Michel Platini e Joseph Blatter absolvidos de corrupção num tribunal suíço

O francês Michel Platini e o suíço Joseph Blatter, antigos presidentes da UEFA e da FIFA, respetivamente, foram absolvidos das acusações de corrupção, após seis anos de investigação e duas semanas de julgamento na Suíça.

“Um tribunal neutro finalmente decidiu que nenhuma ofensa foi cometida neste caso. O meu cliente está completamente inocentado e aliviado com o resultado”, comentou após a leitura da sentença o advogado de Michel Platini, Dominic Nellen.

Em causa estava uma verba de 2 milhões de francos suíços (cerca de 1,8 milhões de euros) recebida “às custas da FIFA” por Michel Platini, supostamente para pagar uma colaboração de consultadoria à entidade então presidida por Joseph Blatter.

Em silêncio, os dois réus ouviram no tribunal suíço.

Num comunicado, o ex-capitão da seleção francesa e antigo presidente da UEFA, regozijou-se por ter “vencido um primeiro jogo” e aludiu, uma vez mais, à manipulação política e judicial destinada a retirá-lo do poder.

“Neste caso, há culpados que não compareceram durante este julgamento. Que contem comigo, vamos nos encontrar”, refere Michel Platini, de 67 anos, que desempenhou o cargo de presidente da UEFA entre 2007 e 2015.

Michel Platini assessorou Joseph Blatter entre 1998 e 2002, durante o primeiro mandato deste último à frente da FIFA, e os dois assinaram um contrato em 1999 concordando com uma remuneração anual de 300 mil francos suíços, integralmente pagos pela FIFA.

Mas, em janeiro de 2011, Platini – que entretanto se tornou presidente da UEFA – “reclamou um pedido de 2 milhões de francos suíços”, qualificado como “fatura falsa” pela acusação.

Michel Platini e Joseph Blater, presentemente com 86 anos, garantiram em tribunal que tinham decidido uma verba de 1 milhão de francos suíços ano como salário e que o contrato foi selado através de um “acordo de cavalheiros” oral e sem testemunhas.

O tribunal considerou que a alegada fraude “não foi constatada com toda a certeza” e, quando assim é, aplicou o principio geral do direito penal, segundo o qual “na dúvida se deve beneficiar o arguido”.

Com Agência Lusa.

Morreu José Eduardo dos Santos, ex-Presidente de Angola

O antigo Presidente de Angola José Eduardo dos Santos morreu hoje aos 79 anos, anunciou hoje a Presidência da República angolana.

« O Executivo da República de Angola leva ao conhecimento da opinião pública nacional e internacional, com um sentimento de grande dor e consternação, o falecimento de Sua Excelência o ex-Presidente da República, Engenheiro José Eduardo dos Santos, ocorrido hoje às 11h10 [10:10 em Lisboa], (…) após prolongada doença », pode ler-se no comunicado.

O executivo angolano, que apresenta « profundos sentimentos de pesar » à família, apela ainda « à serenidade de todos neste momento de dor e consternação”.

« O Executivo da República de Angola inclina-se, com o maior respeito e consideração, perante a figura de um Estadista de grande dimensão histórica, que regeu durante muitos anos com clarividência e humanismo os destinos da Nação Angolana, em momentos muito difíceis », acrescenta o comunicado.

O antigo Presidente da Angola estava há duas semanas internado nos cuidados intensivos de uma clínica em Barcelona.

O ex-Presidente, de 79 anos, tinha problemas de saúde há vários anos e foi acompanhado em Barcelona desde 2006.

José Eduardo dos Santos sucedeu a Agostinho Neto como Presidente de Angola em 1979 e deixou o cargo em 2017, cumprindo uma das mais longas presidências no mundo, sendo era regularmente acusado por organizações internacionais de corrupção e nepotismo.

Em 2017, renunciou a recandidatar-se e o atual Presidente, João Lourenço, sucedeu-lhe no cargo, tendo sido eleito também pelo Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), que governa no país desde a independência de Portugal, em 1975.

 

Com Agência Lusa.

Continua a circular petição para defesa da língua portuguesa em França. Passagem de Nível – os destaques

« Passagem de nível » na Rádio Alfa. Domingo 10 de Julho. Das 12h às 14h. 

