Nacional de continuidade e com poucas alterações em relação à última convenção, onde se manterá Catarina Martins, Pedro Filipe Soares, Marisa Matias ou Luís Fazenda e regressará o ex-deputado Luís Monteiro.

Já pela moção E, crítica da qual direção, o número um é o ex-deputado Pedro Soares, estando o histórico da UDP Mário Tomé em 18.º lugar, seguido do professor catedrático Rui Cortes.

No seu discurso de apresentação da moção, Mariana Mortágua defendeu que “levar o país a sério” – que é precisamente o mote desta convenção – é dizer aos portugueses que não estão condenados « ao vexame » que “a maioria absoluta impõe”, considerando que “o pântano supera-se com democracia”.

A candidata à liderança estabeleceu como dever da esquerda “recuperar forças, unir as vontades sociais que não desistem de lutar por uma vida boa”, assim como “ser unitária e combativa, falar claro e mobilizar o povo”.

Por seu turno, o opositor da atual direção, Pedro Soares, considerou que a ‘geringonça’ « continua a marcar a linha política » do partido e criticou os deputados bloquistas por integrarem a comitiva que visitou a Ucrânia, uma condenação repetida, mais à frente, por Mário Tomé.

Catarina Martins fez seu último discurso como líder, que terminou com uma longa ovação de pé, mas quis deixar claro que não será uma despedida já que continuará quer na Mesa Nacional quer na Comissão Política.

A ainda coordenadora foi muita dura com o PS de António Costa, que apelidou de “padrasto de todo o populismo” e considerou que os problemas estruturais do país foram agravados porque os socialistas acharam que, com a maioria absoluta, tinha chegado o seu “momento cavaquista”.

Assumindo que “a derrota eleitoral do ano passado deixou feridas”, Catarina Martins repetiu a mensagem de que não há arrependimentos da coerência, deixando um sinal sobre as gerações do partido, que “não se atropelam », mas « reforçam-se » e recordou o legado dos fundadores do partido e de João Semedo.

« A nossa prioridade são os lusodescentes ». Governo oferece tablets para ensino de português à distância em França a partir de setembro

« A nossa prioridade são os lusodescentes ». Governo oferece tablets para ensino de português à distância em França a partir de setembro

 

Alfa/ com Lusa /Tvi

  

Dispositivos eletrónicos foram entregues para servir alunos em França onde devido à falta de inscrições não é possível formar uma turma e colocar um professor de forma presencial.

O secretário de Estado das Comunidades, Paulo Cafôfo, esteve este sábado em Paris para começar a entregar tablets que vão facilitar a aprendizagem de português a lusodescendentes e anunciou um projeto-piloto de ensino à distância em Bordéus e Estrasburgo.

« Estes equipamentos também poderão servir para testar um projeto pensado para a França, para Estrasburgo e para Bordéus, porque consideramos que nos locais onde não seja possível formar uma turma, as novas tecnologias vão permitir a um professor ministrar à distância essas aulas », disse Paulo Cafôfo em declarações aos jornalistas.

O secretário de Estados das Comunidades está em França desde sexta-feira, tendo passado por Bordéus, e entregou este sábado no Consulado-geral de Portugal em Paris dezenas de tablets a alunos das aulas de língua portuguesa em meio associativo na região de Paris. Dos cerca de 24.000 tablets destinados às crianças que aprendem português no Mundo, cerca de 1.200 vão ser distribuídos em França.

Estes dispositivos, que têm software em português e ferramentas de aprendizagem, vão servir, segundo anunciou também o secretário de Estado, a chegar aos alunos em França onde devido à falta de inscrições não é possível formar uma turma e colocar um professor de forma presencial.

« Há, é verdade, alunos que querem frequentar o ensino de português, mas a dispersão [de alunos] não permite que se forme uma turma e que se possa atribuir um professor. E, portanto, esta é uma situação que de forma complementar dará resposta aos alunos que hoje não conseguem aceder às aulas de português », explicou o governante.

Este projeto-piloto vai arrancar nas cidades de Estrasburgo e Bordéus já no início do ano escolar 2023-2024 e poderá, segundo Paulo Cafôfo, ser depois alargado ao resto da França.

Susana, que vive em Viry-Chatillon, nos arredores de Paris, e esteve este sábado no Consulado-geral de Paris para ir buscar um destes tablets deu conta à Agência Lusa da dificuldade de inscrever o seu filho, agora com 14 anos, nas aulas de português.

« Da parte da escola foi muito complicado e depois aproximei-me diretamente da professora de português, que dá aulas numa associação, logo no segundo ano da escola primária e, a partir daí, continuou sempre », explicou esta portuguesa instalada em França, que diz que a ligação com Portugal do seu filho se reforçou graças ao domínio da escrita.

Em França, o ensino da língua portuguesa nas escolas primárias fica a cargo do Estado português através do Instituto Camões e a responsabilidade passa para o Estado francês a partir do sexto ano, quando se inicia o ensino básico em França. No entanto, muitos alunos acabam por aprender português em meio associativo devido à dificuldade de continuidade entre a escola primária e o ensino básico ou o fraco número de inscrições.

« Optámos por privilegiar o ensino paralelo [com a entrega de tablets], ligado ao movimento associativo, neste abraço que as associações dão à cultura portuguesa. A nossa preferência é entregar tablets ao ensino paralelo, porque a nossa prioridade são os lusodescendentes », explicou Paulo Cafôfo.

Segundo o secretário de Estado das Comunidades há atualmente 14 mil alunos a aprenderem português em França no ensino público e nas associações, estando colocados 102 professores de português através do Instituto Camões. Por enquanto, não se sabe se haverá um aumento de professores para o ano letivo 2023-2024.

Paulo Cafôfo seguiu esta tarde com o seu programa em França, tendo tido um encontro com os empresários de origem portuguesa em Paris e no domingo vai marcar presença na festa portuguesa de Pontault-Combault, uma das maiores em França.

Futebol: reflexões sobre uma festa benfiquista anunciada. Crónica

Reflexões sobre uma festa benfiquista anunciada num país onde o futebol é rei.

Crónica de Artur Silva, jornalista da nossa emissora, para ouvir na segunda-feira, 29, na Rádio Alfa.

Ou ouça aqui: 

 

Artur Silva - Passagem de NÍvel