Temas em destaque:

-O Conselho Permanente do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) esteve reunido três dias em Lisboa com membros do governo e da Assembleia da República. Balanço com Pedro Rúpio, Presidente do Conselho Regional da Europa

-Continua a circular uma petição ao Presidente Macron e uma “Carta Aberta” aos deputados franceses, para a salvaguarda do ensino de Português no âmbito do currículo escolar francês.
Convidados:
António Oliveira, secretário-geral da ADEPBA
Martine Fragoas, membro do CA da ADEPBA, enseignante agrégée de portugais e do Colectivo pela defesa da língua portuguesa na Nouvelle Aquitaine

Sugestão para as férias:
Leitura: com dois autores lusodescendentes de BD à procura das suas raízes
Cyril Pedrosa, Portugal, éditions Dupuis

Olivier Afonso, Les Portugais, éditions Arènes BD

-Visita à exposição de pintura: Modernités Portugaises, na Maison Caillebotte em Yerres (91)

Apresentação e Coordenação: Artur Silva

 

Nota: última emissão da 10ª temporada de “passagem de nível”, antes de paragem durante as férias de verão.  Como habitualmente, este programa tem redifusão na noite de 4ª para 5a feira, entre as 0h00 e as 2h00

Ataque a tiro mata Shinzo Abe, ex-primeiro ministro japonês

O antigo primeiro-ministro japonês Shinzo Abe morreu hoje depois de ter sido atingido a tiro enquanto discursava num comício eleitoral em Nara, uma cidade no oeste do Japão, anunciou o seu partido.

Abe, 67 anos, foi atingido pelas costas quando fazia um discurso na rua antes das eleições parlamentares de domingo.

O Partido Liberal Democrático (LDP), a que pertencia, anunciou a sua morte após os serviços de saúde terem anunciado que Abe tinha sido levado para um hospital em paragem cardiorrespiratória, segundo a agência espanhola EFE.

 

Com Agência Lusa e EFE.

Moção de censura da esquerda francesa ao Governo debatida na segunda-feira, mas não deverá ser aprovada.

Moção de censura da esquerda francesa ao Governo debatida na segunda-feira. A moção de censura recolheu o apoio de todas as forças de esquerda que nas eleições formavam a coligação Nova União Popular Ecológica e Social (NUPES), mas não deverá ser aprovada.

 

Alfa/ agências/ Lusa

Amoção de censura apresentada pela esquerda francesa contra o Governo de Elisabeth Borne vai ser discutida pela Assembleia Nacional na segunda-feira, com poucas probabilidades de ser aprovada. A discussão da moção de censura e a sua votação vão acontecer a partir das 16h00 locais e deverá durar pelo menos duas horas e meia, já que todos os grupos políticos presentes no hemiciclo se vão exprimir sobre esta proposta da esquerda.

O anúncio desta moção de censura foi feito após a primeira-ministra dar a entender que não iria pedir um voto de confiança ao Parlamento – tradicional em França, mas não obrigatório. As forças do Presidente Emmanuel Macron apenas detêm uma maioria relativa.

A moção de censura recolheu o apoio de todas as forças de esquerda que nas eleições formavam a coligação Nova União Popular Ecológica e Social (NUPES), mas não deverá ser aprovada, já que para fazer cair o Governo é preciso uma maioria absoluta de 289 deputados e a esquerda apenas tem cerca de 150.

Por enquanto, tanto a direita como a extrema-direita mostraram-se contra esta moção de censura, sendo pouco provável que apoiem esta iniciativa da esquerda.

Os deputados franceses, que tomaram posse no final de junho, podem ver as suas férias de verão encurtadas, já que terão de votar novas leis sobre a covid-19 e também um pacote de ajuda ao poder de compra em França, entre os quais um cheque alimentar e outros subsídios para o alojamento, alimentação e energia, cujos preços subiram devido à inflação.

Festival de Avignon começa hoje com « Ifigénia » de Tiago Rodrigues

Lusa

O festival francês de Avignon inicia hoje a sua última edição antes de o português Tiago Rodrigues assumir a direção, precisamente com um texto do dramaturgo e encenador português, “Ifigénia”, dirigido por Anne Théron.

A presença portuguesa no principal festival europeu de teatro faz-se também com o coreógrafo Marco da Silva Ferreira, que apresenta o espetáculo « Førms Inførms », concebido para a companhia sul-africana Via Katlehong Dance, em estreia em Avignon no domingo.

« Førms Inførms » e « Ifigénia » fazem parte da programação da Temporada Cruzada Portugal-França.

« Ifigénia » fica em cena em Avignon até dia 13, e já tem lotações esgotadas em todas as récitas, segundo a bilheteira ‘online’.

Estreada no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, em 2015, na altura com encenação do próprio autor, « Ifigénia », a história da filha do rei Agamémnon, que o soberano sacrifica em nome do combate na guerra de Troia, é transposta por Tiago Rodrigues para o contexto contemporâneo dos conflitos armados e dos seus objetivos, a partir da tragédia de Eurípides.

A obra faz parte de uma trilogia dedicada aos clássicos gregos e ao mito da Casa dos Atridas, em particular. Depois de « Ifigénia », Tiago Rodrigues abordou « Agamémnon », a partir de Ésquilo, em que a morte da filha do rei de novo se impõe, com Clitemnestra, a mãe, a definir a vingança, assim como a relação e o destino das personagens que se cruzam na peça seguinte, « Electra », também inspirada em Eurípides.

A montagem de « Ifigénia », em Avignon, conta com interpretações de Carolina Amaral, Fanny Avram, João Cravo Cardoso, Alex Descas, Vincent Dissez, Mireille Herbstmeyer, Julie Moreau, Philippe Morier-Genoud e Richard Sammut, com encenação de Anne Théron.

Trata-se de uma coprodução do Théâtre National de Strasbourg, com a companhia Les Productions Merlin, o Teatro Nacional São João, do Porto, que acolherá a peça na próxima temporada, e ainda com palcos franceses de Brive-Tulle, La Roche-sur-Yon, Sud-Aquitain (Bayonne) e da Région Nouvelle-Aquitaine. Conta igualmente com o apoio do Ministério da Cultura de França e a parceria da France Télévisions.

« Ifigénia » partilha o programa de abertura desta 76.ª edição do Festival de Avignon, com a adaptação de « O Monge Negro », de Anton Tchekhov, pelo encenador e realizador Kirill Serebrennikov, o único cineasta russo selecionado para o último festival de Cannes (com o filme « Tchaikovsky’s wife »), onde condenou publicamente a invasão da Ucrânia.

Há um ano, quando foi anunciada a escolha de Tiago Rodrigues para a direção do Festival de Avignon, a abertura da 75.ª edição coube à versão de « O cerejal », de Tchekhov, pelo encenador português, que então dirigia o Teatro Nacional D. Maria II.

Quanto a Marco da Silva Ferreira, apresentará no festival, nos próximos dias 10 a 17, a coreografia « Førms Inførms », como parte do díptico « Via Injabulo », a par de « Emaphakathini », do coreógrafo e bailarino franco-senegalês Amala Dianor, que a companhia Via Katlehong Dance irá interpretar.

Nascido em 1986, em Santa Maria da Feira, Marco da Silva Ferreira trabalhou com coreógrafos como Hofesh Shechter, Sylvia Rijmer, Tiago Guedes, Paulo Ribeiro e Victor Hugo Pontes. Entre 2018-2019, foi artista associado no Teatro Municipal do Porto e, de 2019 a 2021, do Centre Chorégraphique National de Caen en Normandie.

No âmbito da Temporada Cruzada, além de « Førms Inførms », Marco da Silva Ferreira assina os espetáculos « Fantasia Menor » (apresentado na Normandia e em Paris), « SIRI » (Bordéus e Porto), « Novas Conexões (Novos Links) », para os alunos do Conservatório de Paris e da Escola Superior de Dança de Lisboa, e « S/Corpos de Baile », criação conjunta com Tânia Carvalho, para a Companhia Nacional de Bailado, que irá encerrar a temporada no Théâtre de la Ville, em Paris.

« Via Injabulo » conta com coprodução do Festival Dias da Dança e do Teatro Municipal do Porto, que o acolherá em setembro, a par do Chaillot Théâtre National de la Danse e do Théâtre de la Ville de Paris, e da Maison de la Danse (Lyon), assim como do Festival de Avignon, do Théâtre de Loire Atlantique, de Nantes, da Maison des Arts de Créteil e do Espace 1789 – Scène Danse de Saint-Ouen.

Tem ainda apoio do Instituto Francês da África do Sul e do Centro Cultural Camões, em Paris.

No âmbito da Temporada Cruzada, o Festival de Avignon apresentará ainda a peça “Saigão”, da encenadora, dramaturga e realizadora francesa Caroline Guiela Nguyen, em que as personagens partilham memórias do passado colonial e da guerra, no Vietname, desde meados do século XIX.

« Saigão » esteve em cena no Teatro D. Maria II, no passado mês de abril.

 

Reino Unido/Crise: Johnson demite-se como líder conservador e fica como PM até ser substituído

Boris Johnson « concordou » demitir-se hoje

 

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O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, demitiu-se hoje como líder dos conservadores, mas disse que se manterá na chefia do Governo até ser substituído à frente do partido.

« Concordei que o processo de escolha de um novo líder [dos conservadores] deve começar hoje », disse Johnson à porta de Downing Street, a residência e gabinete oficial do primeiro-ministro.

A demissão do líder conservador, de 58 anos, ocorreu após a saída de dezenas de membros do seu executivo nas últimas 48 horas.

 

Entrevista. « Mercado francês é um dos mais importantes para Portugal nos sectores do têxtil e vestuário » – João Correia Neves

No quadro do Salão ‘Première Vision’ que decorre até 7 de julho no Parque de Exposições Paris-Nord-Villepinte. O Secretário de Estado Adjunto e da Economia, João Correia Neves depois de ter visitado as cerca de 60 empresas portuguesas presentes no certame, visitou também os estúdios da Radio Alfa.

Esta foi uma oportunidade para falar com o representante do governo sobre a crise no transporte aéreo europeu e o caos nos aeroportos, com reflexos na economia portuguesa. Sobre a inflação na energia e nos bens alimentares, com a subida dos preços, sem esquecer o mundo laboral que sofre de falta de trabalhadores na restauração e hotelaria em Portugal.

Entrevista realizada pelo jornalista Ricardo José.

PM de França pronta a « construir » apesar de ser alvo de moção de censura

A primeira-ministra francesa, Elisabeth Borne, enfrentou hoje protestos da oposição na apresentação das linhas gerais das prioridades do seu Governo perante a Assembleia Nacional, manifestando-se disposta a « construir » apesar de uma moção de censura apresentada pela esquerda.

« Uma maioria relativa não é nem será um sinónimo de uma ação relativa. Não é sem será um sinal impotência », garantiu hoje Elisabeth Borne que falou hoje pela primeira vez na Assembleia Nacional na qualidade de primeira-ministra.

A líder do Governo francês admitiu que não há acordo para uma governação estável, sem hipótese de coligações para a força do Presidente, Emmanuel Macron, que tem agora uma maioria relativa no Parlamento, mas que vai constituir « uma maioria de projetos », dizendo ser uma mulher pronta a « construir a França ».

A primeira-ministra disse que « o Estado vai voltar a deter 100% do capital da EDF », empresa nacional de eletricidade, definindo a meta de que a França seja a primeira potência mundial a deixar de utilizar os combustíveis fósseis.

Tal como o Presidente tinha prometido na campanha das eleições presidenciais, a taxa do audiovisual vai deixar de existir até ao final deste ano, disse ainda.

Entre as prioridades para os próximos cinco anos estão ainda as melhorias do poder de compra dos franceses, com Borne a dizer que vai começar uma consulta com os sindicatos, apostando no pleno emprego.

Tal como o Presidente Macron já tinha sugerido, Borne disse que a infância estará também na linha da frente, com 200 mil novas vagas nas creches até 2027.

Após vários escândalos no setor dos lares para idosos, a primeira-ministra assegurou ainda mais apoios aos mais idosos, assim como às pessoas com deficiência.

Uma vez que a primeira-ministra, ao contrário do que acontece tradicionalmente em França, não pediu um voto de confiança aos deputados, a esquerda já tinha apresentado uma moção de censura mesmo antes de proferir o seu discurso no hemiciclo.

« Eu não correspondo, talvez, ao retrato `robot` que certas pessoas esperavam », disse a primeira-ministra.

« Calha bem, vivemos uma situação inédita. Não tenho o complexo de mulher providencial. Fui engenheira, trabalhei numa empresa, fui governadora civil e ministra. O meu percurso seguiu apenas uma direção: servir. Só tenho uma bússola, construir o meu país », adiantou.

O discurso da ministra aconteceu sob fortes protestos da oposição, com a presidente da Assembleia Nacional recém-eleita, Yaël Braun-Pivet, a ter de pedir vários vezes aos deputados para se acalmarem.

No entanto, não é a primeira vez que um Governo começa um mandato sem voto de confiança, já que, perante outras maiorias frágeis, outros primeiros-ministros como Pierre Bérégovoy em 1992, Édith Cresson em 1991 ou Michel Rocard em 1988 fizeram a mesma escolha.

A moção de censura apresentada hoje pela coligação de esquerda Nova União Popular Ecológica e Social (NUPES) deverá ser discutida na sexta-feira ou no início da próxima semana, não tendo para já o apoio da direita nem da extrema-direita, o que inviabiliza a queda do Governo, já que seria necessária uma maioria absoluta de 289 deputados.

 

 

Com Agência Lusa.

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